Histórias da gente

Inês Maria de Filippi: “é o conhecimento, a informação, que muda rumos”

Inês Maria: “em um país que não tem pleno emprego e com a economia do jeito que está, continuarão a existir pessoas necessitadas”. Foto: Reprodução Facebook
Inês Maria: “em um país que não tem pleno emprego e com a economia do jeito que está, continuarão a existir pessoas necessitadas”. Foto: Reprodução Facebook

Inês Maria de Filippi está à frente do Fundo Social de Solidariedade de Diadema desde o início deste ano. Funcionária concursada da prefeitura e assistente social, a primeira-dama sempre esteve à frente da construção de políticas públicas, em projetos da própria administração municipal.

A primeira-dama afirma que o Fundo Social estava bem parado, até devido à pandemia, e com um pequeno estoque de arrecadação ainda não entregue, como revistas infantis e toalhas. “De imediato demos uma destinação a essas doações em nossa própria rede e nos preparamos para os desafios que viriam.”

Segundo Inês Maria, a primeira ação ao assumir a presidência foi entender a atuação do Fundo e como poderia servir para prestar um atendimento mais imediato à população, que estava passando fome e perdendo emprego.

“Não havia nem cestas básicas nos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) para distribuir. Então, organizamos a primeira ação, que foi a criação de um Comitê de Combate à Fome, puxado pelo Fundo, mas com a participação de diversas secretarias, mais especialmente as de Assistência Social e Cidadania e a de Segurança Alimentar”, destaca.

Após a criação do Comitê já foram arrecadas 300 toneladas de alimento, distribuídas para mais de 40 mil famílias ao longo de todo o ano, pela Campanha Sua Fome Me Incomoda. “Foram doações de empresas, de entidades, de pessoas físicas, condomínios, servidores públicos, do Fundo Social Estadual, de sindicatos supermercados, igrejas. Uma ampla rede foi formada, utilizando até de parcerias para adquirir produtos da agricultura familiar – ajudando os dois lados, quem precisa do alimento e o pequeno produtor, que também passa necessidade e precisa escoar sua produção”, ressalta Inês.

Outro desafio encontrado foram os bancos de sangue vazios, o que levou ao lançamento da campanha Solidariedade Está No Sangue. “Em seguida foi a vez da Aquece Diadema que, mais que uma campanha do agasalho apenas, procurou acolher os mais vulneráveis que passavam frio, principalmente a população em situação de rua. Grupos de voluntários percorriam as ruas oferendo abrigo, alimento e cobertores e rou­pas. Mais vagas foram abertas nos abrigos conveniados, até os animaizinhos foram trazidos para dentro, tudo em um esforço coletivo para que ninguém ficasse para trás.”

No segundo semestre a primeira-dama cita a campanha de combate à pobreza menstrual, a Ciclo do Bem, que visou à a arrecadação de absorventes e produtos de higiene para as diademenses sem condições de comprá-los.

As campanhas foram implementadas em meio à pandemia, que trouxe diversos desafios. “Tivemos que fazer arrecadação sem contato próximo, distribuição sem contato próximo. Tudo muito difícil. Resolvemos isso com uma grande doação de máscaras que recebemos e distribuímos em toda a rede. Com a realização de drive thrus de doações, com distribuição sem aglomeração, descentralizada, obedecendo sempre os protocolos sanitários. Porém, tudo isso sem nunca parar de trabalhar em prol daqueles que estavam precisando”, afirma.

CAPACITAÇÃO

Os cursos profissionalizantes promovidos pelo Fundo Social estavam todos parados devido à pandemia e a nova gestão da entidade decidiu não retomá-los na sede, mas sim, em parceria com a Fundação Florestan Fernandes. “Ampliamos o acesso para incluir as pessoas mais vulneráveis e deixamos esse trabalho com a Florestan que já tem essa expertise – e salas de aulas e pessoal – para conduzir os cursos.”

Como projetos para o futuro, a entidade objetiva continuar as campanhas, pois, segundo Inês Maria, em um país que não tem pleno emprego e com a economia do jeito que está, continuarão a existir pessoas precisando. “E o município precisa atender, ou via Assistência Social, o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), ou com o trabalho voluntário capitaneado pelo Fundo Social”, destaca.

Outro objetivo da primeira-dama é trabalhar na formação, principalmente de pequenas entidades, ou mesmo indivíduos, que fazem um trabalho pequeno na comunidade, não têm documentação, e não sabem que podem ter apoio da prefeitura e como obtê-lo. “Queremos ajudar essas iniciativas a florescer. Porque é o conhecimento, a informação, que muda os rumos. Uma entidade sem informação não tem como acessar as oportunidades de valorizar o seu próprio trabalho”, afirma.

Inês Maria destaca que “está no forno” um novo projeto para o início de 2022, em parceria com o Fundo Social Estadual, o qual já tem recursos e local: o Praça da Cidadania. “Serão praças abertas, que contarão com salas para cursos, salas de ginástica, quadras, hortas comunitárias. Um pequeno complexo com vários serviços, todo girando em volta da cons­trução da cidadania”, afirma.

O Fundo Social necessita de doações de todos os tipos para realizar as atividades. “Além de doações, estamos buscando recursos federais, estaduais, de emendas parlamentares e mesmo municipais, com valores já acertados no orçamento do próximo ano para conti­nuarmos as campanhas. Quase a totalidade das doações que recebemos são em espécie: alimentos, agasalhos, móveis. A gente aceita de tudo”, destaca Inês Maria.

COMO DOAR

Doações podem ser entregues no Fundo Social de Solidariedade de Diadema, à rua Almirante Barroso, 160 – Centro. O Fundo também retira as doações. Basta ligar para o telefone (11) 4092-5340.

Outra forma de doar é via PIX ou por meio da conta do Fundo Social:
BANCO DO BRASIL
Agência: 0717-X
Conta Corrente: 98589-9
CNPJ: 190343280001/57 (PIX)

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