Mauá, Minha Cidade, Sua região

Justiça determina reintegração em Mauá

Prédio já abrigou um equipamento estadual e está vazio há pelo menos sete anos. Foto: Reprodução FacebookA juíza da 1ª Vara Cível de Mauá, Maria Eugênia Pires Zampol, acatou pedido da prefeitura e determinou a reintegração de posse de imóvel que foi ocupado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário, há cerca de uma semana. O movimento reivindica a criação de um centro de referência para mulheres vítimas de violência.

Em sua decisão, a juíza afirma que “o fato das requeridas participarem de eventual movimento social, não torna lícita a invasão ocorrida, que não pode servir para eventualmente pressionar o Poder Público a construir o pretendido Centro de Referência”.

As ocupantes alegam que o ato tem como objetivo a defesa à vida das mulheres. “Não temos centros de referência para atender mulheres vítimas de violência. Não temos delegacias que funcionem 24 horas, não temos políticas públicas eficientes para enfrentar a questão”, afirmou a integrante do movimento Victoria Magalhães. O grupo quer que a prefeitura construa um centro de referência na cidade.

A ocupação Helenira Preta – em homenagem à Helenira Resende, mulher negra assassinada e desaparecida pela ditadura militar – tem se consolidado e sido frequentada por muitas pessoas. “Ainda não recebemos nenhuma mulher vítima de violência, mas é nítida a curiosidade e o interesse de quem passa por aqui, de saber o que estamos propondo”, destacou Victória. Ainda sem água e luz, uma vez que o prédio que já abrigou um equipamento estadual está vazio há pelo menos sete anos, os ocupantes têm improvisado para manter as condições de permanecer no espaço.

“Temos ficado à luz de velas e a água tem sido trazida em galões”, relatou a integrante. Doações são bem-vindas. O local realizou ontem (27) um brechó para angariar fundos e diversas oficinas e palestras, como uma oficina de tranças nagô e dança africana. “Vamos resistir e permanecer aqui. Queremos que o poder público atenda à nossa demanda, pode ser em outro prédio, mas precisamos do centro de referência”, destacou Victória.

“Existem muitas mulheres que vivem em situação de violência doméstica, mas não têm apoio, não tem para onde ir, para romper com a sua realidade. O centro de referência é o espaço que vai acolher, encaminhar para uma casa abrigo, trabalhar pela geração de renda dessa mulher. Um equipamento de extrema importância”, ressaltou a integrante do movimento.

Sem consenso

Uma reunião com integrantes da administração municipal foi realizada na terça-feira (25), mas as partes não entraram em acordo e a Prefeitura de Mauá entrou com pedido de reintegração de posse do imóvel, já deferido.

O Movimento de Mulheres Olga Benário tem atuação nacional e já ocupou imóveis em cidade de Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, onde centros de referências foram implantados. Outras informações sobre a Ocupação Helenira Preta podem ser obtidas na página do Movimento de Mulheres Olga Benário no Facebook: http://zip.net/brtM

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