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Isolamento ou sentença de morte?

Isolamento ou sentença de morte?
Foto: Arquivo pessoal

O coronavírus trouxe alerta mundial e, consequentemente empresas aderiram ao chamado ‘home office’. Para alguns, trata-se de um ambiente de trabalho mais prazeroso e moderno, porém, para a comunidade mais pobre, principalmente as mulheres, houve aumento do sofrimento perante seus parceiros.

A maioria das mulheres que sofre violência doméstica depende emocionalmente e financeiramente de seus parceiros e o maior convívio resultante do isolamento social, aumentou significativamente o número de agressões.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 70% dos profissionais de saúde que estão na linha de frente, em condições mais vulneráveis, no combate ao vírus são mulheres. Posto que o estado de quarentena coloque as pessoas no ócio da atividade de trabalho, esse processo apontou como consequência a elevação da pressão psicológica e também o aumento nos índices de violência de gênero.

Em São Paulo, o feminicídio dobrou durante a quarentena em comparação a 2019 no mesmo período. Enquanto para alguns trata-se de lazer, para outros pode significar uma sentença de morte.

O isolamento provoca estresse elevado em razão de perda de emprego e da diminuição da renda familiar, sem contar que muitas famílias de baixa renda se amontoam em lugares minúsculos.

O alto índice de violência já existia antes da pandemia e, lamentavelmente, tende a aumentar por conta da permanência do isolamento, do uso de álcool e de drogas, associados à escassez de possibilidades de trabalho e renda.

Penso que não se trata apenas de julgar agressor ou e vigiar a vítima. O Estado, aliado à sociedade, devem traçar estratégias de inteligência emocional, capacitação profissional para conscientizar as vítimas que existe vida diferente e melhor fora daquele ambiente.

Se solidarizar com as vítimas é essencial e a orientação correta é primordial. Mulheres nessa situação precisam ser fortalecidas, pois estão vulneráveis e desacreditadas.

A violência para muitas é algo tão comum que ao se acostumar com a situação, na maioria das vezes, se recusam a buscar ajuda da família, amigos e autoridades.

É importante que estejamos juntos por um mundo menos dolorido. Então, não se cale!

O 180 é um dos principais canais para este fim. Vamos lutar pela diminuição da violência.

Larissa Marques, é advogada e sócia da Marques Fonseca Advocacia
www.marquesfonseca.adv.br

5 Comentários

  1. LAIS HELENA MEYER CAPARROZ

    Excelente texto!!! é uma triste realidade e todos devemos nos mobilizar no que for possível para ajudar.

  2. Ótima colocação. Parabéns a doutora Larissa Marques. Excelente artigo.

  3. Realmente é assustador. Tive a oportunidade de assistir palestras relacionadas e ver o aumento do índice da violência no lar em maio a pandemia.

  4. Claudio de Souza Morais

    Concordo Dra. Larissa.
    Precisamos cobrar de nosso governo mais políticas públicas voltadas para informação, incentivo às mulheres vítimas desses abusos e violência doméstica. Há uma necessidade urgente de utilização melhor dos meios de comunicação do governo, de entidades de todos os segmentos da sociedade convergidas para apoio psicológico e se necessário, acolhimento dessas vítimas da nossa sociedade.

  5. A realidade retratada de forma consciente, aprontando a necessidade de busca de soluções que prioriza a pessoa humana, e não apenas resolver o problema social de forma impessoal. Parabéns, Dra. Larissa Marques.

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