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Mais de 200 cidades vão participar de tratoraço contra alta do ICMS em São Paulo

Conti, Holanda e Chris Morais: “a população tem de entender que sofrerá impacto no bolso”. Foto: Arquivo pessoal
Conti, Holanda e Chris Morais: “a população tem de entender que sofrerá impacto no bolso”. Foto: Arquivo pessoal

Mais de 200 cidades do Interior de São Paulo devem participar do “tratoraço” marcado para hoje (7), em protesto ao aumento do ICMS (Imposto Sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços), que vai impactar diversos setores, dentre os quais a agropecuária. A manifestação, que conta com apoio da Federação
da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), foi organizada por sindicatos rurais e associações de diferentes elos das cadeias agroindustriais.

A partir do dia 15, amplo conjunto de bens e serviços ficará mais caro para o consumidor, com a decisão do governo  do Estado de revisar as alíquotas de ICMS de produtos como alimentos, remédios e combustíveis. Com a medida, leite, frutas, verduras, legumes, pães e outros alimentos básicos, que  eram isentos, podem ficar até  4,32% mais caros, segundo estudo da Associação Paulista de  Supermercados (Apas).

O governo do Estado alega  que todos os produtos com alíquota de ICMS inferior a 18%  gozam de benefícios fiscais e  decidiu reduzir o incentivo, a fim
de aumentar a arrecadação. Com  a medida, que vai vigorar por  dois anos, artigos isentos passarão a ser tributados, e outros com alíquotas mais baixas terão
a incidência do tributo elevada.

Rodrigo de Conti, presidente  da Associação Comercial de Industrial de Nova Granada e um dos organizadores do tratoraço, destacou a importância de a
população entender que os agropecuaristas estão defendendo também o consumidor final, que será impactado. “Entendo que mudar a situação é muito difícil,
porque o movimento se tornou do agronegócio, mas precisamos fazer a população entender que a medida vai impactar o bolso de todos. Se o ICMS vai incidir
em toda a cadeia agropecuarista, seja nos insumos, nas sementes, no transporte, isso vai ser repassado para a indústria, ao atacadista e acabará chegando
no consumidor final. São Paulo está indo na contramão. O Rio Grande do Sul baixou o ICMS de alguns produtos e aqui tivemos aumento de 4,74%, esse impacto na cadeia produtiva pode chegar a 14% e o povo parece não estar nem aí”, afirmou Conti, que também é apresentador da TV Unicon.

A manifestação encontrou apoio de um grupo do ABC, por entender que o aumento do ICMS vai impactar no bolso do trabalhador, que já sofre os efeitos da pandemia. O diademense Roberto Holanda participa do grupo. “Estamos defendendo o agricultor e o consumidor final, que é a classe trabalhadora. Se levamos hoje R$20 para a feira, a hora que os aumentos chegarem teremos de desembolsar no mínimo R$ 30. Quem sabe com esse movimento o governador (João Doria) se sensibilize e volte atrás nesta questão. Quem está desempregado ou com dificuldades para comprar a alimentação vai fazer o quê agora? Não é

COMPETITIVIDADE
Uma das organizadoras do tratoraço, a produtora rural e pecuarista de Barretos Chris Morais discorda do argumento do Estado da necessidade de aumentar a arrecadação. “No mundo inteiro não houve aumento de impostos por conta da pandemia. O único lugar que teve aumento de impostos foi aqui em São Paulo. Durante a pandemia nosso setor não parou de trabalhar. Aí vem o governador, apoiado pelos deputados, aprovam a lei e a corda vai estourar lá embaixo, nos milhões de desempregados, na população que vive com um salário mínimo. Outra coisa, grande parte do Estado é de pequenos e médios produtores, que vão quebrar. Serão mais milhões de desempregados. Foram várias tentativas de negociação com o governo, que está insensível em um momento que sabemos que a arrecadação de 2020 foi maior do que a de 2019, mesmo com a pandemia.”

Para Chris, o aumento do ICMS provocará perda de competitividade dos produtores paulistas. “Vai aumentar ração, sementes, medicamentos, equipamentos, energia, combustível. Além desses gastos, inserimos tecnologia 5.0 em nossas terras, com drones, mapeamento por satélite. Hoje temos uma agricultura de precisão e isso vale para qualquer atividade, seja para a pecuária, seja para cana, soja, milho. Com o aumento do imposto vamos perder a competitividade frente a outros Estados.”

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