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Indústrias do ABC aceleram demissões e mostram que estão longe do ‘fundo do poço’

Dados da pesquisa de emprego da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), divulgados ontem (15), mostram que o setor fabril do ABC ainda não chegou ao “fundo do poço”.

As indústrias da região fecharam 4.100 vagas em agosto, com queda de 2,24% no nível de ocupação. Trata-se do 18º resultado negativo consecutivo e o pior para meses de agosto desde o início da pesquisa, em 2006. Em julho foram eliminados 1.650 postos de trabalho fabris.

Os resultados de julho e agosto frustraram a expectativa de desaceleração das demissões no parque fabril dos sete municípios.

Nos primeiros oito meses deste ano, o estoque de empregos na indústria da região caiu 7,63%, com o fechamento de 14.850 vagas, o que equivale a 61 postos extintos por dia.

O resultado dá sequência a três anos seguidos de queda no nível de ocupação industrial no ABC, com a eliminação de 7 mil vagas (-3,64%) em 2013, 20,5 mil (-8,62%) em 2014 e 29,8 mil (-13,27%) no ano passado.

Assim, no âmbito da pesquisa das entidades, as indústrias do ABC empregam atualmente 29,5% menos do que em dezembro de 2012.

Dos 22 setores acompanhados pe­la Fiesp e pelo Ciesp, 14 reduziram o nível de ocupação no ABC na passagem de julho para agosto. Nos últimos 12 meses, a disseminação é ainda maior, já que alcança 19 ramos.

Na comparação interanual, os setores de bebidas (-36,3%), borracha e plástico (-17,5%), equipamentos de informática (-15,8%), alimentos (-14,9%) e têxteis (-14,7%) registram as mai­ores retrações na ocupação.

No setor automotivo, o mais importante do parque fabril do ABC devido ao peso que tem na economia, o recuo no nível de ocupação nos últimos 12 meses é de 1,7%.

No corte por municípios, o pior resultado de agosto foi o da regional de Santo André (que inclui Mauá, Riberão Pires e Rio Grande da Serra), com o fechamento de 3.100 vagas. O resultado foi influenciado, principalmente, pela queda de 29% na ocupação do segmentos de artigos de borracha e plástico.

Em agosto, a Labortex – fabricante de artefatos de borracha especializada em peças para montadoras – fechou as portas em Santo André após 58 anos de atuação na cidade e demitiu quase 300 trabalhadores.

Em São Bernardo, onde houve fechamento de 700 vagas no mês passado, a principal influência veio do segmento de produtos alimentícios, com queda de 18% no estoque de vagas. Naquele mês, a Yoki encerrou produção na cidade, com mais de 300 demissões.

No Estado, a indústria fe­chou 11 mil postos de trabalho em agosto, com recuo de 0,49% em relação ao mês anterior. No ano, o setor acumula 74,5 mil vagas extintas.

Para o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, Paulo Francini, os resultados da pesquisa indicam que não houve alteração no mercado de trabalho fabril. “É um sinal de que o emprego continuará caindo e, infelizmente, isso deve prosseguir até o final do ano”, explicou, em nota.

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