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Marcelo Oliveira: ‘não podemos nos omitir diante do quadro desalentador que vivemos em Mauá’

Marcelo Oliveira encabeça chapa do PT ao Executivo mauaense e tem como candidata a vice Celma Dias, ex-secretária de Promoção Social. Foto: Edu Guimarães/Divulgação
Marcelo Oliveira encabeça chapa do PT ao Executivo mauaense e tem como candidata a vice Celma Dias, ex-secretária de Promoção Social. Foto: Edu Guimarães/Divulgação

No último final de semana o PT oficializou a candidatura do vereador Marcelo Oliveira ao Executivo de Mauá. O petista vai contar Celma Dias, ex-secretária de Promoção Social nos governos de Oswaldo Dias (PT), como vice. Em entrevista ao Diário Regional, Oliveira afirmou que a situação caótica da cidade o levou a disputar a prefeitura este ano. “Não podemos nos omitir diante de um quadro tão desalentador quanto ao que vivemos em Mauá hoje.”

O que o motivou a tentar o Executivo este ano, após três mandatos como vereador?

Como filho de migrantes nordestinos, quero ajudar retribuindo tudo aquilo que a cidade proporcionou à minha família. Foi em Mauá que meus pais se casaram, conseguiram trabalho e conquistaram o sonho do direito à moradia. A situação caótica da cidade é outro grande motivo que nos orienta na luta por dias melhores para Mauá e não podemos virar as costas para o problema. Precisamos resgatar a cidade do abandono em que se encontra. Não podemos nos omitir diante de um quadro tão desalentador quanto o que vivemos em Mauá hoje.

O motivo principal que tem nos levado a disputa pelo Executivo é o desespero do povo quando chega numa Unidade de Saúde e não encontra médicos e nem medicamentos, quando uma mãe chega numa escola ou creche e não encontra vagas para seus filhos ou ainda, o desespero do desemprego, um dos piores problemas que um ser humano pode enfrentar. É necessário sensibilidade e respeito com as necessidades e demandas da população, sobretudo a população mais carente e necessitada da oferta de serviços públicos de qualidade.

O que motivou a escolha de uma mulher para vice?

O processo de escolha foi bem tranquilo. Com a iniciativa do Oswaldo Dias de abrir mão da pré-candidatura, a executiva do PT de Mauá se reuniu e decidiu pelo nome da Celma Dias. Mulher batalhadora e guerreira, com uma trajetória inquestionável de atuação na assistência social da cidade. Essa área se transformou, pois, encerrou a política pública de amontoar jovens em cursos que, embora trouxesse ganhos individuais, não irradiava tais conquistas para as famílias. Ao final de 2012, quando se encerrou a gestão de Celma Dias à frente das ações de promoção social, Mauá chegou a oito CRAS ( Centro de Referência em Assistência Social) e sete Centros de Ações Sócio Educativas (CASES), consolidando a implementação do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), bem como realizando o alinhamento de nossa política de assistência social ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e que representa o legado do melhor prefeito que Mauá teve, que infelizmente não houve uma continuação.

Mauá viveu um cenário de incertezas com a prisão do prefeito Atila Jacomussi (PSB).

Mauá está vivendo um dos momentos mais tristes da sua história, se não o mais triste. A administração que, desde 2017, deveria se preocupar em cuidar dos trabalhadores e trabalhadoras de nossa cidade, nos envergonhou por estampar as manchetes em páginas policiais com as acusações de desviar di­nheiro da merenda, escondendo valores em panela de pressão e ar-condicionado. Tenho dúvidas até que ponto é justo, um prefeito que foi preso duas ve­zes durante o mandato, estar na corrida eleitoral. No entanto, cabe à Justiça decidir. Nosso trabalho independe disso.

Como analisa o cenário político na cidade e no ABC?

