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Mais de 100 são mortos após uma semana de motim da PM capixaba

Insegurança levou capixabas a fazerem fila nos supermercados para conseguir comida. Foto: Tânia Rego/Agência BrasilAo menos 113 pessoas já foram assassinadas no Espírito Santo desde o início do motim dos policiais militares, na sexta da semana passada (3). Antes da greve dos PMs, a média era de quatro assassinatos por dia. Agora, explodiu para mais de 18. De braços cruzados, a PM espírito-santense pede melhores condições de serviço, como adicional de periculosidade e por trabalho noturno. O motim, chamado pelo governo de “chantagista”, provocou uma onda de violência no Estado, com roubos, saques e mortes, além de clima de insegurança nas ruas.

A onda de assassinatos iniciada no final de semana não recrudesceu nem mesmo com a presença de homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança na região metropolitana de Vitória. Mais militares devem ser enviados pelo governo federal ao Estado nos próximos dias, caso a paralisação dos PMs permaneça.
Uma primeira reunião entre representantes dos familiares de PMs, de associações de policiais e do governo federal não havia sido concluída até as 20h desta quinta (9). A greve dos policiais já foi considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça, mas os PMs não cumpriram a determinação de fim do movimento.

Ônibus e supermercados

Na madrugada de ontem (9), o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari foi morto a tiros na cidade vizinha de Vila Velha, ambas na região da Grande Vitória. Segundo o sindicato, homens armados ameaçaram motoristas para que voltassem às garagens. Com a morte do sindicalista, os ônibus da Grande Vitória retornaram aos terminais devido à falta de segurança.

“As pessoas preferem a PM porque a polícia sabe onde estão os bandidos, o Exército não sabe. Eles estão circulando nas avenidas, mas não entram nos bairros perigosos”, disse a taxista Jaqueline Trevisan, 44.
Ao mesmo tempo, para evitar novos saques, supermercados de Vitória colocaram seguranças armados em frente aos estabelecimentos. Dezenas deles foram saqueados desde o início da greve da PM. A incerteza sobre a situação de segurança e o fato de poucos supermercados abrirem estão levando os capixabas a fazerem fila desde cedo para conseguir comida.

Nesse supermercado, a fila no caixa chegava a 40 minutos. Ali e em outro estabelecimento, os funcionários foram levados para trabalhar em vans fretadas. “Estou repondo o que estava acabando”, diz a aposentada Ana Masiero, 61.

Polícia civil

Em assembleia realizada na tarde de ontem o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo decidiu dar prazo de 14 dias para que o governo atenda as reivindicações antes de deflagrar uma paralisação. “Em respeito à sociedade capixaba que está amargando essa situação de violência, vamos dar esse prazo”, disse Jorge Emílio, presidente do Sindicato.

As principais reivindicações são reposição do salário, que, segundo Emílio, não é ajustado pela inflação há três anos e exigência de nível superior nos concursos para agente da Polícia Civil. Outro pedido é pagamento pela escala especial da polícia.

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