Economia, Notícias

Indústria volta a contratar, mas ABC fecha 2.219 vagas em janeiro

Após 23 meses de cortes, as indústrias do ABC voltaram a registrar, em janeiro, saldo positivo entre contratações e demissões. As fábricas instaladas nos sete municípios geraram 412 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem (3).

O saldo de janeiro interrompe a sequência de resultados negativos iniciada em fevereiro de 2015. Neste período, o parque fabril da região acumulou o fechamento de mais de 40 mil vagas.

Os dados do Ministério do Trabalho são semelhantes aos divulgados em meados de fevereiro pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), que apontaram a criação de 150 empregos em janeiro no ABC, também o primeiro saldo positivo em 23 meses.

Apesar da similaridade dos dados, há diferenças de metodologia. Enquanto a pesquisa do Ciesp/Fiesp é amostral e considera empregos com e sem carteira assinada, os dados do Caged são registros administrativos encaminha­dos pelas empresas e consideram apenas vagas celetistas.

A crise que acomete a indústria da região aprofundou-se nos últimos dois anos, mas teve início em 2012 e, desde então, o parque fabril eliminou aproximadamente 64 mil empregos formais.

Apesar da reversão de tendência observada em janeiro, o setor segue pressionado pe­la queda do consumo e, no caso específico do ABC, pela crise na cadeia automotiva, da qual a economia da região é fortemente dependente.

O setor automotivo registrou em 2016 o quarto ano consecutivo de queda nas vendas, que retornaram ao patamar de 2004, e opera com 50% de sua capacidade, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Temporários

Nas demais atividades prevaleceu a dispensa de trabalhadores contratados em regime temporário antes do Natal. Comércio e serviços lideraram a queda, com 1.353 e 1.062 vagas fechadas, respectivamente. Na construção civil, 125 empregos foram extintos.

No total, o mercado de trabalho com carteira assinada do ABC fechou 2.219 vagas em janeiro, saldo pior do que as 1.644 vagas extintas no mesmo mês do ano passado. Trata-se do 26º resultado negativo consecutivo – o úl­timo mês em que as ad­mis­sões superaram as demissões nos sete municípios foi novembro de 2014.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*