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Major Olimpio: ‘acredito no valor dos brasileiros para reerguermos o país’

Por Guri do Planalto/ Grupo Gazeta SP

Major Olimpio: ‘acredito no valor dos brasileiros para reerguermos o país’
Major Olimpio: “95% da população quer a prisão após 2ª instância e uma boa parte do Congresso empurrando com a barriga”. foto: Arquivo/Agência Brasil

Sergio Olimpio Gomes, mais conhecido como Major Olimpio, é paulista de Presidente Venceslau. Ingressou na Polícia Militar em 1978 É bacharel em ciências jurídicas e so­ciais, jornalista, professor de educação física, técnico em defesa pessoal, instrutor de tiro e autor de livros voltados para a questão da segurança. Eleito deputado estadual em 2006 e 2010. Já em 2015 assumiu seu primeiro mandato como deputado federal, após ser eleito no pleito de 2014 com 179.196 votos. Já em outubro de 2018 foi eleito o senador mais votado de todo o Brasil somando mais de 9 milhões de votos.

Em 2019, seu primeiro mandato no Senado se destacou na frente de importantes pautas para o crescimento do Brasil e na luta contra a corrupção. Com isso, foi eleito por votação popular como o Melhor Senador do ano no Prêmio Congresso em Foco. Alcançou mais de 37 mil votos na internet, e levou a primeira colocação como o senador que melhor representa a população. Na mesma linha, foi eleito pela internet também como um dos principais parlamentares na categoria “Clima e Susten­tabilidade”. Com esse entusiasmo, recebeu a este colunista para um bate papo.

Como o senhor avalia o seu primeiro ano no Senado e qual a diferença do mandato da Câmara dos Deputados?

Acho que foi bastante produtivo. Aprendi muito. Foi o primeiro ano no Senado, e é muito diferente da Câmara. A Câmara tem um volume maior de parlamentares, são 513, e é muito difícil você fazer tramitar e ter relatoria de projetos, além de conseguir se manifestar em plenário e nas comissões. O Senado é uma Casa que tem 81 senadores, então é possível que a gente se expresse mais, relate mais projetos. Enfim, aprenda mais. Tivemos projetos de muita relevância esse ano como o da Nova Previdência, que nós aprovamos, tivemos também o da Previdência dos Militares Fe­derais, com a inclusão dos policiais e bombeiros militares de todo o Brasil.

Fizemos avançar pautas bastante significativas na segurança pública com partes do pacote anticrime, alteração na legislação de drogas, permitindo o perdimento de bens utilizados na prática de tráfico de drogas. Sem a menor dúvida interferimos de forma decisiva, a fim de fazer valer a condição do mandato para cobrar insistentemente do governador compromissos que ele assumiu na campanha, e até depois de eleito, e não cumpriu entre eles a área da segurança pública. Além disso, fiz um apoiamento integral aos projetos e ações do governo Bolsonaro. O balanço que eu faço desse primeiro ano é que ele foi bastante efetivo. Acredito no valor dos brasileiros para reeguermos o país.

Onde o Congresso foi bem e onde foi mal?

Momentos ruins vejo muitos. O Congresso foi se omitindo por razões absurdas. Segundo pesquisa, 95% da população quer a prisão após 2ª instância e uma boa parte do Congresso empurrando com a barriga. Grandes líderes estão mais preocupados em se proteger e proteger apaniguados políticos, criminosos de colari­nho branco, e estão impedindo que o Congresso vote isso. Já um bom momento foi o término da Reforma Previdenciária, principalmente da malha de proteção dos militares federais com a inclusão dos bombeiros e policiais militares, vejo como o momento mais feliz.

Qual foi o principal projeto que o senhor apresentou nesse primeiro ano no Senado?
Apresentamos inúmeros projetos, para não falar apenas de segurança pública, eu apresentei um projeto de cunho mais humanitário, tornando a doação de órgãos e tecidos como sendo de consentimento presumido. Ou seja, caso a pessoa maior de 16 anos não se manifeste contrária à doação, ela é automaticamente conside­rada doadora. Hoje para você ser doador de órgãos é preciso uma manifestação em vida. Eu peguei a semelhança de vários países do mundo, por exem­plo, a Áustria, e apresentei o projeto pedindo essa inversão. Pelo caráter humanitário, e de apoio à saúde, se nós conseguirmos votar esse projeto milhares de vidas serão salvas porque alguém que se coloca como doador pode ajudar 50 pessoas que necessitam de doação.

