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Indústria liderou número de falências decretadas no ABC entre 2015 e 2017

Indústria liderou número de falências decretadas no ABC entre 2015 e 2017
Possível fechamento da fábrica da Ford tende a aumentar o número de falências. Foto: Arquivo

A indústria, mais especificamente a metalurgia, foi no ABC a principal vítima da crise econômica que se instalou no país em 2014. Levantamento realizado pelo Observatório de Políticas Públicas, Empre­endedorismo e Conjuntu­ra da Universidade de São Caetano (Conjuscs) mostra que o setor lidera o número de falências decretadas na região entre 2015 e 2017.

Segundo o estudo, do total de 112 falências decretadas na região no triênio, a indústria respondeu por 57, ou 50,9% do total. Na sequência aparecem o comércio, com 28 (25%), e os serviços, com 26 (23,2%).
Dentro da indústria, o ra­mo de metalurgia foi o mais afetado, respondendo por 29 falências, ou 50,9% do total. Na sequência aparece o gráfico e editorial, com seis (10,5%).

O estudo, publicado na 6ª carta do Conjuscs, destaca que o elevado número de falências na indústria insere-se no contexto de crise acentuada pelo qual passa o setor fabril do país nos últimos cinco anos, com maior gravidade no ABC.

Os autores da nota técnica, Jefferson José da Conceição e Sandra Collado Gonsales, lembram que, entre 2010 e 2015, o valor adicionado industrial – espécie de Produto Interno Bruto (PIB) do setor fabril – da região caiu de R$ 40,6 bi­lhões para R$ 26 bilhões.

Conceição destacou ainda que o grande número de falências na metalurgia guarda forte relação com a crise no setor automotivo, que registrou qua­tro anos seguidos de queda nas vendas entre 2013 e 2016. Montadoras de cami­nhões, por exemplo, chegaram a ope­rar com ociosidade na casa de 70%, o que se refletiu na cadeia produtiva do segmento.

“O setor automotivo tem cadeia fornecedora bastante extensa. Naturalmente, a retração na produção refletiu diretamente nas indústrias de autopeças, máquinas e equipamentos, si­de­rurgia, ferramentaria e fun­dição, fornecedores diretos e indiretos das montadoras, clientes diretos da me­talurgia”, disse Conceição, que também é um dos coordenadores do Observatório.

O autor do estudo destacou que o fechamento da fá­brica da Ford em São Bernardo, anun­ciado pela montadora ame­ricana para até o final deste ano, tende a aumentar o nú­mero de falências na indústria nos próximos anos.

“Indubitavelmente, isso (o fechamento da fábrica) terá im­pacto de demanda de fornecedores muito grande, com primeiro nível de onda no ABC e que vai se estender para o país”, afirmou Conceição.

O coordenador do Conjuscs destacou também que o setor passa por forte reestruturação, com internacionalização e aumento da concorrência. “Isso repercute no faturamento me­nor, que estrangula financeiramente as empresas.”

Na passagem de 2015 pa­ra 2017, o setor de serviços registrou o maior aumento porcentual (500%), saltando de três pa­ra 18 falências. “O comércio e os serviços também estão passando por grandes mudanças, com novas formas de prestação de serviços, o que vai provocar falências se não houver políticas públicas e privadas que minimizem esse impacto”, previu Conceição.

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