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Kiko: ‘nunca havia visto uma situação nas finanças como a de Ribeirão Pires’

Kiko: ‘nunca havia visto uma situação nas finanças como a de Ribeirão Pires’
Kiko: “Nosso principal avanço, sem dúvida, está relacionado à gestão financeira e administrativa”. Foto: Arquivo DR

Ribeirão Pires completa 64 anos de emancipação política na próxima segunda-feira (19) e o Diário Regional entrevistou o prefeito Adler Teixeira, o Kiko (PSB), que falou sobre os desafios da gestão, especialmente na área financeira, e os avanços que a administração já promoveu. “Há cerca de sete anos a cidade era financeiramente viável. O que encontramos no início do último ano foi mais de R$ 200 milhões em dívidas. Do montante total, já pagamos mais de R$ 27 milhões”, destacou o prefeito. A cidade também celebra o tombamento da Fábrica de Sal como patrimônio histórico estadual. “A prefeitura elaborou projeto para restauração deste importante espaço, que é um marco na história da industrialização do ABC. Estamos trabalhando para captar parceiros que contribuam com a viabilização desta empreitada”, destacou. Confira a entrevista completa.

Qual era a situação das finanças da cidade quando assumiu a prefeitura?

Em minha vida pública nunca havia visto uma situação como a que encontramos nas finanças de Ribeirão Pires. Há cerca de sete anos a cidade era financeiramente viável. O que encontramos no início do último ano foi mais de R$ 200 milhões em dívidas. Pior do que o endividamento foi a perda do crédito da cidade junto aos governos do Estado, Federal, além de fornecedores e entidades parceiras. Do montante da dívida já pagamos mais de R$ 27 milhões. Negociamos e renegociamos dívidas com o INSS, o Imprerp, a Sabesp, a Eletropaulo e o contrato de coleta de lixo, para garantir a manutenção dos serviços essenciais, que estavam paralisados, e para recuperar o título de bom pagador exigido para a celebração de convênios com o Estado e a União, por exemplo.

Com quase um ano e meio de gestão, em quais áreas a cidade mais avançou?

Nosso principal avanço, sem dúvida, está relacionado à gestão financeira e administrativa responsável, que possibilitou à cidade recuperar sua credibilidade e, com isso, atrair o apoio de instituições comprometidas, a exemplo do Grupo São Cristóvão Saúde, que nos auxiliou no processo de recuperação do Hospital e Maternidade São Lucas. As melhorias no atendimento prestado na unidade são evidenciadas em números: mais de 500 partos foram realizados em nossa maternidade municipal em 2017, aumento de mais de 160% em relação ao ano anterior. Parcerias assim foram celebradas com o Instituto Ayrton Senna, para a implementação de programa de Gestão da Política de Alfabetização de nossas crianças; com a CBF e o WTC, para a implantação pioneira no país do projeto “Gol do Brasil”, que estimula o desenvolvimento de crianças e jovens por meio do futebol; com o Senai, Centro Paula Souza e outras instituições que, juntamente com a prefeitura e o Fundo Social, ampliaram a oferta de qualificação profissional aos moradores. Importante frisar que as parcerias não geraram custos aos cofres públicos.

Onde não foi possível avançar o que era desejado e por que?

Acredito que em razão da situação de abandono em que a cidade foi deixada nos últimos anos, os moradores anseiam grandes mudanças em um curto espaço de tempo. O trabalho que estamos fazendo, entretanto, priorizou a organização financeira e administrativa, alicerces importantes para que, a partir de agora, possamos iniciar intervenções e apresentar resultados que possam ser melhor percebidos pelos moradores. Gostaria que as transformações esperadas fossem realizadas de forma mais rápida. Porém, mais importante do que a velocidade é saber que estamos trabalhando com segurança.

Ribeirão Pires correu o risco de perder o título de estância turística. Essa fase está superada?

O mundo está mudando e os assuntos públicos começam a acompanhar essas transformações. Antes de 2015 não havia risco para que uma Estância perdesse o título e, por consequência, os repasses para estimular o turismo local. Com a mudança na legislação do Estado, os municípios-estância precisaram cumprir série de requisitos para manter o título, como ter um Plano Diretor de Turismo, um Conselho Municipal de Turismo ativo, movimentação de visitantes, entre outros. Em meio à desordem que encontramos, trabalhamos para reativar o Conselho de Turismo, iniciamos a elaboração do Plano Diretor, com o apoio do Senac, regularizamos a situação do município junto ao DADE, desenvolvemos novos projetos de estímulo ao setor, resgatamos e fortalecemos o calendário de eventos do município – como o Festival do Chocolate, a Festa de Nossa Senhora do Pilar, a Festa de Santo Antônio, entre outros. Com isso, estamos seguindo as diretrizes do Estado, afastando o risco de perdermos o título e os recursos para o setor.

