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Lauro Michels: ‘não é momento para disputa de vaidades. Estamos lidando com a vida das pessoas’

Lauro Michels: ‘não é momento para disputa de vaidades. Estamos lidando com a vida das pessoas’
Michels: “não podemos fechar os olhos para a doença, que está aí tirando a vida das pessoas”. Foto: Arquivo

Com mais de 50 dias sob vigência da quarentena decretada pelo governo do Estado por conta do novo coronavírus, Diadema vem mantendo a taxa de isolamento, na média, em 50%, e a ocupação de leitos destinados a pacientes com covid-19, até esta sexta-feira (15), estava em 70%.

Com uma das maiores densidades demográficas do ABC e do Estado, o município conta hoje com 56 leitos de enferma­ria e mais 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Municipal (UTI). Para ampliar o número de vagas, a prefeitura está contratando mais 15 leitos de UTI em hospitais particulares, a fim de aumentar a oferta de forma imediata.

Em entrevista ao Diário Regional, o prefeito Lauro Michels (PV) afirmou que os recursos destinados ao município foram muito abaixo do necessário para efetivamente atender as necessidades da cidade e que os go­vernos federal e estadual precisam se alinhar e focar na população.

“O governo do Estado não encaminhou qualquer resposta sobre nossa proposta de utilizar o espaço vago onde já deveria estar funcionando a unidade da Rede Lucy Montoro, para instalar um Hospital de Campanha com 100 leitos, sendo 80 de baixa e média complexidade, e 20 de UTI”, pontuou.

Entretanto, para o prefeito, como curva de infecção por covid-19, apesar de ascendente, segue de forma controlada, o número de leitos disponíveis será suficiente para atender a demanda. “Porém, seguimos reavaliando diariamente a necessidade de ampliação.”

SERVIÇOS

Michels afirmou que o foco da administração municipal é manter o máximo de serviços funcionando para atender a população, com um olhar especial para a saúde dos moradores.

Segundo prefeito, além da readequação do funcionalismo (teletrabalho), a administração municipal conta com equipes de fiscalização, produz mate­riais informativos e de orientação aos munícipes, divulga boletins diários nas redes sociais sobre os números da doença na cidade, com o objetivo de informar as pessoas e de cons­cientizar sobre a importância de respeitar a doença.

“Ninguém sabe exatamente o que é certo e o que é errado quando se fala em conduta. Porém, precisamos ter clareza que não podemos fechar os olhos para a doença, que está aí tirando a vida das pessoas. Acredito que a seriedade que temos tratado o assunto e o esforço de toda a nossa equipe esteja refletindo em resultados positivos”, destacou.

Michels destacou, ainda, que as equipes de fiscalização estão diariamente nas ruas da cidade orientando a população e os comerciantes sobre o cumprimento dos decretos estadual e municipal, bem como pedindo para que o cidadão não saia às ruas desnecessariamente, e se tiver que sair, que utilize a máscara.

 LINHA DE AÇÃO

O prefeito afirmou que, embora existam diversas limitações no poder de ação, o Consórcio Intermunicipal ABC, do qual é vice-presidente, vem se empenhando em trabalhar conjuntamente com os municípios no enfrentamento ao coronavírus, buscando alternativas para que as cidades consigam manter uma linha única de ação, beneficiando a população do ABC com um todo.

Em relação a Diadema, Michels afirmou que apesar de o município ter um plano que acredita ser melhor para a economia e para a população, segue as normas do governo estadual. “Temos vivenciado um momento em que a opi­nião dos municípios não conta nas decisões do Estado. Então, embora tenhamos um plano, seguiremos as determinações do Governo do Estado.”

Quanto aos recursos que estão sendo destinados pelos governos à população neste período de pandemia, Michels acredita serem insuficientes.

“Diadema é uma cidade que possui grande parte da população carente, e que precisa do seu trabalho diário para garantir a comida na mesa. Muitas dessas pessoas necessitam de programas de auxílio para garantir sua sobrevivência. Entendo que o que foi oferecido até aqui é insuficiente para atender as necessidades dessa população”, destacou.

Para Michels, o momento não é para debate político, nem para disputa de vaidades. Afirmou, ainda, que os go­vernos precisam se alinhar e focar na população. “Estamos lidando com a vida das pessoas, com a saúde, o bem-estar e as conquistas dessas pessoas, que hoje vivem o fantasma de fechar definitivamente as portas de seus negócios, que há muito já vem sofrendo com o desleixo dos governos federal e estadual”, pontuou.

“Certamente atravessaremos momentos difíceis. Nada será como antes e teremos que nos reinventarmos para supe­rar as marcas que essa crise toda vai deixar”, complementou.

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