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Líder sul-coreana diz que pode renunciar em meio a escândalo

A presidente sul-coreana, Park Geun-hye, envolvida em um escândalo de corrupção, disse ontem (29) que está disposta a renunciar se o parlamento definir os detalhes técnicos de sua saída. A oposição logo considerou a “renúncia condicionada” uma tática para postergar a votação ou mesmo evitar a humilhação de um processo de impeachment no parlamento. O mandato de Park vai até o início de 2018.

“Deixarei a questão da minha saída e de uma redução do tempo de meu mandato para a Assembleia Nacional decidir”, afirmou Park em um discurso no palácio presidencial, em Seul. “Se os partidos do governo e da oposição discutirem e chegarem a um plano para assegurar uma transferência segura de governos, vou deixar o posto de presidente sob esse cronograma e por meio dos processos previstos na lei”, completou. A presidente, contudo, não deu mais detalhes sobre a sua decisão e sobre como seria esse processo.

O Partido Democrático, principal legenda da oposição, já rejeitou a oferta de Park, que classificou como uma manobra para escapar do impeachment, e disse que irá continuar com seus esforços para votar o impedimento no parlamento na sexta-feira (2). “Esperamos votar a destituição esta semana”, declarou Woo Sang-ho, líder da bancada do Partido Democrático.

Vários deputados governistas apoiam a medida proposta pela oposição. É preciso que 200 dos 300 parlamentares votem pela saída de Park. Há 172 parlamentares da oposição e independentes que querem seu afastamento da presidente, mas será preciso contar com o apoio de 28 dos 128 deputados do partido conservador Saenuri, de Park.

Nenhum presidente sul-coreano deixou de completar seu mandato único de cinco anos desde que o sistema democrático atual foi implementado no país, em 1987.

Escândalo

O escândalo político tem como pivô a amiga e ex-confidente da presidente, Choi Soon-sil, detida por ter utilizado sua relação com Park para extorquir grandes empresas sul-coreanas. A presidente é suspeita de “conivência” por promotores que investigam o caso. Choi, filha do líder de uma seita, foi presa este mês e acusada criminalmente de extorsão e fraude.
Na Coreia do Sul, um presidente em exercício não pode ser processado por uma questão penal, exceto no caso de traição ou insurreição. Porém, a imunidade presidencial acaba ao final do mandato.

Desde que o caso veio à tona, todo sábado são organizadas grandes manifestações em todo o país com pedidos de renúncia da presidente. No último sábado (26), dezenas de milhares foram às ruas na capital, Seul. Em caso de aprovação pela Assembleia Nacional, a destituição da presidente precisa ser validada pela Corte Constitucional.

Enquanto a decisão da Corte não for anunciada, a presidente será afastada do cargo e o primeiro-ministro Hwang Kyo-ahn assumirá de forma interina a função presidencial.
Caso seja validado o impeachment, será preciso realizar uma eleição em 60 dias para escolher um presidente para um mandato de cinco anos, e o premiê seguirá conduzindo o país neste período.

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