O projeto do teleférico prometia atrair de volta o turismo para a cidade, mas foi cancelado. Por qual motivo?

O projeto do teleférico constitui uma série de irregularidades cometidas pela gestão anterior. Foi, desde o início, um projeto inviável. Entre os pontos irregulares, que podem ser comprovados por qualquer pessoa por meio de documentos junto ao Estado, estão a falta de autorizações necessárias junto aos órgãos CETESB, EMAE, CPTM, DAEE e Eletropaulo. Tantas irregularidades custaram ao município a perda de convênios junto ao DADE de 2013 a 2016. Em um trabalho conjunto com o Estado, levantamos toda a documentação e iniciamos as ações de regularização. Neste processo, foi confirmada a inviabilidade de seguirmos com o projeto do teleférico. Com muito esforço, devolvemos ao Estado verbas que foram indevidamente utilizadas e conseguimos recuperar recursos do convênio de 2014, além de termos celebrado convênio em 2017 e estarmos trabalhando para celebrar novas parcerias neste ano.

A antiga gestão tentou dar para a cidade uma vocação chocolateira e falou em construir uma grande fábrica de chocolates. Esse projeto ainda está em pé?

A antiga gestão não teve compromisso com a realização de um calendário de eventos permanente para a cidade. O Festival do Chocolate foi interrompido, assim como outros festejos. No último ano, resgatamos o calendário de eventos, entre os quais o Festival do Chocolate. Em parceria com o Sebrae e o Centro Paula Souza, promovemos no último ano curso de formação de chocolateira para 60 moradores. Essas ações fazem parte de projeto que tem por objetivo preparar nossa cidade para explorar potenciais voltados à geração de emprego e renda.

A prefeitura tem algum projeto sendo elaborado para alavancar o turismo?

A valorização e o resgate da cultura de nossa cidade, a revitalização dos pontos turísticos, o fortalecimento do calendário de eventos municipais, bem como a elaboração do Plano Diretor do Turismo fazem parte dessa estratégia para alavancar o turismo. Estamos licitando a contratação de empresa para realizar as obras do Boulevard Gastronômico, por meio de convênio com o Dadetur (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos – 2017). Neste projeto, revitalizaremos toda a área do comércio nas ruas Felipe Sabbag e Stela Bruna Nardelli. Para este ano, trabalhamos com a segunda fase do Boulevard Gastronômico, que viabilizará a revitalização da Rua Leonardo Meca e da Avenida Fortuna. Esse centro gastronômico estará interligado com o projeto do Parque Oriental – Milton Marinho de Moraes, para o qual também temos projeto de revitalização em análise junto ao Dadetur. Trabalhamos, ainda, em projeto de revitalização do Parque Municipal Pérola da Serra, com recursos do FID, e do canteiro central da Avenida Kaethe Richers, por meio de recursos do Fumefi (Fundo Metropolitano de Financiamento e Investimento).

Recentemente a prefeitura divulgou que a Fábrica de Sal será tombada como patrimônio histórico do Estado. Como está esse processo? O local passará por alguma restauração? A prefeitura vai se envolver nisso ou ficará tudo a cargo do Estado?

No dia 27 de fevereiro deste ano, a Secretaria da Cultura do Estado publicou no Diário Oficial o tombamento do edifício do Moinho Fratelli Maciotta – a Fábrica de Sal – pelo CONDEPHAAT. O fantasma da destruição deste patrimônio cultural e histórico que o rondou no passado não existe mais. A prefeitura elaborou projeto para restauração deste importante espaço, que é um marco na história da industrialização do ABC. Estamos trabalhando para captar parceiros que contribuam com a viabilização deste projeto.

A cidade alcança 64 anos de emancipação. Que mensagem o sr. deixa para os munícipes?

Parabenizo Ribeirão Pires por estes 64 anos. Nossa cidade tem grande riqueza histórica, cultural e natural. Nosso povo é trabalhador e tem garra para superar desafios. Neste momento de celebração por mais um ano do município, devemos refletir a cidade que desejamos hoje e para o futuro. Com a participação de todos, somando esforços e nos apropriando de tantas belezas e coisas boas que Ribeirão Pires proporciona, poderemos concretizar os planos de desenvolvimento para nossa cidade.

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