Como o senhor avalia o primeiro ano de governo Bolsonaro?

A minha avaliação é positiva, por mais que tenhamos algumas “caneladas”, como diz o próprio presidente em algumas circunstâncias. O presidente se propôs e apresentou o projeto de Reforma Previdenciária bastante arrojado, que tinha uma previsão de economia de R$ 1,2 trilhão, chegou a R$ 800 bilhões, mas com a PEC Paralela poderemos chegar ao valor pretendido. Há uma sinalização de uma recuperação econômica no país. Estamos chegando aos últimos dias do ano e não temos nenhum episódio de corrupção praticado dentro do governo. Não vou dizer que não poderá acontecer, mas, se acontecer, como já disse o presidente, nós vamos pedir a cabeça do sujeito e botar na cadeia, não tem conversa. O pacote anticrime, uma das bandeiras principais do presidente, também tem avançado. Então eu vejo, dentro das possibilidades, um ano bastante efetivo.

Na sua opinião, qual o principal problema do estado de São Paulo?

O governador que tem. O primeiro ano de mandato de Doria foi péssimo. Se diz gestor, mas um bom gestor tem 90% de realização e 10% de publicidade. É ao contrário: 90% de publicidade e 10% de realização.
Recentemente, o governador João Doria (PSDB) chamou policiais aposentados de vagabundos. Qual seria a sua resposta para o governador?
Olha, a situação foi muito lamentável. Teve um verdadeiro descontrole porque policiais militares foram cobrar compromissos que deveria honrar. Foi uma atitude muito covarde e lamentável. Digo covarde porque foi para pessoas que não poderiam responder. Diria que quem trabalha a vida toda para defender a sociedade, podendo ser baleado e ferido, ser chamado de vagabundo por um sujeito com esse perfil, é uma coisa lamentável.

Como o senhor faz para manter o contato com a população do estado de São Paulo?

Ando pelas cidades o máximo que eu posso. Digo o máximo, porque eu tenho a atividade muito intensa em Brasília, pois participo de muitas comissões, e tento estar presente em várias outras atividades, como atos em outros estados. Porém, todo o tempo que me resta eu fico em contato com a população. Também tenho um significativo número de pessoas que me acompanham nas redes so­ciais: Facebook 1 milhão e 400 mil pessoas, 320 mil no Twitter e 620 mil no Instagram, além disso, vou pedindo aos meus multiplicadores para levar as minhas ações e as minhas manifestações. É o que eu posso fazer.

Qual o principal ensinamento que o se­nhor trouxe da carreira militar para a política?

Tentar fazer o que aprendi na vida policial militar, trazer os meus valores para a política. Infelizmente a política brasileira é feita em cima da mentira, de manobras, de falsear com as coisas. Tenho compromisso maior com a população e me lembro disso o tempo todo. Na dúvida, eu penso no povo.

O que o senhor mais sente falta da polícia militar?

A lealdade dos amigos, a camaradagem verdadeira. A política é um ambiente de maior falsidade.

Qual o seu maior sonho?
Ver um Brasil melhor. Acho que é o sonho de todos nós. A nossa expectativa é que os nossos filhos, os nossos netos possam ter um Brasil melhor.

O Brasil tem jeito?

Tem. É difícil mas tem. O Brasil passou a ser o país do jeitinho, dos espertos, da impu­nidade, mas aos poucos, alguns estão indo para a cadeia e os espertos estão se dando mal. A população está acordando.

Quais as expectativas para o próximo ano?

A expectativa é geral, de ter um ano de luta. Vamos ter uma pauta muito intensa. Nós temos milhões de pessoas desempregadas, saúde deficiente e uma educação que ainda não encontramos uma forma de financiamento adequado para ela. Um país onde o crime ainda compensa, muita gente sendo executada e patrimônio sendo roubado. As mulheres ainda sendo, infelizmente, vítimas de violência. Então, a nossa luta tem que ser de forma global, não adianta tentar enfrentar apenas um problema pois nós temos muitos e muito grandes.

Quem é major Olimpio?

Um brasileiro que ainda acredita no Brasil, nos bons valores e vai continuar lutando até onde der.

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