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Maioria dos brasileiros avalia saúde como ruim ou péssima

Maioria dos brasileiros avalia saúde como ruim ou péssima
Atendimento no pronto-socorro foi reprovado por 63%. Foto: Arquivo/ABr

Por Natália Cancian

Mais da metade dos brasileiros, ou 55%, avaliam a saúde no país como ruim ou péssima, aponta pesquisa do Datafolha encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Outros 34% avaliam como regular e 10% como boa, avaliação que vale tanto para serviços públicos quanto privados. O levantamento ouviu 2.087 pessoas em maio deste ano, em amostra representativa da população.

Para o presidente do CFM, Carlos Vital, “os números mostram claramente a insa­tisfação da sociedade com o atendimento oferecido em saúde no país”. “Precisamos de mais sensibilidade política, com financiamento mais adequado, gestão mais eficiente e fiscalização mais efetiva”, afirmou.

Entre os entrevistados, 97% afirmaram ter buscado acesso ao menos algum serviço do SUS nos últimos dois anos para si ou para a família. Os principais foram vacinação e atendimento em postos de saúde.

Questionados sobre como avaliam a saúde pública, 54% disseram ver como ruim ou péssima, 28% como regular e 17% como ótima ou boa.

Para os entrevistados, o tempo de espera é o que mais contribui para os problemas no atendimento, seguido da falta de recursos e má gestão. Durante a semana da pesquisa, 39% dos entrevistados disseram esperar por algum atendimento, como consultas, exames e cirurgias.

O índice é maior em relação a pesquisas anteriores feitas em 2014 e 2015, quando 30% e 29% aguardavam algum atendimento na rede. O aumento ocorre no mesmo período em que houve redução no número de usuários de planos de saúde.

Entre esse grupo, que espera por atendimento, dobrou o porcentual de entrevistados que dizem aguardar há mais de seis meses. Em 2014, a pesquisa mostrou que esse índice era de 29%. Em 2018, esse percentual já atinge 45% – sendo que 29% do total aguardavam há mais de um ano.

A pesquisa fez ainda ava­liação do grau de dificuldade de acesso a 14 serviços no SUS. Destes, ao menos 11 foram alvo de críticas. Neste sentido, o serviço com pior avaliação foi o de consulta com médicos especialistas, avaliado como tendo acesso “muito difícil” e “difícil” por 74% daqueles que busca­ram esse tipo de atendimento. Em seguida, está realização de cirurgias (68%), internação em leitos de UTI (64%) e realização de exames de imagem (63%).

Quando questionados sobre a qualidade de serviços específicos, a principal crítica foi para o atendimento em pronto-socorro, com 63% das reclamações, seguido de internação em leitos comuns e consultas com médicos em postos de saúde.

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