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Lula fecha negociação com PF e decide se entregar

Lula passa dia abrigado em sindicato do ABC e deve se entregar hoje
Lula agradeceu a solidariedade dos militantes no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu se entregar à Polícia Federal hoje (7), após a missa que será realizada pela manhã em São Bernardo (SP) em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia.

O petista se reuniu no fim da noite com aliados e advogados para acertar os detalhes da apresentação.

Lula tentava negociar com a PF para que a ordem de prisão fosse cumprida apenas na segunda-feira (9), mas houve acordo para que o petista se entregasse no sábado.

O ex-presidente quer se apresentar aos policiais no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC de maneira voluntária, mas ainda há dúvidas sobre a maneira como  deixará o prédio onde está desde a última quinta (5).

Lula pretende evitar enfrentamentos entre militantes e os agentes que serão enviados para prendê-lo. A PF enviará um carro descaracterizado para buscar o ex-presidente, em acordo com os advogados do petista.

O ex-presidente foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex em Guarujá (SP). Pelo acordo, Lula deverá fazer um pronunciamento durante a homilia da missa.

Segundo aliados, o ex-presidente, lideranças petistas e movimentos de esquerda só admitiam, até a tarde desta sexta, uma possibilidade para a prisão: a de que PF fosse obrigada a buscá-lo na sede do sindicato. A decisão de se entregar foi antecedida de tensão e debate no sindicato. Às 18h, após Lula concordar com a apresentação, três emissários do petista foram à PF, em São Paulo, para negociar as condições da prisão.

A corporação suspendeu à noite o cumprimento do mandado de prisão. A PF descartou enviar agentes ao sindicato para evitar conflitos com manifestantes que cercavam o sindicato. Lula deve ir para a capital paranaense em um jatinho da PF. A defesa afirma que, com o bloqueio de bens imposto por Moro, Lula não tem recursos para custear a viagem.

Um petista resumiu que a fotografia da prisão não será como Moro queria nem como Lula desejava. Até a conclusão desta edição, o ex-presidente seguia na sede da entidade.

Tranquilidade

Por telefone, o petista disse na manhã de ontem que não iria à capital paranaense. Declarou ainda que estava tranquilo, bem disposto, e que, pela manhã, fez seus exercícios “Não haverá resistência, mas ele não irá para o matadouro de cabeça baixa, por livre e espontânea vontade”, disse o advogado José Roberto Batochio.

Passaram pelo prédio, cercado por sem-teto, sem-terra, sindicalistas e simpatizantes do petista, lideranças como os presidenciáveis Manuela D’Ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL), o vereador Eduardo Suplicy (PT), a ex-presidente Dilma Rousseff, deputados e senadores.

Boulos disse que Moro será vencido pelo cansaço. “Não estamos desrespeitando decisão de ninguém, até porque não fomos nós quem rasgou a Constituição e condenou sem provas.” Ao longo do dia Lula acenou da janela para os militantes que estavam do lado de fora do sindicato. Estava previsto um pronunciamento às 16h, mas o petista não falou ao público até a conclusão desta edição. Assim que o prazo se esgotou, manifestantes prometeram uma “muralha humana” e gritaram “não tem arrego”.

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