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Joel Fonseca: ‘pretendemos atrair novas empresas, considerando as vantagens competitivas de Diadema’

Joel Fonseca: “Estamos em diálogo constante com potenciais investidores”. Foto: Divulgação/PMD
Joel Fonseca: “Estamos em diálogo constante com potenciais investidores”. Foto: Divulgação/PMD

Joel Fonseca assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Diadema em meio à crise provocada pela pandemia de covid. Em entrevista ao Diário Regional, Fonseca afirmou que conseguiu trazer para a pasta um quadro de especialistas com muita experiência na gestão pública. Destacou, ainda, o compromisso da administração com a Economia Solidária, a criação de Centro Público Digital de Emprego e a rearticulação Arranjos Produtivos Locais.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho divulgou, nesta semana, o primeiro Boletim Econômico de Diadema de 2021, ela­borado pelo Observatório Econômico e do Trabalho, no qual são apresentados os números de empregabilidade formal no município.

Segundo o documento, foram criados 1.247 novos empregos no primeiro bimestre deste ano, resultado de 5.564 admissões contra 4.317 desligamentos. Para o secretário de Desenvolvi­mento Econômico e Trabalho de Dia­dema, Joel Fonseca, os números refletem o trabalho desenvolvido pela prefeitura para aperfeiçoar e incrementar a economia do município, com a criação de empregos e geração de renda

Ao Diário Regional, o secretário destacou que o programa de geração de vagas implementado pela prefeitura é amplo e visa à recuperação econômica resiliente e inclusiva, apoiando traba­lhadores e empresas em risco, considerando suas necessidades e seus direitos.

Após oito anos de gestão Lauro Michels (PV), como o sr. encontrou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, em termos de estrutura e corpo técnico?

Em janeiro, a Sedet ocupava duas pequenas salas comerciais e contava com um corpo técnico muito diminuto, que se virava para manter minimamente o funcionamento da se­cretaria. Por sua vez, a Economia Solidária era tocada quase que exclusivamente por esta­giários e pela Frente de Trabalho. Conseguimos trazer um quadro de especialistas com muita experiência na gestão pública. Estamos pleiteando novo espaço, para ampliarmos o atendimento aos cidadãos e os empreen­dedores de Diadema.

Com o país mergulhado na maior crise sanitária de sua história, é natural que a prefeitura direcione todos os esforços – e recursos – ao combate à pandemia de covid-19. Nesse sentido, há espaço no orçamento para projetos na área de Desenvolvimento Econômico?

Na administração passada, a secretaria possuía o menor orçamento entre todas as pastas. Não havia nenhuma margem para elaboração de projetos. O orçamento era basicamente despesa de pessoal. Quando o (José de) Filippi  assumiu, a secretaria recebeu reforço no orçamento que permitirá o início dos projetos que constavam no Plano de Governo.

Quais serão as prioridades da secretaria? É possível elencar alguns projetos?

Temos um forte compromisso com a Economia Solidária, reativando e incubando cooperativas que estavam abandonadas. Vamos potencializar o serviço de intermediação de mão-de-obra. Nesse sentido, lançaremos em breve um Centro Público Digital de Emprego, um ambiente virtual, totalmente gratuito, para que o trabalhador desempregado possa cadastrar seu currículo e candidatar-se as vagas de emprego disponibilizadas pelas empresas da região.

Outra prioridade é viabilizar que segmentos mais vulneráveis da população tenham acesso ao mundo de trabalho (jovens em situação de rua; mu­lheres vítimas de violência doméstica; LGBTI+; imigrantes e refugiados; egressos do sistema prisional; pessoas em situação de drogadição, e comunidades tradicionais).

Vamos rearticular os Arranjos Produtivos Locais, principalmente o setor de cosméticos; e estreitar a relação com as universidades visando às parcerias para implementação de políticas de pesquisa e inovação.
O programa de geração de emprego e renda é amplo. As ações visam recuperação econômica resiliente e inclusiva, apoiando trabalhadores e empresas em risco, considerando suas necessidades e seus direitos.

