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LaMia se isenta e culpa órgão aeronáutico por queda

Aeronave decolou da Bolívia sem margem de combustível para imprevistos. Foto: Reprodução

O porta-voz da companhia aérea LaMia, Mário Pacheco, tentou isentar a empresa de culpa pela tragédia no voo da Chapecoense e disse ontem (2) que a responsabilidade pela decolagem da aeronave com combustível insuficiente é de autoridades aeronáuticas.

A queda do avião da empresa boliviana, que transportava a delegação do time e jornalistas para Medellín, na Colômbia, ocasionou a morte de 71 pessoas – também incluídos membros da tripulação.

“A decisão correta é cumprir com o que está estabelecido nas normas de regulação e procedimentos da companhia”, disse Pacheco. “Agora, se eles se desviam, é uma decisão que não tem como controlar no momento do voo. Quem tem de exercer controle é a autoridade aeronáutica, como se faz em outros países, que controlam o combustível remanescente nas aeronaves. A empresa não está orientada a fazer isso. Nem tinha os meios, pois eram poucas pessoas trabalhando com o avião.”

Desde as primeiras horas depois do acidente, surgiram indícios que apontavam para uma pane seca na aeronave.

Na quinta-feira, a divulgação do plano de voo da viagem reforçou essa tese ao mostrar que o tempo previsto para a viagem entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia, era de quatro horas e 22 minutos. Esse é exatamente o tempo que o avião consegue voar com seus tanques cheios. Não havia, portanto, nenhuma margem para imprevistos.

Segundo a lei aeronáutica boliviana, o avião deveria ter combustível suficiente para ir até a cidade de destino, mudar de rota para um aeroporto substituto e ainda voar por mais 45 minutos.

Segundo as autoridades colombianas, o avião da LaMia não tinha combustível para respeitar essa regra.

Apesar do erro, o plano de voo foi vistoriado por órgãos de controle – que, segundo especialistas, deveriam ter barrado a viagem, o que não ocorreu.

Por isso, o acidente também causou crise nos órgão de aviação boliviana.

Jornais locais divulgaram a proximidade entre a LaMia e o presidente boliviano Evo Morales. Foram publicadas, por exemplo, fotos do presidente visitando a LaMia e com o piloto que morreu no acidente na Colômbia, Miguel Quiroga.

Em meio à crescente pressão, o presidente boliviano con­cedeu entrevista e admitiu que o diretor-geral da LaMia, Gustavo Vargas, havia sido seu piloto pessoal na Presidência.
O filho de Vargas, que era diretor em uma agência de aviação, renunciou ao cargo.

Morales afirmou que a companhia aérea será investigada, mas disse que não vai interferir na apuração. “Não sabia que tinha autorização, não sabia que era empresa com matrícula boliviana.”

“Tem que ser investigado como se legaliza, como se constitui a empresa e (como são obtidas) as licenças correspondentes (para voar)”, disse.

O governo boliviano suspendeu na quinta as opera­ções da LaMia e destituiu funcionários de alto escalão do con­trole aeronáutico.

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