Economia, Notícias

Inflação supera teto da meta, vai a 6,10% em 12 meses e pressiona Selic

Inflação supera teto da meta, vai a 6,10% em 12 meses e pressiona Selic
Gasolina ficou mais cara na bomba após reajustes nas refinarias. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,93% em março, acima da taxa de 0,86% re­gistrada em fevereiro. Trata-se do maior resultado para o mês desde 2015, quando foi apurada inflação de 1,32%.

Os dados foram divulgado­s nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Bra­sileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a acele­ração, o indicador acumulado em 12 meses alcançou 6,10% e estourou o teto da meta do gover­no pa­ra a inflação de 2021, o que não ocorria há quatro anos. O centro da meta do go­ver­no para o IPCA é de 3,75%, po­dendo variar 1,5 ponto porcen­tual para baixo ou para cima – ou seja, entre 2,25% e 5,25%.

O dado do IPCA de março reforça a perspectiva de nova alta na taxa Selic em maio. O Banco Central ele­vou a taxa de juros em 0,75 ponto porcentual no mês passado, para 2,75%, e sinalizou que deve fazer novo aperto da mesma magnitude em maio, salvo uma “significativa mudança” nas projeções de inflação.

Os principais impactos pa­ra o resultado de março vêm dos aumentos nos preços de combustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%). Com alta de 11,26%, a gasolina foi o item que exerceu o maior impacto sobre o índice geral do mês (0,60 ponto porcentual).

“Foram aplicados sucessi­vos reajustes nos preços da ga­solina e do óleo diesel nas refinarias entre fevereiro e março, o que impactou os preços para o consumidor final nas bombas. A gasolina teve alta de 11,26% nos postos; o etanol, 12,59%, e o óleo diesel, de 9,05%. O mes­mo aconteceu com o gás, que teve dois reajustes nas refinarias nesse período, acumulando alta de 10,46%. Agora o consumidor percebe esses aumentos”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Uma boa notícia para o con­sumidor é que a inflação do gru­po Alimentação e Bebidas (0,13%) vem desacelerando. O pre­ço continua subin­do, mas em menor ritmo. As va­ria­ções anteriores foram 1,74% em dezembro, 1,02% em ja­neiro e 0,27% em fevereiro.

“Os alimentos tiveram al­ta de 14,1% em 2020. Porém, desde dezembro, apresentam tendência de desaceleração. Al­guns fatores contribuem pa­ra isso, como a maior estabi­lida­de do câmbio e a redução na demanda por conta da suspen­são do pagamento do auxílio emergencial nos primeiros me­ses do ano”, disse Kislanov.

Para quem só come em casa, a alimentação no domicílio teve queda de 0,17%, enquanto a alimentação fora de casa teve alta de 0,89%. Recuos nos preços do tomate (-14,1%), da batata-inglesa (-8,8%), do arroz (-2,1%) e do leite (-2,3%) baratearam as re­feições em casa. Porém, as car­nes (0,85%) seguem em alta, embora a variação tenha sido inferior à de fevereiro (1,7%).

As famílias gastaram 0,81% a mais com habitação em mar­ço, com contribuição de 0,12 ponto para o IPCA geral. Além da alta do gás, a energia elétrica ficou 0,76% mais cara, ape­sar da manutenção da bandeira tarifá­ria amarela.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*