Economia, Notícias

Indústria fecha 3.250 vagas em 2018 no ABC, e emprego fabril cai pelo 7º ano seguido

Desde 2012, setor perdeu quase 98 mil postos de trabalho, segundo pesquisa do Fiesp/CiespA recuperação mais lenta do que o esperado da economia freou a atividade industrial e impediu a retomada do emprego fabril no ABC, que registrou em 2018 o sétimo ano consecutivo de queda.

O setor encerrou 3.250 pos­tos de trabalho na região no ano passado, segundo dados divulgados, ontem (18), pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). O resulta­do representa retração de 1,93% em relação ao estoque existen­te em 1º de janeiro de 2018.

O parque fabril dos sete municípios não sabe o que fe­char um ano no “azul” desde 2012. No pe­ríodo, segundo a pesquisa das entidades, foram extintas quase 98 mil vagas.

O saldo entre contratações e demissões já era negativo no acumulado entre janeiro e novembro, mas ficou pior em dezembro, com a expressiva perda de 2.700 empregos, pior desempenho do ano.

O cenário é semelhante ao do Estado de São Paulo, que fechou 38,5 mil postos de trabalho em 2018, com queda de 1,8% no estoque.

O 2º vi­ce-­pre­sidente da fe­deração, José Ri­cardo Roriz, citou o desempenho da econo­mia no segundo semestre de 2018 como fator determinante para o resultado negativo.

“Fechamos dentro do previsto, nada diferente do que havíamos analisado ao longo do ano. Porém, agora temos otimismo. A confiança do empresário aumentou muito”, afirmou Roriz, em nota. “Em nossas previsões, o crescimen­to do PIB (Produto Interno Bru­to) deve ser de 2,5%. A pers­pectiva do empresário é de con­­­fiança, de um ano melhor.”

Também contribuiu para o resultado negativo no ABC a crise na Argentina, principal parceira comercial da região, com reflexo nas exportações.
Dados do Ministério da Eco­­nomia compilados pelo Diá­rio Regional mostram que os em­bar­ques da região para o país vizi­nho caíram 23% no ano pas­sado, para US$ 2,1 bilhões.

A redução nas encomendas foi mais sentida no setor automotivo, que possui extensa cadeia de suprimentos, formada por empresas dos ramos metalmecânico, de borracha e plástico, entre outros.

É verdade que a produção nacional de veículos cresceu 6,7% no ano passado, mas o resultado foi puxado pelo mercado interno e ficou abaixo do previsto pela a Associação Na­cio­nal dos Fabricantes de Veí­cu­los Automotores (Anfavea).

Como resultado, o ní­vel de emprego nas indústrias de veículos e autopeças do ABC caiu 1,41% no ano passado.

A despeito da alta na produ­ção, a ociosidade nas montadoras instaladas no país encerrou o ano passado na casa de 40%.

“A ociosidade hoje é muito grande na indústria paulista, em torno de 30% a 35%. Assim que começar a ser reduzida, vai trazer junto a alta na geração de empregos. Em um primeiro momento, máquinas e equipamentos parados voltarão a funcionar. Em seguida, as empresas vão desengavetar projetos e investimentos”, projetou Roriz, da Fiesp.

 

Print Friendly, PDF & Email

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*