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José de Filippi é citado nas delações da Odebrecht

Ex-prefeito de Diadema, Filippi declarou que acusações carecem de provas. Foto: ArquivoEm depoimento dado à força tarefa da Operação Lava Jato, o ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas Silva, que era responsável pelo Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira, o setor que pagava as propinas aos políticos, afirmou que o ex-prefeito de Diadema e ex-tesoureiro do PT em 2006 e 2010, José de Filippi Jr, era “ávido por dinheiro”. O ex-prefeito, por meio de sua assessoria, negou todas as acusações.

Em vídeo reproduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo e pelo Jornal Nacional, da TV Globo, no último sábado (15), Silva relata que o departamento começou a ser implementado em 2006 e que foi preciso muito trabalho para montar todo o esquema. “Foi logo depois que eu entrei. Foi uma loucura. Você tinha eleição para presidente, senador, deputado federal, deputado estadual, governador. Então, era uma loucura. A área não tinha nem experiência, nem estrutura”, declarou.

Sobre José de Filippi, o ex-executivo afirmou que era tão ávido por dinheiro, que antes do montante chegar, o ex-prefeito já estava na porta esperando autorização para entrar. Os pagamentos aos partidos aumentaram muito após a implementação do departamento. Passaram de US$ 60 milhões em 2006 para US$ 730 milhões em 2012, caindo em 2014 para US$ 450 milhões. Mais de US$ 3,3 bilhões em oito anos, ou mais de R$ 10 bilhões.

O nome de José de Filippi foi citado quando Silva foi questionado sobre quem tratava sobre os pagamentos. O ex-prefeito de Diadema foi tesoureiro na campanha de 2006, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito, e também em 2010, a quando a ex-presidente Dilma Rousseff se elegeu pela primeira vez.

Segundo Silva, a queda nos valores se deu por falta de capacidade da empresa em manter o ritmo alto de pagamentos. O ex-executivo declarou que alertou ao presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, que seria um suicídio financeiro. “Já estava virando o cara ter o prazer de comprar alguém”, declarou.

Outro lado

Filippi, por meio de sua assessoria, negou todas as acusações e destacou que elas carecem de comprovação. Segundo o ex-prefeito, em 2006 houve dois encontros com os senhores Pedro Novis e Benedito Jr., “indicados pela Odebrecht”, para dialogar sobre doações oficiais à campanha presidencial. “Não estive mais na empresa e toda comunicação foi feita por e-mail.

Todos os recursos doados foram via TED (Transferência Eletrônica Disponível) declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou as contas”, afirmou em nota.

“Desafio o senhor Hilberto Mascarenhas, com quem nunca conversei ou mesmo conheci, a provar o que ele fala. Nunca me comportei como um mascateiro cobrando repasses junto a quem quer que seja. Tenho minha consciência tranquila”, declarou o ex-coordenador financeiro das campanhas presidenciais de 2006 e 2010.

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