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Maioria dos dez deputados mais votados no ABC queria investigação contra Temer

grafico-denuncia-temerA maioria dos dez deputados federais mais votados no ABC não endossou o relatório apresentado por Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que recomendava o arquivamento de denúncia por corrupção passiva contra o presi­dente Michel Temer (PMDB). Nesse grupo, seis votaram pelo “não”.

No geral, porém, a maioria dos parlamentares endossou o texto na última quarta-feira (2) e o pemedebista se livrou da acusação até o fim do mandato. Ao final da votação, 263 deputados escolheram o arquivamento, contra 227 que queriam o prosseguimento das investigações.

Deputado federal mais votado no ABC, com 127.272 votos, Alex Manente (PPS) optou pela continuidade das apurações. “É um grande sentimento de frustração. No momento em que a sociedade exige dos representantes transparência, ética e combate à corrupção, o Congresso joga para baixo do tapete uma denúncia, uma investigação contra o presidente. É algo muito grave”, destacou.

“Para mim era claro que, por coerência, quem votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tinha de votar a favor da investigação contra o Temer”, completou.

O popular-socialista destacou que não pode haver tolerância com a corrupção, independentemente de qual seja o partido. “O próprio relatório não nega que haja evidências para a investigação, mas apela para a estabilidade econômica que, todos sabem, seria mantida mesmo que o (presidente da Câmara) Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumisse a presidência, uma vez que a equipe econômica já garantiu que continuaria no governo”, pontuou.

Manente avaliou que o resultado, ainda que favorável ao presidente Michel Temer, mostra que o governo não terá maioria para aprovar a reforma da Previdência. “Um governo mal avaliado e sem popularidade não tem legitimidade para mexer em algo que afeta a vida de todo mundo”, pontuou. “Não tenho dúvida de que a primeira reforma tem de ser a política, porque afeta diretamente a maneira como vamos escolher representantes para os próximos quatro anos. O modelo atual está comprovadamente falido”, afirmou. Segundo Manente, a reforma política deve ser votada em plenário ainda este mês.

Investigação

Quarto parlamentar mais votado na região e que, assim como Manente, tem base eleitoral no ABC, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), também votou pela continuidade da investigação contra Temer. “Apesar de não conseguirmos o resultado, fiquei feliz pela forma como votou a maioria dos deputados de São Paulo, inclusive da bancada do PSDB”, afirmou. “O que estava em jogo eram os direitos dos trabalhadores, os direitos da comunidade quilombola. Tudo isso está ameaçado com a continuidade desse governo. Como citei em minha fala, se o presidente é inocente, deveria enfrentar o processo”, destacou.

O petista lembrou que Temer tem os piores índices de avaliação de um governo da história do país e, de acordo com as pesquisas de opinião, ao menos 81% dos eleitores eram favoráveis à investigação. “Agora é a hora do povo brasileiro se unir e acordar. Mesmo quem foi bater panela (contra Dilma) agora precisa despertar. Ainda existem outras denúncias a serem apresentadas contra o presidente e o governo vai ficar cada vez mais insustentável”, afirmou. Vicentinho negou que já exista consenso para votação da reforma política. “Existe uma discussão muito intensa, mas que vem sendo atropelada pelas questões do Temer.”

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