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Irã anuncia ação legal contra os EUA e eleva tensão entre os dois países

Hassan Rohani acusa Washington de “negligência” na implementação do tratado. Foto: Onu

O presidente do Irã, Hassan Rohani, encarregou seu ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, de abrir uma ação legal contra os Estados Unidos (EUA) por causa de “atrasos” na implantação do acordo nuclear assinado em 2015 e da extensão das sanções contra o país. As informações são da Agência Ansa.

Rohani também pediu a seu chanceler para iniciar um procedimento “diplomático” e apresentar os resultados dentro de um mês e ordenou à Organização de Energia Atômica do Irã que planeje a construção de propulsores nucleares para transporte marítimo.

No início de dezembro, o Senado dos EUA aprovou a prorrogação das sanções contra Teerã, que terminariam no fim de 2016, por mais 10 anos. A medida foi aprovada por 99 a 0 e agora está na mesa do presidente Barack Obama, que pode sancioná-la ou não.

Segundo os senadores, a iniciativa não viola o acordo nuclear entre o Irã e as maiores potências do planeta, mas Rohani diz que trata-se de uma “clara violação” ao pacto e acusa Washington de “negligência” na implantação do tratado.

O acordo foi assinado em julho de 2015 e entrou em vigor em janeiro deste ano, prevendo a eliminação progressiva das sanções impostas à economia iraniana. Em troca, os iranianos se comprometeram a limitar suas atividades nucleares, reduzir seu número de centrífugas de 19 mil para 6,1 mil em 10 anos e permitir inspeções periódicas da Organização das Nações Unidas (ONU) em suas instalações.

Falsidade

Apesar do pacto, o aiatolá Ali Khamenei alertou em diversas ocasiões para a “falsidade” de Washington e pediu para os iranianos não acreditarem nas promessas norte-americanas. Na opinião dos senadores americanos, a extensão das sanções foi aprovada apenas para mostrar a Teerã que, caso o tratado não seja respeitado, as consequências serão imediatas.

A retomada da tensão entre os dois países ocorre a pouco mais de um mês da posse do presidente eleito Donald Trump, que já prometeu engavetar o acordo nuclear.

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