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Justiça manda prender Eike Batista por suposto repasse a Sérgio Cabral

PF cumpre mandado de busca e apreensão na casa de Eike Batista, no Jardim Botânico. Foto: Tânia Rêgo/ Agência BrasilO empresário Eike Batista foi alvo ontem (26) de mandado de prisão preventiva em desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. Eike é suspeito de ter repassado e ajudado a ocultar propina de US$ 16,5 milhões para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). O valor foi transferido, segundo a Procuradoria, por meio de contrato fictício de intermediação de compra e venda de uma mina de ouro.

Em viagem ao exterior, Eike não havia se apresentado às autoridades até as 20h30 de ontem. O empresário foi considerado foragido pela Polícia Federal e incluído na difusão vermelha da Interpol. Eike havia embarcado na terça (24) para Nova York com um passaporte alemão – tem dupla nacionalidade, já que sua mãe é alemã. Advogados negam que Eike tenha a intenção de fugir e afirmam que se apresentará à Justiça “em breve”.

O empresário, que chegou a ser considerado um dos mais ricos do mundo e assistiu à derrocada de seus negócios nos últimos anos, foi alvo de um dos nove mandados de prisão expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal no Rio, na deflagração da Operação Eficiência – referência ao nome de uma das contas no exterior de Cabral.

No Rio, ficavam a sede de suas empresas e alguns de seus maiores empreendimentos, como o porto do Açu, no norte fluminense. Os procuradores, porém, não apontaram quais benefícios Eike pode ter recebido a partir da propina que teria sido paga.

Eike e Cabral eram próximos. De 2009 a 2011 o peemedebista e sua mulher, Adriana Ancelmo, usaram por 13 vezes jatinhos do empresário. Eike já havia sido citado na Operação Calicute -primeira fase da Lava Jato no Rio – por ter repassado R$ 1 milhão ao escritório de advocacia de Adriana Ancelmo.

Em depoimento espontâneo aos procuradores, o empresário disse que esse pagamento se referia a serviços prestados a um fundo de investimento com a participação da Caixa Econômica Federal, que teria indicado o escritório. O banco negou ter sugerido a operação, o que reforçou as suspeitas contra Eike.

Cabral, réu em duas ações penais, foi preso em novembro, suspeito de cobrar propina em obras públicas. Sua mulher está detida desde dezembro. Além do ex-governador do Rio, outros dois dos alvos da ação desta quinta já estavam presos. Francisco de Assis Neto também não foi localizado.

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