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Michels revela preocupação com recursos para hospital

Michels quer construir novo hospital, porque entende que a reforma do atual, cujo prédio pertence ao INSS, sairia mais caro. Foto: Eberly LaurindoO prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), afirmou estar temeroso de que os recursos para a construção de um novo hospital na cidade – uma de suas principais promessas de campanha – não sejam repassados pelos governos federal e estadual, conforma havia sido combinado.

“Vai faltar recurso, mas não só para o hospital do Lauro. Vai faltar para toda a Saúde publica do país. Esse é o grande problema”, declarou o verde, após a assembleia mensal dos prefeitos realizada ontem (5), no Consórcio Intermunicipal do ABC. “Onde estiver um pouquinho melhor vai sobrecarregar porque é SUS, é Sistema Único de Saúde. A pessoa tem o direito de ir lá buscar o atendimento”, completou.

Em entrevista coletiva concedida do Diário Regional logo após o segundo turno da eleição municipal e a vitória sobre o vereador Wagner Feitoza, o Vaguinho (PRB), Michels detalhou que já havia combinado tanto com o governo estadual, quanto com a gestão federal, a divisão dos custos de construção e custeio do equipamento. Cada ente federativo arcaria com um terço da obra e dos recursos para manter o funcionamento do hospital, por um período de três anos.

Segundo o verde, o novo equipamento está orçado em cerca de R$ 50 milhões.

A preocupação do prefeito é baseado no que chamou de “paralisia” do país. “O Brasil está parado. A gente não sabe o que vai acontecer, não sabe se o presidente (Michel Temer, PMDB) cai ou fica de pé. A cada semana muda um ministro, uma pessoa. O país não tem estabilidade, o que acaba prejudicando todo tipo de investimento, e a área da saúde é a que mais sofre, em todos os lugares”, explicou.

“Com as pessoas perdendo seus empregos e seus planos de saúde, a rede pública ficará sobrecarregada em todas as cidades. Onde tem um espaço, o cidadão vai procurar atendimento médico”, completou.

O prefeito de Diadema destacou que o Hospital Municipal – que funciona no bairro Piraporinha e será substituído pelo novo equipamento – tem capacidade para 600 atendimentos por dia, mas tem recebido diariamente 900 pessoas. “Foi projetado para atender um número menor de pessoas. Vai dar confusão, não tem espaço para o atendimento. É um prédio de 1967, não é de 2007”, relatou.

O verde revelou que, neste ano, o valor repassado pelo SUS para o custeio da Saúde na cidade deve totalizar aproximadamente R$ 77 milhões, o mesmo montante recebido em 2012. “Não é o mesmo dinheiro que a gente gasta. É uma vergonha o que está acontecendo no país, no Executivo federal e no Congresso. Enquanto não passar a vassoura em tudo e resolver o que vai fazer, o país vai girar atrás do rabo”, desabafou Michels, referindo-se à necessidade de revisão do pacto federativo, que estabeleça nova divisão de tributos e obrigações entre União, Estados e municípios.

Moeda

“A maior fatia do bolo tributário fica nas mãos da União. O município recebe uma moeda de centavo, o Estado recebe outra parte pequena da receita, e o governo federal fala como você tem de gastar o dinheiro, não deixa você fazer o projeto adaptado para sua cidade, para suas necessidades. Acaba ficando essa burocracia que emperra o país”, reclamou. “Os prefeitos perderam o poder de decisão nessa questão do direcionamento de recursos”, finalizou Michels.

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