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Inflação oficial é a maior para maio em 25 anos e atinge 8,06% em 12 meses

Inflação oficial é a maior para maio  em 25 anos e atinge 8,06% em 12 meses
Alta na energia elétrica pressionou o IPCA, que está bem acima da meta perseguida pelo Banco Central

Pressionada, principalmen­te pela alta da energia elétrica, a inflação oficial de maio disparou e alcançou 0,83%, a maior taxa para o mês desde 1996, quando atin­giu 1,22%. O resul­tado também ficou acima do re­gistrado em abril (0,31%).

Com isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 3,22% no ano e de 8,06% nos últimos 12 meses. Trata-se do maior patamar desde setembro de 2016, quando es­ta­va em 8,48%, mostram da­­dos divulgados ontem (9) pe­­lo Instituto Brasileiro de Geo­­grafia e Estatística (IBGE).

O IPCA acumulado em 12 me­ses está, portanto, bem aci­ma da meta perseguida pelo Banco Central para este ano, que é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (de 2,25% a 5,25%).

O cenário inflacionário po­de estimular o BC a acelerar o aper­to monetário na próxima reunião do Copom, marcada pa­ra a semana que vem. Atual­mente, a taxa básica de juros (Selic) está em 3,5% ao ano, após duas altas seguidas de 0,75 ponto porcentual cada nas reuniões de março e maio.

No mês passado, as famílias gastaram 1,78% a mais com Ha­bi­tação, contribuição de 0,28 pon­to porcentual para o IPCA geral. A ener­gia elétrica subiu 5,37% e ge­rou o maior impacto individual no índice, contribui­ção de 0,23 ponto porcentual.

Em maio, passou a vigo­­rar no país a bandeira tarifária verme­lha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Entre janeiro e abril estava em vigor a amarela, com acréscimo menor, de R$ 1,343.

“Outro fator é a série de reajustes ocorridos no final de abril em várias concessio­nárias de energia espalhadas pelo país”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

O segundo maior impacto no índice veio do grupo Transportes (0,24 ponto porcentual), que teve aumento de 1,15% em maio. Nele, o maior impacto veio da alta de 2,87% da gasolina, cujos preços haviam recuado 0,44% em abril. No ano, a gasolina já está 24,7% mais cara. Em 12 meses, o combustível acumula aumento de 45,80%.

O grupo Alimentação e be­bidas, que havia registrado alta de 0,40% em abril, variou 0,44% em maio. Os preços da alimentação no domicílio desa­ce­leraram (0,23%) ante abril, quando subiram 0,47%. Essa desaceleração se deve, sobretudo, à queda nos pre­ços de frutas (-8,39%), cebo­la (-7,22%) e arroz (-1,14%). As carnes (2,24%), por sua vez, continuam a subir e acumulam alta de 38% em 12 meses.

Para Kislanov, o aumento das carnes é um dos fatores que explicam por que comer fora de casa ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,98% em maio e, no mês anterior, havia subido 0,23%. As altas nos preços do lanche (2,10%) e da refeição (0,63%) contribuíram para o aumento.

No grupo Saúde e cuidados pessoais, que teve aumento de 0,76% em maio, a maior contribuição veio dos produtos far­macêuticos (1,47%). A va­riação ainda reflete o reajuste de até 10,1% autorizado pela Câma­ra de Regulação do Mercado de Me­dicamentos (CMED) em abril.

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