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Mauá aprova Plano de Mobilidade com dados de 2007

Na avaliação de professor Betinho, dados defasados não atrapalham estudo. Foto: ArquivoA Câmara de Mauá aprovou na tarde desta terça (29), em segunda votação, o Plano Municipal de Mobilidade Urbana. O documento que reúne mais de 200 páginas apresenta um diagnóstico da mobilidade no município e também sugere medidas que devem ser adotadas para melhorar o fluxo de passageiros e veículos. Chamou a atenção no texto o fato das diretrizes serem baseadas na pesquisa de Origem e Destino feita pelo Metrô em 2007, dez anos atrás, que não considera mudanças como a construção do Rodoanel.

Segundo o líder do governo, Roberto Rivelino Ferraz, o Professor Betinho (PSDC), o estudo vinha sendo elaborado há vários anos, por gestões anteriores. “Um plano bastante extenso, que teve início entre 2013 e 2014 e foi concluído no mês passado”, afirmou. Betinho justificou a aprovação do documento, mesmo com dados tão defasados – o plano também apresenta projeções populacionais de 2013 – pela pressa do governo em tentar obter recursos em Brasília.

Além de apresentar um panorama geral da mobilidade no município, como informações sobre as viagens feitas a pé, em transporte coletivo e privado, condições das paradas de ônibus, o plano também sugere intervenções que a administração deve fazer para melhorar a mobilidade como um todo, entre elas, construção de vias marginais à linha férrea, duplicação de corredores, duplicação de viadutos e construção de novos terminais de ônibus.

O plano resgata também uma ideia que já foi debatida há anos na cidade, a construção de teleféricos para as áreas com maiores declives, como a região do Zaíra. Nenhum dos projetos, no entanto, apresenta estimativa de custos, tão pouco indicação de onde a prefeitura poderia obter os recursos para financiar as obras. A falta dessas indicações, na opinião do líder de governo, não atrapalha a iniciativa. “Acredito que não prejudica porque o plano foi feito com uma empresa que se diz notória deste assunto e teve direta interlocução com os ministérios”, argumentou.

A falta desses dados, no entanto, foi apontada pelo vereador Marcelo de Oliveira (PT), único parlamentar a votar contra o projeto. “Não mostra de onde virão os recursos para as obras, como vai ser resolvido, por isso, não posso votar a favor”, justificou. Betinho argumentou que apenas para o estudo do teleférico já havia sido gasto, em gestões anteriores, R$ 1 milhão. “Não podemos pegar um estudo desse valor e simplesmente ignorar”, afirmou.

Prazos

Os municípios brasileiros têm até abril de 2019 para apresentar seus planos de mobilidade urbana. O prazo inicial, definido por meio de lei federal em 2012, era abril de 2015. Poucas cidades conseguiram apresentar os estudos a tempo e a data final foi adiada. O plano Avançar, do governo federal, disponibilizou recursos que podem ser utilizados para a elaboração dos planos.

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