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Maior matança em presídios desde o Carandiru deixa 56 vítimas no AM

Presos foram transferidos após rebelião em presídio no Amazonas, a qual começou no domingo. Foto: Marcio Silva/A Critica/Folhapress

Uma briga entre facções criminosas rivais seguida de rebelião no maior presídio do Amazonas deixou 56 mortos entre domingo (1º) e ontem (2) em Manaus, capital do Amazonas. O motim durou 17 horas, com algumas vítimas decapitadas. A matança é a maior em presídios do país desde o massacre do Carandiru, em 1992, em São Paulo, quando uma ação policial deixou 111 mortos na Casa de Detenção.

A rebelião em Manaus começou na tarde de domingo no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado na BR-174. Na unidade havia 1.224 homens, o triplo da capacidade (454), segundo dados de dezembro. O motim foi motivado por uma disputa entre as facções criminosas Família do Norte e PCC -e levou integrantes do governo federal a temerem retaliações pelo país.

O governo do Amazonas, comandado por José Melo de Oliveira (Pros), avalia que a rebelião foi comandada pela Família do Norte e que a maioria dos mortos era do PCC. “Há uma guerra silenciosa que o Estado tem que intervir. Que guerra é essa? Narcotráfico. Uma facção brigando com a outra. Porque cada uma quer ganhar mais dinheiro que a outra, a briga é por dinheiro e por espaço”, disse o secretário estadual da Segurança Pública, Sérgio Fontes, ao afirmar que a polícia não entrou no presídio “para evitar um Carandiru 2”.

O juiz Luís Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Criminais do TJ (Tribunal de Justiça) do Amazonas, afirmou ter ficado chocado. “Uma pilha de corpos, alguns esquartejados, sem braço, perna e sem cabeça, uma cena dantesca. Nunca vi um negócio tão horrível”, disse à Folha Valois, que foi ao complexo penitenciário no domingo para intervir junto aos detentos, após ser acionado pela secretaria da Segurança.

“Péssima”

A prisão, uma das 11 do Amazonas, havia passado por inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em outubro e classificada como “péssima” para qualquer tentativa de ressocialização, com presos sem assistência jurídica, educacional, social e de saúde, além da ausência de detectores de metais e bloqueadores de sinal de celular.

Antes de consolidar um balanço com 56 mortos em Manaus, o governo estadual chegou a divulgar até 60 vítimas – número corrigido depois. A maior quantidade de mortos em prisões depois do massacre do Carandiru havia sido, até então, em rebelião de 2004 que matou 31 na Casa de Custódia de Benfica (RJ).

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