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Mercado ignora exterior e esbanja otimismo com perspectiva de vitória de Bolsonaro

O mercado tirou do horizonte qualquer tipo de cautela que poderia pautá-lo às vésperas da definição do novo presidente. Nem o dia negativo nos principais mercados de risco ontem (26) tirou o ânimo do investidor, que dá por certa a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT) amanhã.

O dólar recuou mais de 1%, rumo ao menor patamar de fechamento desde maio. A moeda americana cedeu 1,32%, para R$ 3,6550.
Considerada uma cesta 24 divisas emergentes, o real foi a que mais ganhou força ante o dólar ontem, enquanto 13 delas se desvalorizaram.
A Bolsa brasileira avançou 1,95%, completamente descolada do cenário externo, que foi de perdas expressivas.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, fechou a 85.719 pontos sustentado pelo desempenho de empresas estatais. As ações da Petrobras subiram quase 5%, as do Banco do Brasil e da Eletrobras avançaram cerca de 6%.

Nem mesmo o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira (25), azedou o humor do mercado.

Segundo o instituto de pesquisa, a vantagem de Bolsonaro sobre Haddad se reduziu em seis pontos, e agora o de­putado tem 56% da preferência dos eleitores, ante 44% para o petista, considerando apenas os votos válidos.

Analistas do mercado reforçaram que, apesar da diminui­ção da vantagem, uma virada de Haddad é pouco provável.

“Apesar de a queda de Bolsonaro se repetir em todas as categorias de sexo, idade, escolaridade, renda, religião e região, a probabilidade de uma virada a três dias da eleição é pequena”, escreveu o banco Fator em relatório.

“Viradas no segundo turno com essa distância nunca aconteceram”, disse a Guide.

Bolsonaro foi abraçado pelo mercado financeiro como o candidato viável e ao mesmo tempo disposto a pautar uma agenda de reformas conside­radas necessárias para o ree­quilíbrio das contas públicas.

O capitão reformado conseguiu arrebanhar o apoio adotando como guru o economista de viés liberal Paulo Guedes, que defende privatizações e a reforma da Previdência.

“Não vejo mercado radical­mente pró-Bolsonaro, vejo mais como antiesquerda”, disse Roberto Indech, da Rico Corretora.
Um executivo do setor ban­cário lembrou que a Bolsa brasileira é muito dependente do cenário político e que a vitória de Bolsonaro abriria período benigno para o mercado local de capitais. Para ele, porém, ambos os candidatos fariam acenos ao mercado para minimizar impactos à economia.

O cenário externo, porém, deve voltar a atrair preocupa­ções após a definição do cenário eleitoral. Entre o dia 5, véspera do primeiro turno, e ontem, o Ibovespa subiu 4,13%. No mesmo período, o índice S&P 500, um dos principais da Bolsa de Nova York, recuou quase 8%, retrato de como o otimismo eleitoral fez o mercado local ignorar pro­blemas externos. (

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