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Meu corpo, minha tela. Eu decido!

Quebrando paradigmas, cada vez mais mulheres usam o corpo como tela para expressar a liberdade por meio de tatuagens
Scocco: “Enquanto muitas pessoas pintam quadros, minha arte está no corpo das pessoas. Andam por aí”. Foto: Arquivo Pessoal

Quebrando paradigmas, cada vez mais mulheres usam o corpo como tela para expressar a liberdade por meio de tatuagens

Encarada como grande tabu por longo tempo, a tatuagem vem se firmando cada vez mais como arte. Antes marginalizada, hoje é sinônimo de liberdade, de exteriorização de sentimentos, principalmente entre as mulheres. “Elas representam partes importantes da minha vida. Pessoas importantes e acontecimentos. Uso minha pele como uma tela”, afirma Renata Lazzarini Bosio Rodrigues, que fez sua primeira tatuagem aos 24 anos.

Quebrando paradigmas, cada vez mais mulheres usam o corpo como tela para expressar a liberdade por meio de tatuagens
Renata Lazzarini: “as tatuagens representam partes importantes da minha vida. Pessoas importantes e acontecimentos. Uso minha pele como uma tela

“Liberdade. Retomada da direção da minha vida.” Dessa forma é que Ana Carolina Souza, 52 anos, define suas tatuagens. Casada por 14 anos, mãe de três meninos, Ana afirma que sempre teve vontade de fazer tatuagens. “Fui casada por longo tempo com um homem que ditava o que eu tinha de vestir, meu corte de cabelo, a cor dos meus sapatos. Isso somado ao fato de que fui criada em uma família religiosa, em que tatuagem era vista como algo que só criminoso fazia. Após meu divórcio, apesar da vontade, evitei fazer porque no mercado de trabalho também há muito preconceito. Porém, ao fazer 50 anos, senti que era hora de jogar até mesmo os meus preconceitos no lixo. Nem pensei, entrei no estúdio e fiz minha primeira tatuagem. O sentimento foi maravilhoso. Era eu retomando meu corpo, minha alma, meu eu”, ressalta.

O sentimento é compartilhado por Renata Lazzarini. “Todas as minhas tatuagens têm um significado. A primeira foi a liberdade, minha formação na faculdade. As outras, início de novos ciclos em minha vida”, pontua, ao afirmar que tem sete tatuagens e não pretende parar.

Arte

O tatuador Igor Scocco Joaquim, da Barbearia Dom Jóra, afirma que nunca viu a tatuagem como “marginalização”, mas sim como arte. “Enquanto muitas pessoas pintam quadros, minha arte está no corpo das pessoas. Andam por aí”, destaca.

Scocco afirma que a maioria das mulheres que tatua são mães, esposas ou namoradas de seus clientes. “Apesar de hoje as mulheres estarem ocupando cargos e posições antes ocupadas somente por homens, grande parte de minhas clientes ainda vem por meio de seus familiares”, pontua.

Segundo Scocco, que tatua há mais de 15 anos, existe uma diferença entre os desenhos escolhidos pelas mulheres. “As mulheres são mais difíceis de agradar. Diferentemente dos homens, que buscam tatuar desenhos baseados em conquistas, as mulheres preferem os ligados a amor, amizade e família”, afirma.

Sem idade

Hoje, idade não é empecilho para fazer a primeira tatuagem. Ana Carolina afirma que no começo ficou preocupada com o que as pessoas iriam pensar. “Me passou pela cabeça, muitas vezes, o que as pessoas iriam dizer. Se me achariam velha demais para fazer uma tatuagem. Como meus familiares iriam reagir… Afinal, eu tinha 50 anos. Me desprender das amarras foi um processo de amadurecimento bem difícil. Hoje olho para trás e vejo que a insegurança era parte de uma vida que não era minha. Que me impuseram. Hoje sou livre.”

Scocco também destaca que tatuagem não tem idade. “Já tatuei muitas clientes acima dos 50 anos. A faixa etária das minhas clientes vão dos 18 aos aos 65 anos. ”

Onde encontrar: Igor Scocco Joaquim – Barbearia Dom Jóra, rua Princesa Maria Amélia, 200, São Bernardo. Telefone: 4121-8382.

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