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Justiça mantém prisão preventiva de Atila e João Gaspar, transferidos para CDP de Pinheiros

Justiça mantém prisão preventiva de Atila e  João Gaspar, transferidos para CDP de Pinheiros
Atila Jacomussi teve a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira. Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Folhapress

O prefeito de Mauá, Átila Jacomussi (PSB), e o ex-secretário de Governo João Eduardo Gaspar, presos nesta quinta-feira (13) durante a Operação Trato Feito, da Polícia Federal, foram transferidos nesta sexta-feira para Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, após passarem por audiência de custódia. Sob suspeita de ser o principal beneficiário de ‘mensalão’ de R$ 500 mil bancado por um grupo de nove empresas fornecedoras de sua gestão, Atila Jacomussi é o principal alvo de inquérito que aponta também para o ex-secretário e para 22 vereadores do município, que supostamente recebiam propinas do esquema em troca de ‘apoio político’.

Em nota oficial divulgada por rede social, o prefeito afirma, por meio do advogado de defesa, Daniel Leon Bialski, que lamenta o que considera uma abordagem arbitrária, sem provas concretas que o liguem a quaisquer tipos de fatos ilícitos.

“Os procedimentos adotados pelos agentes federais nada mais são do que deliberações requentadas do processo anterior. Vale frisar que, na ocasião, o STF (Supremo Tribunal Federal) entendeu como excessivas as medidas adotadas contra Atila e, portanto, o permitiu que retornasse ao cargo de prefeito, eleito democraticamente pelo povo de Mauá. Aliás, a defesa estranha o pedido do MPF (Ministério Público Federal) em contestar a competência jurisdicional da Justiça Federal para examinar a causa”, diz.

O CASO

A Polícia Federal apreendeu R$ 1,087 milhão em di­nheiro vivo em endereços de alvos da Operação Trato Feito, nesta quinta-feira. O montante confiscado em residências e escritórios de empresários e políticos está dividido em dólares, euros e reais. Os fe­derais contabilizaram R$ 372 mil, mais US$ 150,3 mil e ain­da 29,4 mil euros.

A Trato Feito é um desdobramento da Operação Prato Feito, deflagrada em maio deste ano e que havia levado Atila  à prisão pela primeira vez. Os novos elementos trazidos aos autos indicam esquema em que nove empresas pagavam vantagens ilícitas a agentes públicos e políticos para a compra de apoio na Câmara, sobretudo para a obtenção de contratos superfaturados.

O único vereador não investigado na operação foi o petista Marcelo Oliveira. À reportagem, o vereador revelou ter ficado surpreso com a ope­ração mirando todos os seus colegas da Câmara e afirmou que nunca lhe foi oferecido nada. “Eu convivo com eles (seus colegas de Legislativo) todos os dias”, afirmou.

O Legislativo de Mauá informou, em nota, que, em relação à operação realizada pela Polícia Federal, “todos os gabinetes foram vistoriados (23 gabinetes de vereadores, mais o gabinete da presidência). Servidores da Câmara prestaram esclarecimentos aos agentes da polícia, colaborando prontamente com a vistoria realizada, que ocorreu de forma tranquila e organizada. Não houve desentendimento e ninguém foi detido. A Câmara de Mauá mantém-se, como sempre esteve, à disposição da Justiça, bem como das demais instâncias de poder, para prestar esclarecimentos que se fizerem necessários”.

Segundo o artigo 56 da Lei Orgânica do Município, Atila tem 15 dias para retornar ao cargo. Enquanto isso, o secretário de Governo e Finanças, Israel Aleixo, é quem despacha interinamente na prefeitura.
Segundo a nota divulgada nesta sexta, “a defesa, assim como o prefeito, tem convicção de que provará mais uma vez a inocência de Atila e que será reconduzido ao cargo de prefeito, assim obedecendo a vontade expressa pelo povo em 2016”.

A Câmara de Mauá já entrou em recesso e os vereadores devem retomar os trabalhos em 12 de fevereiro.

um comentário

  1. O fato de ter sido eleito pelo povo nao lhes da o direito de desviar dinheiro do povo.

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