Política-ABC, São Bernardo do Campo, Sua região

Marinho desafia MP a provar desvio de verba em obra de museu

Marinho: “Estou deixando a cidade muito melhor do que a encontrei”. Foto: Nilson Sandre/PMSBC

A dez dias de encerrar seu segundo mandato, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), desafiou o Ministério Público a provar suposto desvio de R$ 7,8 milhões nas obras do Museu do Trabalhador, que encerra com muita polêmica sua passagem pe­­lo Executivo municipal.

“Desafio qualquer um a provar que tem R$ 7,8 milhões de desvio (nas obras do museu). Isso não corresponde à verdade”, afirmou o petista, durante entrevista coletiva concedida ontem (20) no Paço, na qual fez balanço de seus oito anos de governo.

Na última terça-feira, ação deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) resultou na prisão temporária de dois secretários do governo Marinho – Osvaldo de Oliveira Neto (Cultura) e Alfredo Luís Buso (Obras) – por envolvimento em suposto desvio de R$ 7,9 milhões em verbas públicas pa­ra a construção do museu.

Além disso, as obras – que já duram quatro anos e meio – foram embargadas.

Marinho também negou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político, tenha encomendado o museu. “Lula nunca encomendou nada. O projeto e a encomenda é minha, porque precisamos contar a história dos trabalhadores de São Bernardo”, garantiu o petista, ao reafirmar que a prefeitura é a principal interessada na investigação do caso.

Sucessor de Marinho no comando do Paço, o prefeito eleito Orlando Morando (PSDB) afirmou que pretende mudar o projeto e transformá-lo em uma Fábrica da Cultura, programa do governo do Estado.

Drenar

Ao comentar as obras do projeto Drenar, de combate às enchentes, Marinho atribuiu o atraso na conclusão do piscinão do Paço à crise econômica e à demora nos repasses do governo federal.

Segundo o petista, o Mi­nistério das Cidades deve R$ 57 milhões em repasses para o equipamento, dos quais R$ 21 milhões foram cobertos pelo tesouro municipal e o restante, adiantado pelas construtoras. Segundo o prefeito, se os recursos forem liberados, a obrar pode ser entregue em abril.

Marinho também voltou a cobrar o compromisso assumido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) de encaminhar R$ 50 milhões para a obra. “Sem esse dinheiro, o piscinão será concluído, mas vai faltar o tamponamento (cobertura). Espero que, agora, com a proximidade com o prefeito eleito, o governador honre seu compromisso.

Marinho disse não se sentir frustrado por deixar obras para seu sucessor inaugurar e acredita entregar cidade melhor do que herdou, em 2009. “Não é demérito deixar obra para outro prefeito concluir.”

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