O Brasil como um todo está vivendo um momento de­primente. Enfrentamos uma pandemia, tendo como presidente um genocida, despreparado que só se importa com a própria família e brincar de go­vernar. Tudo isso tem refletido na região e em Mauá não é diferente. O que as pessoas devem ter em mente é que não se pode perder a esperança e que é buscar a mudança que acreditam.

Como vê a participação do PT nas eleições deste ano em Mauá e no ABC?

O PT está passando por uma fase de reconstrução. Em 2016, pela primeira vez não fez nenhum prefeito desde a fundação do partido. Porém, hoje vemos que, principalmente, Mauá clama por gestões sérias como foram as três do professor Oswaldo Dias. Sem cascatas, sem fanfarronices de prefeitos envolvidos em esquemas de desvio de verbas públicas que deveriam ser destinadas à merenda das crianças, ou então a um hospital de campanha para dar o suporte necessário para a cidade em meio a uma grave pandemia. Chegou a hora de resgatar e fazer Mauá e o ABC voltarem a se desenvolver na economia e no social.

O sr. traz para sua campanha as realizações do Oswaldo dias.

Oswaldo Dias é um pa­trimônio não somente do PT, mas com certeza um pa­trimônio da política de Mauá. A cidade pode ser dividida em dois períodos distintos, um antes e outro depois dos governos do Oswaldo e temos muito orgulho disso. Não é possível destacar apenas uma ou outra coisa das gestões do Oswaldo, pois, enquanto prefeito, rea­lizou obras e ações em praticamente todas as esferas da administração e da cidade.

Dentre as mais importantes podemos destacar a construção de 22 escolas de educação infantil, 3 Unidades de Pronto Atendimento (UPA), do SAMU, obras de revitalização do centro, a integração do transporte público, piscinões, Rodoanel, a vinda de instituições de ensino superior para a cidade, urba­nização do Oratório e tantos outros bairros, além de muitas outras realizações que nos ins­piram a lutar por uma cidade melhor depois do desastre Atila Jacomussi.

Preocupa um eventual go­verno no pós-pandemia? Qual cidade o próximo prefeito vai ter de administrar?

A pandemia é mais uma parte do grande desafio que é administrar uma cidade com as características de Mauá e a luta contra o coronavírus é parte desse desafio. Quanto à cidade que vamos encontrar, tenho certeza de que o cenário é o pior possível, uma vez que a atual gestão, irresponsável e desconectada com a realidade contábil da cidade, não tem honrado os compromissos assumidos e nem respeitado os contratos com fornecedores e prestadores de serviço. Infelizmente, sabemos que o próximo prefeito vai encontrar terra arrasada, dívidas e um rombo nos cofres públicos jamais verificados antes na história de Mauá.

Como vê a atuação dos governos municipal, estadual e federal nesta pandemia?

Em cada uma das esferas representadas pelos governantes (Atila Jacomussi, João Doria e Jair Bolsonaro) vejo que a atuação dos três caminharam no mesmo sentido: do desrespeito com a vida, da má gestão dos recursos e da omissão para com um problema tão sério.

O sr. teve covid-19. O que trouxe essa experiência na vida pessoal e na vida política?

Primeiramente, agradeço a Deus por ainda estar vivo e li­berto dessa terrível doença e aos grandes profissionais da saúde, que com sua dedicação, empenho e trabalho tem ajudado milhares de pessoas na luta contra o covid-19. Essa terrível experiência certamente tornou-me um homem melhor, mais equilibrado, paciente e sensível aos problemas humanos.

O sr. buscou a participação da população na elaboração do plano de governo. Como foi essa experiência?

Foi muito importante essa participação popular. Um plano de governo quando é construído com a participação popular, tem a força das demandas da população pois é ela quem co­nhece os problemas e pode nos apontar as soluções. Claro que, em razão da pandemia, essa construção se deu por meio das redes sociais e continua tendo a participação de grande número de pessoas e de diversos segmentos.

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