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Mais bem votada na última eleição, Maria Lopes diz que as pessoas desconhecem o que é o Compede

Maria Lopes é mãe de Wilker, de 11 anos: "É muito difícil. A briga é constante". Foto: Divulgação/Wilson de Sá
Maria Lopes é mãe de Wilker, de 11 anos: “É muito difícil. A briga é constante”. Foto: Divulgação/Wilson de Sá

Maria da Conceição Lopes integra um grupo de pais e res­ponsáveis que luta por melhorias para parcela da população de Diadema que apresenta algum tipo de deficiência. Em setembro, Maria Lopes foi eleita com o maior número de votos para o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Compede) da cidade.

Mãe de Wilker Lopes Silva, de 11 anos, que nasceu prematuro e teve sofrimento fetal, a conselheira desde muito jovem sabe das dificuldades que pessoas com deficiência e seus familia­res enfrentam. “Como sempre participei, desde meus 9 anos de projetos com cadeirantes, com cegos, não tive problema nenhum em aceitar a deficiência de Wilker, mesmo porque quando ainda estava em minha barriga eu já sabia que ele poderia ter muitas sequelas se sobrevivesse, o que no caso de outras mães é muito difícil aceitar a situação”, destacou. Wilker tem deficiência física, intelectual e visual.

Segundo Maria Lopes, o caminho para os pais de uma criança com deficiência conseguir atendimento público é longo. O primeiro passo, segundo a conselheira, é conseguir um laudo. “É esse documento que vai abrir as portas para diversas coisas. Tanto tratamento médico, até como se precisar de uma cadeira de rodas.. Com o laudo, a primeira coisa a fazer é ir a uma UBS (Unidade Básica de Saúde), que será a porta de entrada para os demais serviços, como fisioterapia, fonoaudióloga, terapia ocupacional. Aqui em Dia­dema o direcionamento é feito para o Quarteirão da Saúde, onde você passa por uma equipe multidisciplinar que vai analisar o caso e dar continuidade ao tratamento”, ressaltou.

Atualmente, o município conta com atendimento em saúde para pessoas com deficiência no Centro de Atenção a Inclusão Social (Cais) e no Centro Clínico na APAE.
“Nos últimos anos, o atendimento aqui em Diadema estava bem difícil. Juntamos um grupo de mães para estar correndo atrás dos gestores e das secretaria para tentar melhorar o atendimento. Foi aí que houve a retomada do Compede, para ver se ajudava na questão das famílias”, afirmou.

Segundo Maria Lopes, muitas pessoas, não sabem da importância do Conselho, até por não entenderem o que é. “Alguns acham até que estamos tentando nos beneficiar de alguma forma, mas não é. É em prol de todos. É o lugar certo para estar resolvendo as questões do dia a dia e levantando melhorias e projetos.”

INSISTÊNCIA

A reativação do Compede na gestão Lauro Michels (PV) foi resultado da insistência de um grupo de mães, as quais, segundo Maria Lopes, batiam na porta das secretarias em busca de melhorias no atendimento. “Com isso, acho que até a própria gestão foi se cansando, e acabou reativando o Compede para ver se diminuía nossa insistência”, destacou, ao complementar que por conta da pandemia os trabalhos do conselho foram paralisados.

“Retornamos este ano com as reuniões virtuais já no processo de nova eleição”, pontuou.
Marial Lopes fzz questão de destacar o apoio do vereador Orlando Vitoriano (PT) para o grupo. “O Orlando Vitoriano já vem nessa luta com a gente há muito tempo. Nos dá orientações jurídicas. Não só para nós do Compede, como também para o Conselho do Idoso, já que a nossa luta é a mesma”, ressaltou.

Transporte e educação especial são prioridades do Compede

Recém-eleita para o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Compede) de Diadema, Maria da Conceição Lopes destacou que o transporte ambulatorial adaptado é um os principais problemas a serem resolvidos. “Tem uma demanda muito grande e não tem carro. Há apenas dois veículos para o transporte.”
Outra meta do Compede, segundo a conselheira, é uma escola de educação especial.

“Queremos que melhore o atendimento na APAE, que tem um Centro Clínico, mas não são todos que estão na educação especial que se beneficiam desse atendimento”, pontuou.
A conselheira afirmou que a luta é grande para as famílias. “São muitas as dificuldades. Falta suporte na saúde, no transporte, na educação, insumos, cadeiras de rodas, órteses. É muito difícil. A briga é constante”, finalizou.

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