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Lançamentos de imóveis reagem no ABC em 2017, mas vendas caem pelo 4º ano seguido

Lançamentos de imóveis reagem no ABC em 2017, mas vendas caem pelo 4º ano seguidoApós três anos conse­cutivos de retração, o mercado imobiliário do ABC começou a reagir em 2017. As vendas de imóveis novos ainda mantiveram trajetória descendente, mas o avanço no nú­mero de lança­mentos aponta para in­flexão no setor, um dos mais atingidos pela crise.

Dados da Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradoras de Imóveis do ABC (ACIGABC) divulgados ontem (21) revelam que as vendas de apartamentos novos somaram 2.457 unidades no ano passado, com queda de 17% ante o total comercializado em 2016. O novo recuo eleva para 75,6% a queda acumulada desde 2013, ano de melhor desempenho do mer­cado imobiliário da região (10.054 unidades).

No sentido contrário, o to­tal de lançamentos cresceu 27,6% em 2017, para 2.860 uni­dades, interrompendo três anos seguidos de retração.

Apesar da nova queda nas vendas no fechamento anual, o presidente da ACIGABC, Marcus Santaguita, destacou que já é possível notar o retorno do consumidor aos plantões. Prova disso é que o indicador de Vendas sobre Oferta (VSO) – que mede a velocidade de queima dos estoques – iniciou trajetória de recuperação em julho, após cair ao menor patamar do ano em março, quando veio à tona a delação da JBS.

“É um reflexo da retomada da confiança dos consumidores ocasionada pela estabilidade na economia, pela queda da inflação e pela melhora dos indicadores de desemprego”, explicou Santaguita.

Sobre os lançamentos, o presi­dente da ACIGABC destacou que Diadema puxou a alta na região, representando sozinho 42% do total de unidades. “Foi uma grata surpresa. Boa parte são imóveis populares enquadrados no Minha Casa, Minha Vida.”

São Bernardo

O resultado poderia ter si­do me­lhor não fosse o desempenho de São Bernardo, que sempre dividiu o protagonismo do mercado imobiliário do ABC com Santo André, mas registrou apenas 246 unidades lançadas no ano passado, queda de 71% ante 2016.

Santaguita explicou que, há três anos, vigoram no município Plano Diretor e Lei de Uso, Ocupação e Parcelamen­to do Solo (Luops) “inadequados”, uma vez que inibem a produção imobiliária.

Ainda segundo a pesquisa, o estoque de imóveis novos no ABC caiu 23%, para 3.081 unidades no dia 31 de dezembro de 2017, contra 4.017 um ano antes. A queda teria sido maior não fosse o ainda elevado número de distratos, 23% do total de negócios.

“Há maior equilíbrio na relação entre oferta e demanda, o que permite às empresas voltar a se concentrar em lançamentos. Isso também traz a expectativa de recuperação nos preços, que se mantiveram estáveis nos últimos anos”, afirmou Santaguita.

O presidente da ACIGABC projeta para este ano alta de 10% nas vendas e nos lançamentos. “O ano só não será melhor porque há Copa, eleições e muitos feriados.”

ACIGABC vai apresentar projeto para mudar legislação de uso do solo em São Bernardo

O presidente da Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradoras de Imóveis do ABC (ACIGABC), Marcus Santaguita, afirmou ontem (21) que a entidade está em tratativas com a Prefeitura de São Bernardo para apresentar minuta de projeto que visa alterar a legislação que estabelece regras para uso e ocupação do solo na cidade.

“Na administração passada (de Luiz Marinho, PT) houve restrição nos coeficientes de construção (índice que define a quantidade de área que pode ser erguida sobre cada terreno) que praticamente inviabilizou novos lançamentos e a compra de terrenos. Como isso, os empresários começaram a migrar para cidades do entorno”, disse Santaguita.

“O que foi lançado no ano passado em São Bernardo são projetos antigos, elaborados com base na legislação anterior”, prosseguiu.
O presidente da ACIGABC explicou que, antes do governo Marinho, a legislação estabelecia coeficiente construtivo de até 4x (quatro vezes a área do terreno). No governo do petista, o índice chegou a ser reduzido para 1,5x e, depois, elevado para 2,5x (mediante pagamento de outorga onerosa).

Por fim, o prefeito aprovou em 2015 na Câmara a criação dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que dariam a quem os comprasse o direito de construir acima do limite, mas o projeto nunca saiu do papel. “O que há hoje é um vácuo jurídico”, disse Santaguita.

A ACIGABC também ne­gocia com a Prefeitura de Mauá mudanças na aprovada Taxa de Compensação Urbanística (TCU), que estabelece acréscimo de 10% sobre o custo das construções acima de cinco unidades. “Não somos contra a taxa, mas entendemos que deve ser escalonada”, disse.

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