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Ibovespa cai 1,86% e dólar sobe 0,78% com temor de mutação de vírus

Ibovespa cai 1,86% e dólar sobe 0,78% com temor de coronavírus
Versão mais contagiosa da covid-19 na Europa derrubou bolsas em todo o mundo, mas estresse diminuiu após declarações do diretor-geral da OMS. Foto: Arquivo

A segunda-feira (21) foi de aversão ao risco no exterior e também no Brasil, devido à descoberta de mutação de maior potencial de transmissão do novo coronavírus. Com isso, o Índice Bovespa chegou a cair mais de 3.200 pontos, logo depois da aber­tura. À tarde, manifestação da Organização Mundial da Saúde (OMS) conteve os ânimos dos investidores, que puderam analisar com maior clareza os entendimentos nos Estados Unidos para aprovação do pacote de estímulos de US$ 900 bilhões.

No cenário doméstico, em contrapartida, os ruídos políticos deram contribuição negativa na última hora aos negócios. Com isso, o índice fechou em queda de 1,86%, aos 115.822,57 pontos.

A moeda norte-americana operou o dia todo em alta. No fechamento, o dólar à vista terminou em alta de 0,78%, cotado em R$ 5,1228.

Assim como ocorreu em outras ocasiões de estresse por conta da covid-19, as ações de empresas aéreas e de turismo estiveram entre as que mais sofreram. Da mesma forma, a queda dos preços do petróleo atingiu em cheio as ações da Petrobras, que perderam mais de 3%. A alta superior a 7% do minério de ferro na China amenizou a pressão vende­dora sobre ações da Vale e de side­rúrgicas. Ao final do dia, Gol PN foi a maior queda do índice (-4,77%), seguida por Embraer ON (-4,58%).

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou no período da tarde que não há indícios de que as variantes de coronavírus identificadas no Reino Unido e na África do Sul causem doença mais severa. “Vírus mudam o tempo todo, isso é normal”, comentou, re­ferindo-se às mutações.

Para Regis Chinchila, geren­te de renda variável da Terra Investimentos, as falas de Adha­nom fizeram o mercado melhorar, com a percepção de que as va­cinas continuam eficazes. “Porém, a cautela permanece, porque os investidores ainda não conse­guem medir o impacto na economia da Ingla­terra com novo lockdown”, disse.

O cenário político domés­tico, que esteve em segundo plano durante todo o dia, deu sua contribuição na última hora de negócios, reforçando o sinal negativo da Bolsa. Isso porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), discutiu com o líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), e se negou a retirar da pauta uma pro­posta que aumenta os repas­ses da União para municí­pios. A medida eleva em 1% as transferências da União para o Fundo de Participa­ção dos Municípios (FPM).

“É uma notícia ruim para o governo e gerou algum desconforto no final dos ne­gócios, levando o Ibovespa a voltar ao patamar de 115 mil pontos. Porém, as bolsas de Nova York, que persisti­ram como principal referência do­s negócios, também mostraram piora nesse período”, des­creveu um operador.

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