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Intervenção de Bolsonaro na Petrobras derrete ações de estatais e derruba Bolsa

Intervenção de Bolsonaro na Petrobras derrete ações de estatais e derruba Bolsa
Ações ON e PN da Petrobras tiveram perdas superiores a 20% no pregão desta segunda. Foto: Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo

A intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Petrobras, com o anúncio, na última sexta-feira, de que trocaria o pre­sidente da estatal, trouxe forte impacto para o mercado financeiro nesta segunda-feira (22). As ações da petrolífera, claro, lidera­ram as perdas do Ibovespa, com queda de mais de 21%.

Porém, os efeitos não se res­tringiram à petrolífera. Os papéis de outras estatais também tiveram queda forte: Banco do Brasil caiu 11,06% e Eletrobrás, cerca de 0,69%, após recuar mais de 7% no começo do pregão.

Em resposta, a Bolsa bra­sileira (B3) fechou em queda de 4,87%, aos 112.667,70 pontos, maior queda para um único dia desde 24 de abril e menor va­lor de fechamento desde 3 de dezembro. Na mínima do dia, o Ibovespa tocou os 111.650,26 pontos, menor nível intradia desde 2 de dezembro.

Os papéis ON e PN da Petrobrás tiveram quedas de 20,48% e 21,15%, respecti­va­mente. “So­zinhas, as duas ações da Pe­tro­bras derrubaram mais de dois mil pontos do índice”, des­tacou João Vitor Freitas, ana­lista da Toro Investimentos.

Perto do fim da sessão, a notícia de que um juiz fede­ral de primeira instância em Minas Gerais determinou que Bolsonaro preste informações em 72 horas sobre a troca de comando na estatal levantou o temor de que a questão venha a ser judicializada, inclusive no exterior, observou um ope­rador. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por sua vez, anunciou a abertura de um processo para investigar a troca no comando da estatal.

Somente nesta segunda-feira, a perda em valor de mercado da companhia somou R$ 73,2 bilhões. No pregão anterior, depois das ameaças do presidente, houve perda de R$ 28,2 bilhões.

Na segunda, casas como XP, Bradesco BBI e Credit Suisse reduziram o preço-alvo e cortaram a recomendação para as ações da petrolífera – o JP Morgan, por sua vez, rebaixou a recomendação para os bonds da empresa. “Evidentemente, temos uma situação negativa não apenas para os papéis da Petrobras, como também para os ativos brasileiros em geral, levando o mercado a reprecificar o ‘risco Bolsonaro’”, disse Pedro Paulo Silveira, gestor da Nova Futura Investimentos.

Colocando o cenário macro em revisão, a Ativa Investimentos prevê câmbio e juros mais elevados, deterioração fiscal possivelmente maior e Produto Interno Bruto (PIB) mais baixo. “O discurso dele (Bolsonaro) tor­na-se populista quando se vale de uma tentativa de colocar o povo como explorado. Ao afirmar que não vai interferir e adiciona um ‘mas’, o presidente está justificando a interferência, o que implica incoerênci­a”, ob­servou em nota Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa.

CÂMBIO

O câmbio também foi afetado pela pressão interna causa­da pela interferência na Petrobras. O dólar fechou em alta de 1,27%, cotado a R$ 5,4539, mas chegou a bater em R$ 5,53 na máxima do dia. O leilão de US$ 1 bilhão de dólares feito pelo Banco Central teve efeito mo­derado sob a moeda. A turbulência também faz crescer a aposta na alta dos juros: cresceram as projeções de aumentos de 0,5 ponto porcentual da Se­lic, a taxa básica de juros bra­sileira, em março e maio.

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