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Michels quer ajuda de Doria para minimizar efeitos do fechamento de fábrica em Diadema

Michels quer ajuda de Doria para minimizar efeitos do fechamento de fábrica em Diadema
Michels: “Quero a ajuda do governador, que ele venha conversar com a Freudenberg”. Foto: Arquivo

O prefeito de Diadema, Lau­­ro Michels (PV), cobrou a ajuda do governador João Doria (PSDB) para minimizar a de­cisão da Freudenberg-NOK de fe­char a fábrica na cidade até outubro do próximo ano.

Em entrevista exclusiva con­cedida ao Diário Regional, o verde reivindicou do governador o mesmo empenho dispensado no caso do fechamento da uni­dade da Ford no ABC.

Desde o anúncio feito pe­la montadora em fevereiro de que encerraria as operações no bairro Taboão, Doria tem se empe­nhado pessoalmente na busca por um comprador pa­ra a planta. No mês passa­do, após a intermediação do gover­no do Estado, o Grupo Caoa anunciou a aquisição da fábrica e a preservação de 850 dos 2.700 postos de trabalho.

“Quero a ajuda do governador, que ele venha a Diadema conversar com a Freudenberg. Somos uma cidade menor e mais pobre, mas merecemos o mesmo tratamento”, disse.

A companhia comunicou a de­­cisão no último dia 4, mas Mi­chels afirmou que foi infor­mado há cerca de dois anos pela di­re­­ção da Freudenberg-NOK sobre o iminente fechamento da fábrica no município e sobre o ca­ráter irreversível da decisão.

Michels disse ain­da que ofereceu à fabricante de vedações o Programa de Incen­ti­vos Fiscais, que con­cede des­con­to em tri­bu­tos municipais a empre­­sas que se instalam ou inves­tem na cidade, mas a Freuden­berg não teria se interessado.

“Todo mundo já sabia (do fechamento), inclusive o sindi­cato. A Freudenberg-NOK sen­­­tou comigo aqui há dois anos. Seus diretores contaram a his­tória triste deles e anunciaram que deixariam o Brasil. A empresa es­tá se reorganizando mun­dialmente e a ideia deles é deixar o país, não deixar Dia­dema. É uma decisão da matriz”, afirmou o prefeito.

Na última ter­­ça-feira, o presidente do Sindicato dos Traba­lhadores das Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Afins da Grande São Paulo (Sintrabor), Marcio Ferreira, afirmou à reportagem que foi surpreendido pelo anúncio e que a Freu­denberg-NOK não deu sinais de que passava por problemas.

Michels disse ainda que o Programa de Incen­ti­vos Fiscais não sensibilizou a empresa. “O problema deles não é com a cidade. Trata-se de uma decisão estratégica de caráter global.”

Procurada, a Freudenberg-NOK informou, em nota assi­nada pelo presidente George Rugitsky, que “nunca participou de reunião com o prefeito”.

Fabricante de vedações pa­ra os setores automotivo e industrial, a Freudenberg-NOK argumenta que os investimentos realizados no país nos últimos anos não geraram o retorno necessário e informa que a produção local será subs­tituída por importações.

A transferência da pro­dução co­meça imediatamente e será concluída em outubro de 2020, quando o fornecimento da li­nha de produtos atualmente fabri­cada em Dia­dema “passará a ser feito a partir das mais de 60 plantas da empresa loca­lizadas ao redor do mundo”.

O desligamento dos cerca de 350 tra­ba­lhadores, por sua vez, ocorrerá a partir do segundo trimestre de 2020. A empresa prometeu ofere­cer um “Plano de Demissão Incen­tivada (PDI) e pacote de benefícios abrangente”.

REUNIÃO

O Sintrabor informou que, ontem, voltou a se reunir com os diretores da empresa a fim de negociar pacote de benefícios para os funcionários que perderão seus empregos com o encerramento das atividades.

Sobre o assunto, a Freudenberg-NOK informou apenas que a direção e o sindicato negociam os termos do PDI.

O sindicato vai informar os trabalhadores sobre o resultado da negociação durante assembleia marcada a próxima quarta-feira (16), às 14h, na portaria da fábrica. (Colaborou Angelica Richter)

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