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Katia Sastre: ‘Maia, infelizmente, sentou em praticamente todas as grandes bandeiras do presidente voltadas à segurança pública’

Katia Sastre: "Em minha primeira eleição, em 2018, a população do ABC depositou em mim a confiança de desempenhar um trabalho eficiente em prol da segurança pública. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Katia Sastre: “Em minha primeira eleição, em 2018, a população do ABC depositou em mim a confiança de desempenhar um trabalho eficiente em prol da segurança pública. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A deputada federal Katia Sastre (PL/SP), que é policial militar e ficou conhecida após reagir a uma tentativa de assalto na porta de uma escola em Suzano, esteve na última segunda-feira (8) em Santo André e Mauá, para a entrega de equipamentos às Guardas Civis Municipais das duas cidades. Em entrevista ao Diário Regional, Sastre fez balanço de seus dois anos de mandato e afirmou que em 2020 foi a parlamentar paulista que mais pagou emendas para a segurança pública do Estado. “Isso é um motivo de orgulho e sinal de que, com a graça de Deus e apoio da população e dos gestores locais, estamos no caminho certo.”

Após dois anos de mandato, quais ações e projetos de sua autoria a sra. destacaria?

Tenho vários projetos que gostaria de destacar, mas vou frisar, um de cada tema que considero relevante.

O primeiro é de saúde e, inclusive, já virou a Lei Complementar 172/2020, que permite a transposição de recursos de saúde de um ano para o outro, a fim de liberar recursos travados para uso no combate à pandemia.

O segundo é PL 1940/2019, na área de educação, que propõe a adoção do PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – em todo território nacional. O programa é um sucesso em várias regiões do país e queremos fazer com que as relações entre as forças de segurança pública e as escolas sejam ainda mais estreitas. Assim, poderemos diminuir os índices de violência e combater o tráfico de drogas por meio do ensino.

O terceiro, o PL 4779/2020, é um projeto que visa permitir aos programas de fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários promotores de valores éticos e cidadãos o recebimento de recursos do PRONAC (Programa Nacional de Apoio à Cultura). Os eventos que promovem esses valores hoje em dia têm dificuldade para receber recursos por falta de previsão expressa na lei. Vamos corrigir esse erro!

Na área de segurança tenho o PL 3317/2020, que limita o direito ao “Saidão”. Quem cometeu crimes contra cônjuge, companheiro, ascendente, descendente ou irmão não deve ter o direito a essas famosas saidinhas temporárias.

Na área de proteção e incentivo à mulher, tenho o PL 5254/2020, que torna obrigatória a presença de matérias de prevenção e combate da violência contra a mulher nos cursos de formação das forças de segurança pública. Tenho ainda o PL 5774/2020, que cria e aperfeiçoa mecanismos que já existem na Lei Maria da Penha e define várias condutas, como assédio sexual.

Para concluir, na parte política, tenho um projeto de resolução da Câmara (PRC 17/2019) que acaba com as hipóteses de votação secreta na Casa. Acredito ser direito do eleitor conhecer como votam seus parlamentares, independentemente do assunto a ser tratado.

O que motivou a sra., que tem base eleitoral em Suzano, a destinar emenda de R$100 mil à compra de armamentos para a Guarda Civil Municipal de Santo André e o mesmo valor a Mauá?

Em minha primeira eleição, em 2018, a população do ABC depositou em mim a confiança de desempenhar um trabalho eficiente em prol da segurança pública. Tive uma votação expressiva em toda a Grande São Paulo. Nada mais do que minha obrigação retribuir este carinho e esta confiança com o meu suor e a destinação de emendas. Foram R$ 300 mil repassados ao ABC na área de segurança, em 2020. Os valores foram pagos com bastante rapidez aos três municípios destinados: Santo André, Diadema e Mauá – cada um recebeu R$100 mil.

Fui a parlamentar paulista que mais pagou emendas para a segurança pública do estado no ano passado. Isso é um motivo de orgulho e sinal de que, com a graça de Deus e apoio da população e dos gestores locais, estamos no caminho certo.

A vitória de Arthur Lira (PP-AL) na eleição para o comando da Câmara deve abrir caminho para projetos caros ao presidente Jair Bolsonaro e que ficaram na gaveta com Rodrigo Maia (DEM-RJ), como o do excludente de ilicitude e a flexibilização de porte e posse das armas. Qual é sua opinião sobre esses projetos?

Rodrigo Maia, infelizmente, sentou em praticamente todas as grandes bandeiras do presidente voltadas à área de segurança pública.

No caso do excludente de ilicitude, houve uma celeuma muito grande no Congresso a respeito do tema tanto no pacote anticrime, quanto no projeto apresentado pelo governo. A briga maior veio da oposição: ela se apropriou da narrativa criada por entidades esquerdistas de direitos humanos de que o excludente ampliaria a violência policial. Nada mais falso! Com mais de 20 anos de experiência na Polícia Militar de São Paulo, atesto que a aprovação do excludente confere a garantia de não punição aos agentes nos casos de legítima defesa. Sabemos o quanto a vida dos agentes de segurança são ameaçadas, mesmo eles andando fardados ou não.

Com a forte narrativa da esquerda, reconhecemos que o tema do excludente de ilicitude ainda é muito controverso para ser pautado no momento, já que o foco, agora, é a aprovação das reformas necessárias para a retomada da economia e dos empregos no país, assim como a derrota desta pandemia.

