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Lula faz acenos ao mercado, resiste a ir às ruas contra Bolsonaro e decidirá candidatura em 2022

Atualizado às 22h30

Após uma rodada de conversas com partidos políticos em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai decidir sobre sua candidatura à Presidência apenas no início do ano que vem. “Ainda não decidi porque vou decidir no momento adequado. Vou conversar com todo mundo”, disse Lula em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (8). O ex-presidente declarou que ainda não está conversando sobre composições políticas.

“Todos os partidos têm direito a ter candidato à Presidência da República, sem exceção.”
Lula fez acenos ao mercado financeiro durante coletiva, e também disse que não vai a atos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas ruas. Ao ser perguntado sobre política econômica, o ex-presidente afirmou que o endividamento deve ser reali­zado pelo poder público ape­nas para investimentos e aumento do patrimônio do país.

Desde 2019, o governo Bolsonaro tem quebrado essa lógica e realizado empréstimos para cobrir despesas correntes, medida vedada pela chamada regra de ouro. “Mostramos que sabemos cuidar da dívida”, disse o petista.

De olho na disputa presidencial, Lula afirmou que está disposto a conversar com todos os partidos e coletar conselhos em todas áreas, até do ex-mi­nistro da Fazendo Henrique Meirelles, hoje secretário e aliado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “O mundo é redondo, a gente pode dar voltas e se encontrar outra vez.”

CRÍTICAS

O petista criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, mas evitou se alongar em propostas econômicas. O ex-presidente se ancorou na administração de seus governos para dizer que não precisa mais lançar uma Carta ao Povo Brasileiro, como fez após a primeira eleição para minar resistências do mercado. “Não preciso de Carta ao Povo Brasileiro, tenho um legado.”

O ex-presidente rebateu a especulação de que o PT estaria desinteressado no impeachment de Bolsonaro como estratégia eleitoral para vencê-lo nas urnas em 2022. Lula afirmou, no entanto, que não vai às ruas para pedir o afastamento do chefe do Pla­nalto por conta de cuidados sanitários e disse que terá a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, como porta-voz.

Na coletiva, Lula criticou a política de preços da Petrobras. “A Petrobras está mostrando que pode mais que o presidente da República. O Brasil está precisando de um novo presidente para poder fazer justiça com o preço dos combustíveis”, disse o petista.

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