Serviços, Turismo

Mergulho na natureza intocada em Alcatrazes

Mergulho na natureza intocada em Alcatrazes
Arquipélago chegou a
ser usado como local de tiro pela Marinha, mas foi transformado em unidade de conservação sob responsabilidade da ICMBio, que liberou o local para visitação, mergulho e contemplação de aves no ano passado. Foto: Reprodução Narwhal

Por três décadas, operado­res de turismo, visitantes e moradores do Litoral Norte de São Paulo precisaram se contentar em observar o Arquipélago de Alcatrazes de longe ou por fotos. Desde de­zembro de 2018, o conjunto de ilhas situado a 35 km da costa de São Sebastião se abriu para turismo náutico, contemplação de aves e mergulho.

O arquipélago é protegido pela segunda maior unidade de conservação marinha do Brasil, atrás apenas do Parque Nacional dos Abro­lhos. É composto de 13 ilha­s e se caracteriza pela vasta e rica biodiversidade. Há 1.300 espécies descritas de flora e fauna, das quais 20 endê­micas e quase 100 sob algum grau de ameaça de extinção.

Nas águas de Alcatrazes es­tá a maior quantidade de pei­xes do Sudeste do país, das mais variadas formas e cores, que lá encontram o ambiente ideal para crescimento e reprodução. O arquipélago também abriga o maior ninhal de aves marinhas do Atlântico Sul, com 8 mil delas vivendo no local, que é importante ponto de parada de aves oceânicas migratórias para descanso e alimentação.

Por mais de três décadas, a Marinha usou a ilha principal para fazer exercícios de tiro. Dentro de embarcações, os mi­litares miravam em alvos desenhados nas rochas.

No ano passado, a unidade de conservação ambiental foi liberada para visitação, que deve seguir regras estipuladas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão do arquipélago.

A visitação é operada so­mente por empresas auto­ri­zadas pelo ICMBio. Há uma relação no site www.icmbio.gov.br/refugiodealcatrazes.

O objetivo foi criar normas para minimizar os impactos do turismo em Alcatrazes e proporcionar experiência qualificada para o visitante. Os operadores de mergulho foram cadastrados e capaci­tados, e as embarcações autorizadas passaram por ade­quações para retenção total de resíduos. Assim, evita-se danos aos ambientes recifais.

Os vi­sitantes podem fazer mergulho autônomo e livre ou visita embarcada com mergu­lho de flutuação e observação de fauna marinha (aves, peixes, mamíferos e tartarugas). Não é cobrada taxa para ingresso no refúgio, mas não é permitido desembarcar – o que também não seria possível, já que as i­lhas não têm faixa de areia.

FESTIVAL

O ICMBio e a Prefeitura de Ilhabela promovem neste fim de semana o Festival de Aber­tura da Temporada de Mar e Mergulho, evento que marca o começo do período mais ade­quado para a prática de atividades náuticas na região.

Durante o evento, o Centro Histórico da Vila vai receber estandes de empresas de mergu­lho, cursos, equipamentos, do ramo náutico e esportivo, operadoras de turismo, órgãos públicos, ONGs, entre outras. Também estão programados seminários e discussões sobre educação ambiental, exposição fotográfica e shows. Um dos pontos altos da programação são as visitas ao arquipélago.

“O objetivo do festival é fomentar o desenvolvimento turís­tico do Litoral Norte tam­­bém nessa modali­dade tão tradicional na cidade”, co­men­­tou a secretá­ria municipal de De­sen­­­­vol­­vimen­to Econômico e Tu­­­­ris­­­mo, Bianca Co­­­­­le­­­pi­­co­lo.

 

Águas que circundam Ilhabela têm enorme vida marinha e ‘cemitério’ de navios

A prática de mergulho em Ilhabela é especial, pois as águas que circundam o local têm enorme diversidade de vida marinha. Além disso, ofe­recem tesouros culturais escondidos nos naufrágios ocor­ridos nos últimos séculos. Por isso, são frequentadas por mergu­lhadores de várias partes do Brasil e do mundo.

O mergulho em Ilhabela coloca os praticantes em um dos maiores cemitérios de navios do Brasil. Submersos em vá­rios locais da região há de­ze­­­nas de embarcações, entre carguei­ros, paquetes, pesqueiros, pe­troleiros e re­bo­cadores.

Há tragédias de grande re­percussão nacional e mundial, como a colisão do Príncipe de Astúrias, conhecido como o “Titanic Brasileiro”. O navio afundou em 1916, na Ponta da Pirabura, ao sul da ilha, vitimando centenas de passageiros e tripulantes.

Um dos locais mais procurados para o mergulho em Ilhabela é a Ilha das Cabras, que foi transformada em um santuário ecológico protegido por lei desde 1982, por meio da criação do Parque Municipal. Lá é proibido pescar, caçar ou retirar qualquer tipo de espécime. O local conta com enorme variedade de peixes e outros animais marinhos, além de estrutura para mergulho com locação de equipamentos e instrutores.

Quem não quer se aventurar em mergulhos profundos pode simplesmente curtir a beleza dos peixes, algas e corais em um mergulho livre. Com sorte, o visitante poderá nadar em companhia de uma tartaruga ou observar a tranquilidade de uma raia.

Pacuíba é frequentada por for­mandos dos cursos de mer­gulho para a cerimônia de “batismo”. Recebe ainda iniciantes, graças à geografia que oferece poucos obstáculos àqueles que estão começando a prática do esporte.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*