Por outro lado, a flexibilização do porte de armas, a qual sou totalmente favorável, tem grandes chances de entrar em pauta neste ano. Apesar de também ser um tema controverso, tem grande apoio popular e já vem sendo trabalhado pelo governo por meio de portarias e decretos expedidos desde 2019.

Inclusive, tenho um requerimento de inclusão na ordem do dia para que um dos PLs sobre o tema (PL 3722/2012) seja apreciado em Plenário, pois já se encontra em condições de ser votado. Tenho compromisso firmado com meu eleitorado pela aprovação do porte de arma. Andar armado significa ter mais uma garantia de legítima defesa em um país tão violento como o nosso.

A mesa diretora da Câmara terá no biênio 2021/2022 a maior representação feminina da história, com três mulheres nos principais cargos da Casa. Qual é a importância desse feito?

Nossa cultura, inclusive a política, vem mudando com o tempo, mesmo que seja a passos demorados, em relação à representação feminina. Como mulheres, não viemos competir com os homens, mas complementar com uma visão de mundo mais humanizada. A convivência entre homens e mulheres na esfera pública não deve ser uma luta, como pretende o movimento feminista, mas espaço de debate e respeito à diversidade que cada sexo leva consigo. Estar à frente de grandes cargos reflete a seriedade com que as mulheres têm trabalhado no meio político, caso contrário não estariam nesta posição.

Como aumentar a representação feminina na política, tendo em vista que o sistema de cotas não alcançou o resultado esperado e, pior, abriu caminho para distorções, como as candidaturas-laranja ou de fachada?

Cotas não são o caminho. O caminho é a valorização da mulher enquanto mulher. A mulher é mãe, esposa, dona de casa, profissional. Ela tem inúmeros papéis para dar conta. Com esta realidade, a política de cotas, no fim das contas, é só pra inglês ver e gerar mais casos de corrupção.

Como presidente do PL Mulher em São Paulo, trabalho acompanhando e incentivando as mulheres que têm a vocação a um cargo eletivo a equilibrar essas diversas realidades e trazer a própria vivência e bagagem delas para o mundo político. Isso sim traz grandes resultados nos mandatos. Nós colocamos o coração naquilo que fazemos porque trazemos a experiência de dar toda a nossa vida a quem mais amamos. As cotas não compreendem essa realidade.

O PL elegeu 41 prefeitos no Estado de São Paulo nas eleições do ano passado, dos quais oito na região metropolitana, entre eles os das vizinhas Suzano (Rodrigo Ashiuchi) e Ribeirão Pires (Clóvis Volpi). Como a sra. avalia o resultado das urnas?

O resultado do partido foi bastante expressivo e confirmou o que já estávamos observando: a população valoriza gestões eficientes, que dão resultado. As questões mais ideológicas são comumente discutidas no âmbito federal. É claro que existe um cunho ideológico nas eleições municipais, mas ele não é o principal mote. A zeladoria, a busca por investimentos em segurança pública, a qualidade na saúde e na educação nos bairros de cada cidade é o que decide o voto municipal.

O Partido Liberal consolidou a eficiência da gestão e eu, como deputada federal, me alegro bastante com isso, pois temos muitos parceiros para atender às demandas da população.

Como a sra. avalia a gestão da pandemia de covid-19 pelo presidente Jair Bolsonaro?

Há muitos acertos do presidente na gestão. Há polêmicas? Sim. Mas penso que as opiniões mais fortes dele – muitas delas na contramão do pensamento majoritário – apontam para um esforço em acertar a equação entre saúde e emprego. O Brasil está entre os países que mais está vacinando contra a covid no mundo, abriu um orçamento de guerra, repassou dinheiro aos estados para combater a pandemia. Nossa economia está se reerguendo ao mesmo tempo em que grupos prioritários estão sendo imunizados. Isso é um grande mérito que não pode ser descartado.

A procura pela aprovação das reformas estruturantes no compasso de combate ao vírus é mais uma prova de que a gestão do presidente, por mais polêmica que seja, tem dado resultados positivos.

A gestão errática da pandemia, pelo governo federal, fez crescer a pressão pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Como a sra. avalia essa possibilidade?

Criaram a narrativa de que o presidente estaria cometendo diversos crimes de responsabilidade. Não é o que vejo, assim como a maior parte do Congresso. Um impeachment está fora de cogitação. O povo reconhece os feitos do governo e o Congresso está dando todo o apoio necessário para o país sair desta crise.

O presidente Jair Bolsonaro sinalizou filiação a um novo partido em março e recebeu convites de várias siglas, entre as quais o PL. O que o partido tem a oferecer para convencê-lo?

O PL é um dos partidos da base do governo. Temos apoiado o governo nas suas pautas, pois acreditamos que o país precisa avançar em várias áreas, em especial, na econômica. Além disso, o PL conta atualmente com 42 deputados federais e 3 senadores. O partido teria a oferecer toda a sua estrutura. Com essa quantidade de parlamentares o presidente teria mais tempo de televisão e mais recursos na próxima campanha, além de uma maior capilaridade nos estados. O presidente conseguiria chegar em mais locais por meio dos nossos parlamentares. E, claro, além de tudo, seria uma honra tê-lo entre nós.

2 Comentários

  1. Parabéns Deputada Federal Kátia! É de pessoas como a Senhora q o Brasil precisa. Continue em sua luta pela dignidade do povo de São Paulo e do Brasil, pois cumprir a lei é dever e com esta determinação a lei do mais forte, mais bandido e violento não prevalecerá. Obrigado Deputada.

  2. Parabéns Deputada Federal Policial Katia pela brilhante atuação na segurança pública do nosso Estado de São Paulo.

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