Mauá, Política-ABC

Marcelo Oliveira diz que prioridade de seu governo será ‘reconstruir Mauá’

Marcelo Oliveira diz que prioridade de seu governo será 'reconstruir Mauá'
Marcelo Oliveira foi eleito no segundo turno ao derrotar o prefeito Atila Jacumussi. Foto: Divulgação

O prefeito eleito de Mauá, Marcelo Oliveira, considera a “reconstrução da cidade” a principal tarefa de sua gestão, que recolocará o PT no comando do Executivo maua­ense após quatro anos de hia­to. Para o vereador, o grupo do atual chefe do Paço, Atila Jacomussi (PSB), derrotado no segundo turno, mergu­lhou o município no “caos e na instabilidade”. “Nossa tarefa central será a reconstrução de Mauá desde o primeiro dia de mandato”, afirmou, em entre­vista ao Diário Regional.

Como primeira medida de seu governo, o petista encaminhará à Câmara projeto de reforma administrativa que visa reduzir o tamanho da maquina pública municipal, que considera inchada. “Nes­tes tempos difíceis, temos de fazer mais com menos”, disse Oliveira, que espera encontrar as finanças da prefeitura comprometidas, em função da perda de recei­tas decorrente da pandemia de covid-19 e do que considera “péssima gestão do dinheiro público pelo atual prefeito”.

O combate à pandemia se­rá também uma das prioridades de sua gestão. “Vamos lutar junto aos governos fe­deral e do Estado por mais verbas para a Saúde, tendo em vista uma possível segunda onda da covid-19”, afirmou o petista, para quem divergências de ordem política não devem ser empecilho para estreitar as relações com os demais entes federativos.

“As relações entre municípios, Estados e a União não podem ficar à mercê das questões políticas e devem obedecer a critérios republicanos. Esperamos que tanto o governador João Dória (PSDB) como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) respeitem as demandas da população de Mauá e possam ajudar a cidade”, comentou.

O petista reconheceu que tanto sua eleição como a de José de Filippi Júnior em Dia­dema carregam forte simbolismo, já que, com ambos, o PT voltará a governar cidades do ABC. Porém, entende que a responsabilidade de admi­nistrar municípios tão importantes se sobrepõe à missão partidária. “Do ABC despontaram para a política nacional grandes quadros do partido e as primeiras experiências administrativas do PT. Porém, reafirmo que nossas nossos principais desafios, tanto em Mauá como em Diadema, são recolocar a casa em ordem e governar para o povo.”

Oliveira também destacou a preocupação com a geração de postos de tra­balho e com o desemprego, que cresceu com a pandemia. “É preciso recuperar os polos industriais de Capuava e Sertãozinho e atrair novos empreendi­mentos”, avaliou. Leia nas páginas seguintes os principais trechos da entrevista:

A que se deve a vitória do PT após o hiato de quatro anos do partido do comando de Mauá?

Em primeiro lugar, ao reconhecimento do povo de Mauá ao legado construído durante os governos petistas na cidade, em especial nos mandatos do prefeito Oswaldo Dias. Também, infelizmente, ao caos político e à instabilidade causada pelo grupo do atual prefeito (Atila Jacomussi, PSB), cujo mandato foi interrompido em duas oportunidades com a detenção do chefe do Exe­cutivo. A população de Mauá refletiu, comparou e percebeu as diferenças entre o atual e nossos governos, nos quais Mauá conheceu seu melhor momento, completamente di­ferente do que vivemos ho­je. Nossa tarefa central será a união da cidade e a recons­trução de Mauá desde o pri­meiro dia de mandato.

Como vê a responsa­bilidade de o Sr. e José de Filippi Júnior, em Diadema, serem os únicos prefeitos petistas na Grande São Paulo, que já foi chamada de cinturão vermelho?

Independentemente das questões partidárias, nos­sa responsabilidade na con­dição de prefeitos de duas importantes cidades é muito grande. Claro que o retorno do Partido dos Trabalhadores, ao comando dessas cidades no berço dos movimentos operários do ABC tem forte simbolismo, uma vez que daqui despontaram para a política nacional grandes quadros do partido e as primeiras experiências administrativas do PT. Porém, reafirmo que nossas tarefas e nossos principais desafios, tanto em Mauá como em Diadema, com o prefeito Filippi, são recolocar a casa em ordem e governar para o povo, para aqueles que mais precisam.

Quais serão as primeiras medidas a serem adotadas em 1º de janeiro?

Vamos levantar o recesso (parlamentar) para iniciar o debate sobre uma reforma administrativa cujo intuito é o enxugamento da máquina administrativa. Nestes tempos difíceis, temos de fazer mais com menos. Temos problemas em todas as áreas, mas creio que duas, especificamente, mereçam atenção especial neste primeiro momento: a de Saúde, por conta do novo avanço da covid-19, e a da geração de empregos.

Como o Sr. acredita que será a relação com a Câmara, já que, no primeiro momento, terá minoria na Casa?

Tive três mandatos na Câmara e sei da importância em respeitar e manter a independência entre os poderes. Já iniciei diálogo com vereadores eleitos, e aqui quero reforçar que, infelizmente, nós não conseguimos ele­ger uma só mulher para o Legis­la­tivo. Vamos conversar com todos eles, independen­temente de cor partidária ou do candidato a prefeito que defenderam nos dois turnos da eleição. A relação com a Câmara será de respeito.

