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Jovem marcada com suástica forjou crime, conclui polícia

A investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul sobre o caso da jovem que teve uma suástica marcada no corpo em Porto Alegre foi encerrada nesta quarta-feira (24) com a conclusão de que ela forjou a mutilação.

A estudante havia relacionado a suposta agressão ao fato de estar usando, no dia seguinte ao primeiro turno, uma mochila na qual havia um adesivo com as cores do movimento LGBT e a inscrição “ele não”, de protesto contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Após a divulgação da conclusão das autoridades, o candidato disse em uma rede social esperar retratação de quem associou o ocorrido a ele e seus apoiadores. Afirmou ainda que as denúncias que buscam ligar seu nome a agressões são orquestradas por eleitores de adversários.

“Esperamos uma retratação de todos os que, mesmo com nosso repúdio, irresponsavelmente e sem provas associaram a nós os casos de pichações e ‘agressões’ nazistas, hoje revelados falsos pelas autoridades”, disse o deputado.

O procedimento sobre o caso da suástica seria enviado à Justiça nesta quarta-feira (24). A jovem deve responder por falsa comunicação de crime. Sua defesa contesta as conclusões e pede mais investigação.

Em laudo do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul, todos os indícios apontam que ela ou se automutilou ou foi marcada por outra pessoa com seu consentimento.

Os ferimentos, superficiais e de profundidade uniforme, dificilmente seriam produzidos se a vítima tivesse “preservada sua capacidade de reação, seja por medo, susto ou reflexo”, diz o documento.

O delegado Paulo César Jardim, responsável pelo caso, afirmou que a jovem, uma estudante de pré-vestibular de 19 anos, é uma pessoa “doente, debilitada emocionalmente” e que toma remédios psiquiátricos “fortíssimos”.

Jardim disse que ela demonstrava resistência em levar o caso adiante na polícia e que só registrou ocorrência porque uma amiga, não identificada, queria divulgar a agressão em redes sociais.

O policial, porém, descartou que a jovem tenha forjado a situação com intenção política, para afetar Bolsonaro.

A foto das marcas no corpo dela chegou a ser mostrada no horário eleitoral de Fernando Haddad (PT), em um trecho sobre a violência política pelo país no segundo turno.

A investigação afirma que mapeou as ruas por onde a jovem passou no dia do suposto crime e que mais de 20 pessoas, entre comerciantes, síndicos e guardadores de carro foram entrevistadas. Nenhuma disse ter visto algo suspeito.

“Em nenhuma dessas câmeras [de segurança] aparece qualquer tipo de agressão e muito menos a possível vítima. Doze câmeras, com mais de duas horas de filmagem e em nenhuma delas ela apareceu”, afirmou o delegado.

Jardim causou polêmica ao falar, após a divulgação do caso, que o sinal marcado não era nazista, mas, sim, um símbolo budista de fraternidade.

Para o médico Luciano Hass, que é do Instituto Geral de Perícias e contribuiu no laudo, quase todas as características do caso batem com as de lesões autoinfligidas. Mas fez uma ressalva: “Não tem como afirmar de forma inequívoca. A medicina legal não é uma ciência exata. A gente trabalha com probabilidades”.

A advogada Gabriela Souza, que defende a jovem, afirmou em nota que qualquer conclusão antes de esgotada a avaliação de todos os elementos possíveis “pode não representar a realidade dos fatos”.

Ela quer, por exemplo, que pessoas que prestaram auxílio à cliente sejam ouvidas e que sejam apresentadas imagens de câmeras de segurança.

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