Economia, Notícias

Indústria do ABC diminui ociosidade e aumenta disposição para investir

Indústria do ABC diminui ociosidade  e aumenta disposição para investir
Setor automotivo puxou anúncios de mais de R$ 7 bilhões em investimentos no ABC. Foto: Divulgação/VW

Dois indicadores divulgados ontem (27), no âmbito do boletim Indústri­ABC, sugerem dias me­­lho­res em 2018 para o par­que fabril da região, afetado por crise que teve início em 2013 e resiste em se dissipar.

O primeiro mostra que o uso da capacidade instalada nas fábricas do ABC encerrou o ano passado em 64%, contra 58% em dezembro de 2016, alta de seis pontos porcentuais. O segundo revela aumento, entre os indus­triais da região, na intenção de investir em suas empresas.

O boletim ba­seia-se em sondagem realizada pela Con­­fe­deração Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das In­dústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com dados regionalizados pe­la Universidade Metodista de São Paulo. Tem como referência o último trimestre de 2017 e é formado a partir de pontuações que indicam pessimismo (zero a 50), indiferença (50) e otimismo (50 a 100 pontos).

Segundo a pesquisa, a intenção de investimento saltou para 52,5 pontos em dezembro de 2017, contra 46,1 no mesmo mês de 2016 e 44,9 um ano antes. É a primeira vez que esse indicador supera a linha de 50 pontos no ABC.

“Tanto a pesquisa industrial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de abrangência nacional, quanto o indicador da CNI, regionalizado, mostram resultados positivos na produção em vários meses de 2017, o que resulta também no aumento do uso da capacidade instalada”, explicou o economista Sandro Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Metodista.

O professor, no entanto, fez a ressalva de que o indicador ainda está distante do observado, por exemplo, em 2013, quando o uso da capacidade instalada girava em torno de 75%. “De qualquer forma é indicativo de melhora da atividade na indústria, ainda que bastante lenta.”

Ao comentar o aumento na intenção de investir, Maskio afirmou que reflete o crescimento da produção, a melhora na confiança dos industriais em relação à economia do país e a redução dos juros e da inflação.

Também pesam favoravelmente no ânimo dos empresários anúncios realizados nos últimos meses que somam mais de R$ 7 bilhões em investimentos no ABC, puxados pelo setor automotivo, em empresas como General Motors, Volkswagen, Mercedes Benz e Pirelli.

Não por acaso, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), outro indicador do boletim, bateu em 65,6 pontos no ABC no mês passado, contra 59,3 no Brasil.

Perspectivas

Ao comentar as perspectivas para a indústria em 2018, o economista afirmou que são positivas, mas destacou o cenário político-eleitoral incerto como obstáculo à retomada mais acelerada do setor.

Maskio destacou também que o desemprego bastante elevado, a redução da massa salarial e o crédito caro impedem que o mercado interno contribua mais fortemente pa­ra a retomada da atividade econômica – em 2017, a recuperação da indústria foi puxada, principalmente, pelas exportações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*