As finanças da cidade são preocupação, tendo em vista a perda de receita por conta da pandemia e a perspectiva de gastos ainda elevados com saúde devido à possível segunda onda?

Sem dúvida. Vamos fazer um levantamento da atual situação financeira do município, que sabemos ser muito complicada em decorrência da péssima gestão do prefeito Atila, e elencar as prioridades com os poucos recursos que temos. É importante salientar que, além da perda de receita por conta da pandemia e da péssima gestão do dinheiro público pela equipe do atual prefeito, sofremos também processo de retração econômica causado por fatores internos e externos.

Entre os fatores internos figuram o abandono e o sucateamento de nossos polos industriais de Capuava e Sertãozinho, que afugentaram empresas e empregos de Mauá. Os externos resultam da política econômica nacional implementada pelo governo (do presidente Jair) Bolsonaro (sem partido), que quebrou nossas indústrias, com impactos negativos para municípios como Mauá. Vamos lutar junto aos governos federal e do Estado por mais verbas para a Saúde tendo em vista a perspectiva de aumento dos gastos devido à possí­vel segunda onda da covid-19.

O Consórcio Intermunicipal divulgou, no início deste mês, que Mauá tem a maior taxa de ocupação de leitos de covid-19 da região. Essa situação preocupa? Quais medidas pretende adotar na área da Saúde assim que assumir?

A gestão dos recursos des­tinados ao combate à covid-19 foi desastrosa. O atual prefeito deve ser responsabilizado pelo número de infectados e vitimados pela doença na cidade. A situação sempre nos preocupou porque Mauá não fez a lição de casa nas políticas públicas de combate à disseminação da doença. Ao contrário, o prefeito é investigado por irregularida­des na gestão do dinheiro do hospital de campanha.

O desemprego é realidade por conta da pandemia. Como o Sr. pretende fomentar a geração de postos de trabalho?

Como dito anteriormente, além da perda de receita por conta da pandemia e da péssima gestão do prefeito Atila, que afastou empresas e fez a cidade perder postos de trabalho, sofremos também processo de retração econômica causado por outros fatores locais e pelos caminhos tomados na política econômica do governo Bolsonaro, que promove o desemprego e a destruição do capital produtivo brasileiro, impactando di­retamente os municípios.

Nesse sentido, é preciso recuperar os polos industriais de Capuava e Sertãozinho e atrair novos empreendimentos. Vamos trabalhar pa­ra efetivar as propostas da central de abastecimento de alimentos, do polo de cosméticos, farmacêutico e de combustíveis, e em outras frentes para tirar Mauá da crise, gerar empregos e atrair empreendimentos e investidores. Queremos aproveitar a capacida­de da mão de obra disponí­vel na cidade e seu potencial de crescimento econômico, por sua proximidade com a Capital e com o Porto de Santos, por meio do Rodoanel, e outros atrativos.

Existe algum plano antienchentes engatilhado, já que estamos entrando no pe­ríodo de chuvas de verão?

O atual governo não fez qualquer preparação pa­ra conter problemas de en­chentes ou encostas. Temos um tempo muito curto, mas precisamos correr para evitar tragédias de janeiro em diante, quando começa a época de chuvas fortes. Estamos montando tudo e acertando o que podemos para, quando chegarmos à prefeitura, tenhamos tempo para impedir problemas.

Como vê o momento do Consórcio Intermunicipal ABC? Como será a parti­cipação de Mauá no colegiado em sua gestão?

O Consórcio completará em breve 30 anos de existência, resultado da união dos sete municípios para cons­truir alternativas e soluções comuns aos problemas relacionados a questões como mobilidade urbana, tratamento de lixo e enchentes, que devem ser resolvidos por meio de estratégias pensadas e implementadas de forma coordenada entre os muni­cípios. O Consórcio deve ser fortalecido e aperfeiçoado em sua tarefa de construtor e coordenador das soluções para os problemas comuns aos sete municípios, produzindo diagnósticos e estratégias de desenvolvimento econômico e social para a região. A participação de Mauá segue a premissa estabelecida em um dos fundamentos da existência da própria instituição, que é a de consolidar um modelo de governan­ça integrada entre as cidades participantes na busca pela melhoria das condições da população da região.

O Sr. pretende estrei­tar relações com o go­verno do Estado? Acredita que haverá dificuldades para obter apoio em função de divergências políticas?

Nossas relações com os governos do Estado e fede­ral obedecerão a critérios de ordem institucional, tanto na parte política quanto na busca de recursos para áreas como Saúde, educação, infraestrutura, esportes e cultura. As relações entre municípios, Estados e a União não podem ficar à mercê das questões políticas e devem obedecer a critérios republicanos. Esperamos que tanto o governador João Dória (PSDB) como o presidente da República respeitem as demandas da população de Mauá e possam ajudar a cidade com recursos e re­passes após a desastrosa ges­tão Atila Jacomussi. Os recursos estaduais e fe­de­rais serão bem-vindos.

2 Comentários

  1. Espero que arrumem o asfalto da cidade que em suas periferias está um lixo.

  2. Espero que também arrumem o asfalto da cidade que em suas periferias está um lixo.

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