Editorias, Mundo, Notícias

Matteo Renzi sai, e Itália busca formar novo governo

Matteo Renzi, premiê da Itália, renunciou oficialmente ao cargo na noite de ontem (7). Renzi, do Partido Democrático (centro-esquerda), já havia anunciado sua saída no domingo (4), após ser derrotado em um referendo para reformar a Constituição. Foi, no entanto, convencido pelo presidente italiano Sergio Mattarella a adiar o plano até a aprovação do orçamento de 2017.

O orçamento foi aprovado durante o dia pelo Parlamento, possibilitando sua saída. “Orçamento aprovado. Renúncia formal às 19h. Obrigado a todos e vida longa à Itália”, escreveu Renzi em um canal oficial, antes de seu encontro com o presidente. O ex-premiê também compartilhou numa rede social a fotografia de um papel com sua assinatura: “Ciao a tutti!!!” -adeus a todos, em italiano.

O presidente Mattarella deve iniciar hoje (8), às 18h (15h em Brasília), rodada de negociações com os principais partidos e nomear um novo premiê. O próximo gabinete pode ser formado nos próximos dias. Há pressão política para que o presidente Mattarella convoque eleições antecipadas. O pleito está originalmente previsto para 2018.

Algumas siglas, como o populista Cinco Estrelas, querem que as eleições sejam convocadas imediatamente. A pressa se deve aos planos de mudar a lei eleitoral, que hoje o beneficia. As regras atuais garantem a maioria parlamentar automática ao vencedor, mas o sistema deve voltar a ser proporcional antes de 2018. Renzi e aliados preferem, por sua vez, que a lei seja reformada e apenas então as eleições sejam antecipadas. A reforma pode ter sido concluída até o fim de janeiro.

Há rumores sobre possíveis nomes para substituir o premiê, incluindo os ministros Pier Carlo Padoan (Finanças), Paolo Gentiloni (Relações Exteriores) e Dario Franceschini (Cultura). Enquanto os próximos passos ainda estão por se definir, a União Europeia acompanha a Itália com ansiedade.

A crise política italiana pode abrir espaço para movimentos populistas como o antissistema Cinco Estrelas e o xenófobo Liga Norte. O Cinco Estrelas, em especial, questiona a integração europeia. Caso conquiste o poder, o partido poderia convocar um referendo sobre a permanência da Itália no bloco econômico -repetindo o “brexit”, a decisão britânica de sair da UE. Esse cenário ainda é, no entanto, distante. Além disso, o referendo votado no domingo não estava relacionado à UE e não pode, assim, servir de medida da aprovação popular ao bloco.

Renzi havia convocado referendo para reformar a Constituição italiana. Durante a campanha ameaçou renunciar ao cargo caso a mudança não fosse aprovada pela população no domingo (4) – o que ocorreu. A reforma previa, entre outras medidas, o esvaziamento do Senado. O número de senadores passaria de 315 a 100, sem eleição direta, e a Casa não poderia mais aprovar leis salvo exceções.

Renzi: “renúncia formal às 19h. Obrigado e vida longa à Itália”. Foto: Tiberio Barchielli/ Palazzo Chigi

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*