Nesse sentido, a Sedet tem o papel importante de articulação com os demais setores da sociedade (sindicatos, pequenos empreendedores, empresas, universidades) para dinamizar o mercado de trabalho.

Uma das marcas das gestões petistas em Diadema sempre foi o estímulo à economia solidária.

Estamos identificando nas comunidades os interessados em participar de empreendimentos solidários. Alguns segmentos estão na etapa de mobilização e sensibilização dos possíveis cooperados, outros segmentos já estão na etapa de montagem das cooperativas (definição de estatuto, organização administrativa, jurídica e contábil). A incubação pretende atender, principalmente, segmentos voltados à costura, zeladoria, alimentação, artesanato, catadores, entre outros.

Outra marca da gestão José de Filippi foi a organização do Polo de Cosméticos, que a administração anterior tentou ressuscitar. Como está essa iniciativa?

Contratamos uma especialista com experiência na indústria de cosméticos para dinamizar o Polo de Cosméticos. Estamos estreitando relacionamento com o governo do Estado para planejarmos ações conjuntas, e também contamos com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de SP) como um importante parceiro.

Diadema perdeu, nos últimos anos, empresas do porte de Nakata e Freudenberg-NOK, em um processo de desindustrialização que deve se acentuar devido à pandemia. O que a prefeitura pode fazer para freá-lo?

Estamos em diálogo constante com potenciais investidores que queiram trazer suas empresas para a cidade. Pretendemos atrair novas empresas, considerando as vantagens competitivas de Diadema. Temos uma importante política de incentivos fiscais, temos uma localização privilegiada, rodovias, galpões ociosos, mão-de-obra qualificada. Precisamos divulgar essas vantagens e desburocratizar o processo de aber­tura de novas empresas.

A segunda onda da co­vid-19 forçou o governo do Estado e os municípios a fechar boa parte do comércio e dos serviços. O que a prefeitura pretende fazer ou está fazendo para que as empresas desses setores sobrevivam a esse período?

Para as empresas optantes do regime do Simples Nacional que não demitiram seus funcionários, a prefeitura concede benefício para desconto de 50% do IPTU por até cinco anos. A prefeitura também mantém parceria com o Banco do Povo para facilitar o acesso à linhas de crédito, reforçando o capital de giro desses empreendimentos. Além disso, em parceria com o Consórcio do ABC e o Sebrae, a prefeitura está oferecendo programa de mentoria 100% online e gratuito aos empreendedores que buscam manter seus negócios em tempos de pandemia.

A administração anterior alterou a Lei de Incentivos Fiscais e garantiu que a legis­lação conseguiu reter empresas e atrair novos negócios para a cidade. Como o sr. analisa as mudanças? Pretende alterá-la novamente?

Entendemos que a Lei de Incentivos Fiscais é interessante. Porém, precisa de alguns aprimoramentos. Por exemplo, em contrapartida ao benefício fiscal a empresa teria que aderir a um programa de responsabilidade social, ou ressaltar no texto da lei de incentivo algumas atividades prioritárias, como tecnologia e inovação. Porém, qualquer alteração será debatida democraticamente no âmbito do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social (COMDES).

O sr. se reuniu com a diretoria regional do Ciesp Diadema. O que foi discutido nesse encontro?

O Ciesp é uma importante parceira da Sedet e da administra­ção municipal. O Ciesp oferece uma série de serviços que podem dinamizar o setor industrial, potencializar negócios, exportações, inovação e capacitação. Nesse sentido, contamos com a entidade para desenvolvermos ações que promovam a recuperação econômica do município.

Uma das marcas de sua passagem anterior pela Se­cretaria de Desenvolvimento Econômico foi o diálogo cons­tante com o empresariado da cidade, apesar de sua origem sindical. Será assim também nesta gestão?

Procuramos dialogar com todos os atores sociais que podem contribuir com o desenvolvimento econômico de Diadema. É de suma importância a cooperação dos diferentes atores sociais na resposta à crise, bem como na recuperação estrutural da sociedade. É necessário que a sociedade civil, iniciativa privada e as universidades apoiem e contribuam para um novo mundo do tra­balho, mais inclusivo, igualitário, inovador e criativo.

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