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Manifestantes a favor de intervenção militar invadem plenário da Câmara

Sobre a mesa da Câmara, gritavam “viva Sergio Moro” e “queremos general”. Foto: Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados

Cerca de 50 manifestantes a favor de uma intervenção militar invadiram o plenário da Câmara na tarde de ontem (16). O grupo quebrou a porta de vidro do plenário e interrompeu a sessão presidida pelo primeiro vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA).

Do alto da Mesa da Câmara, gritam “viva Sergio Moro” e “queremos general”. Houve empurra-empurra com seguranças. “Estão todos loucos, e tem gente armada aí dentro”, afirmou o deputado Beto Masur (PRB-SP), primeiro-secretário da Câmara, que estava negociando com os manifestantes. “Tem muita gente drogada e tem gente armada sim”, disse o deputado Julio Delgado (PSB-MG).

Parlamentares que estavam no plenário da Câmara no momento da invasão foram orientados pela polícia da casa a deixar o local porque alguns manifestantes estariam armados. De acordo com o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), a sessão de ontem estava em curso quando os manifestantes quebraram a porta de vidro.

O democrata afirmou que no momento que os manifestantes entraram o tablet de um parlamentar caiu no chão e o servidor que se abaixou para pegá-lo foi chutado. “É uma situação absurda, que nunca vi no Parlamento. Não acredito que neste primeiro momento haja abertura para uma saída pacífica”, destacou. O deputado disse que a bandeira do Brasil que fica no plenário foi arrancada e jogada no chão.

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) foi orientada a deixar o plenário. A tucana disse que, além da presença de um general, os manifestantes passaram a cobrar a presença do presidente Michel Temer. “Estão chamando o presidente dizendo que é o povo quem manda e xingando os deputados”, disse.

Rodrigo Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ter determinado a prisão de todos os manifestantes. Maia classificou o grupo de “baderneiros irresponsáveis”. Os manifestantes começaram a deixar o plenário às 17h20. Alguns saíram pelo cafezinho do plenário na companhia de deputados. Outros foram conduzidos por policiais legislativos.

A reportagem conversou com algumas dos participantes do ato. “Vim de Curitiba defender o juiz Sergio Moro e a Lava Jato”, disse Luciana Fontana, 48, “desempregada graças à roubalheira que esse governo fez com esse país”.

Ao lado dela, Ivan Cunha, 61, que se diz “empresário falido”, afirmava que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), busca enterrar as investigações contra a corrupção e que o governo roubou as estatais. A também desempregada Leonice Neves, 59, dizia estar ali para defender policiais mortos em São Paulo e no Rio. “Pelo direito dos ‘manos’, ficam soltando os bandidos”, afirmou, também se dizendo do Movimento Patriótico Militar. Ao lado dela, uma mulher que se identificou como Simone afirmou que o objetivo do grupo é acabar com esse “governo comunista”.

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