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Mesmo na pandemia, preços de imóveis superam inflação oficial no ABC em 2020

Mesmo na pandemia, preços de imóveis superam inflação oficial no ABC em 2020
Para especialistas, setor imobiliário vive momento favorável. Foto: Arquivo

A crise econômica provo­cada pela pandemia de co­vid-19 não impediu a valorização dos imóveis residenciais no ABC. É o que mostra o índice FipeZap, levantamento realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Eco­nômicas (Fipe) com ba­se em anúncios publicados no portal Zap Imóveis.

De janeiro a setembro, os preços das moradias subiram aci­ma da inflação oficial acumulada no período em três dos quatro municípios da re­gião incluídos na pesquisa.

O levantamento mostra va­riações de 4,32% em Diadema, 2,22% em São Caetano, 1,57% em São Bernardo e de 1,06% em Santo André. No mes­mo período, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 1,13%, segundo estimativas de economistas compiladas pelo Boletim Focus, do Banco Central – o dado oficial de setembro só será divulgado nesta sexta-feira (9).

Na prática, os dados re­ve­lam alta real de 3,15% em Dia­dema, 1,08% em São Caetano e de 0,44% em São Bernardo. No sentido contrário, houve queda real de 0,07% em Santo André. Com isso, o preço médio pedido por me­tro quadrado no ABC atingiu R$ 6.275 em São Caetano, R$ 5.485 em Santo André, R$ 5.020 em São Bernar­do e R$ 4.999 em Diadema.

A expectativa era de que a desaceleração da atividade eco­nômica derrubasse a demanda por imóveis e, com isso, pu­xas­se os preços para baixo. Porém, não foi isso que aconteceu.

A pesquisa mais recente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) mostrou que, em agosto, as vendas de imóveis novos na Capital cresceram 46,3% em relação a julho e 35,0% ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 12 meses, a alta é de 17,1% – o que, no entender da entidade, sinaliza que o mercado já superou o patamar de vendas anterior à pandemia.

Na região, não há dados recentes sobre o setor. A última edi­ção da pesquisa realizada pe­­­­­­la Associação de Construtores, Imobiliárias e Adminis­­tra­do­­ras de Imóveis do ABC (ACIG­ABC) refere-se ao pri­meiro semestre do ano passado.

O coordenador do índice FipeZap, Eduardo Zylbers­tajn, entende que o setor vive momento favorável em função da redução dos juros do crédito imobiliário, que aumentou a capacidade de financiamento das famílias; e da mudança de comportamento por causa da pandemia. “As pessoas estão ficando mais em casa e repensando os aspectos de moradia, buscando mais conforto. Por isso, estão voltando seu interesse para o mercado imobi­liário”, disse.

“Quem investe sabe que a Selic baixa prejudica os rendimentos. Então recorre à segurança do imóvel. Além disso, os contratos de financiamento estão muito atraentes para quem deseja concretizar o so­nho da casa própria”, acrescentou o consultor em mercado imobiliário Rafael Scodelario.

Zylberstajn ponderou, no entanto, que cada cidade tem sua própria realidade e afirmou que, em regiões de vocação mais industrial, como é o caso do ABC, a recuperação da demanda por imóveis po­de demorar mais a ocorrer.

Em setembro, os preços dos imóveis variaram 0,59% em Di­a­dema, 0,35% em Santo André, 0,29% em São Bernardo e -0,09% em São Caetano, contra IPCA projetado de 0,43%.

TENDÊNCIA

O coordenador do índi­ce FipeZap afirmou que a tendência é de que as vendas e os preços mantenham a trajetória ascendente nos próximos meses. “O que pode mudar essa trajetória é uma eventual ruptura no ciclo de juros baixos ou a adoção, pelo governo, de alguma medida que eleve o risco do país, o que provocaria o aumento nas ta­xas do financiamento da casa própria”, disse Zylbers­tajn.

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