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Mesmo com a crise, práticas financeiras pioram e consumo consciente regride

Para o SPC Brasil, população piorou a maneira como lida com suas finanças. Foto: ArquivoNa crise, os brasileiros estão entrando mais no cheque especial e gastando acima do previsto em promoções, de acordo com pesquisa do birô de crédito SPC Brasil. A fatia dos chamados consumidores conscientes passou de 32%, em 2016, para os atuais 28%.

A variação fica dentro da margem de erro da pesquisa, que ouviu 607 pessoas entre os dias 5 e 17 de maio. Por isso, o SPC Brasil considera que não há diferença estatística em relação à sondagem divulgada no ano passado.

Porém, José Vignoli, educador financeiro do birô de crédito, reconhece que houve regressão, principalmen­te na maneira como o brasileiro lida com suas finanças.

“As práticas financeiras pioraram um pouco no país, enquanto achávamos que, com a crise, melhorariam”, afirmou Vignoli. “O que vimos foi que os consumidores negligenciaram as boas práticas financeiras.”

Algumas perguntas feitas na sondagem revelam essa piora. No ano passado, 84,7% diziam não recorrer ao cheque especial para fechar as contas do mês. Neste ano, essa fatia caiu para 72,3%.

Além disso, a parcela de consumidores que não gastava mais do que o previsto em promoções caiu de 80,6% em 2016 para 64,5% neste ano.

Para Vignoli, a falta de margem de manobra no orçamento familiar, com o desemprego em patamares historicamente altos no país (13,3% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ajuda a explicar essa piora nas práticas financeiras.

“As pessoas já fizeram os ajustes ou estão bastante apertadas. Não há política de educação financeira para explicar o melhor uso do crédito. Estamos em uma sociedade muito consumista, e as pessoas não conseguem simplificar seus hábitos”, explicou o especialista.

Outra pesquisa do SPC Brasil divulgada ontem retrata essa dificuldade. Segundo o levantamento, apenas 17% dos consumidores conseguiram poupar parte da renda em maio – três em cada quatro entrevistados não guardaram nada.

A abertura do indicador por faixa de renda revela que é nas classes C, D e E em que o problema surge com mais força. Oito em cada dez (79%) pessoas que se enquadram nessa faixa de rendimento não conseguiram poupar dinheiro. Nas classes A e B, a parcela de não-poupadores cai para 62% da amostra.

“Muitos consumidores só percebem a importância do hábito de poupar quando se confrontam com uma urgência. Desenvolver esse hábito é importante”, comentou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

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