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Honda Civic Si é a visão moderna de um esportivo ‘à moda antiga’

Honda Civic Si é a visão moderna de um esportivo 'à moda antiga'
Honda fez discretas alterações no Civic Si, que se destaca pela dianteira agressiva e pelo conjunto traseiro harmonioso. Foto: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

São várias as razões que fazem uma pessoa optar por um automóvel. Há quem priorize con­forto e segurança. Outros bus­cam um símbolo de status sobr­e rodas, para impressionar amigo­s e vizinhos. Muitos idea­lizam mo­delos de vocação aventureira, que os façam se sentir capazes de transpor qualquer obs­táculo. Porém, há também quem procure apenas diversão. Para esses consumidores que va­lorizam o prazer de dirigir aci­ma de tudo, a Honda trouxe para o Brasil, em julho de 2019, o renovado Civic Si, que chega importado – o motor é feito nos EUA e o carro, no Canadá. Em sua atual geração, apresentada em 2019, o cupê de duas portas ga­nhou discretas mudanças no design e aprimora­mentos mecâ­ni­cos, além de incorporar itens de conforto e conveniência.

Segundo a Honda, a propos­ta é oferecer comportamento dinâ­mico esportivo, reforçado pela singular sensação de controle proporcionada pela transmissão manual – um prazer que, para os mais puristas, se perde com os câmbios automáticos.

Por fora, o Civic Si tem dimensões muito próximas às do Civic feito no Brasil – o cupê é 12 cm mais curto e 1 cm mais baixo que a versão EXL, com a mesma largura e entre-eixos do modelo interme­diário de quatro portas.

A dianteira é agressiva com sua ampla grade preta, largas to­ma­das de ar no para-choque e faróis full-LED. Os de nebli­na também são em LED, com acabamento em preto brilhante. As rodas de liga leve de 18 polegadas, exclusivas da versão, têm acabamento em preto fosco, e o teto solar reforça o estilo requintado. Porém, é na traseira que o Si ostenta o que se costuma chamar de “assinatura de design”. O harmonioso conjunto formado por aerofólio e barra de LEDs horizontal que atravessa a traseira conectando as lanternas em forma de “C” é elegantemente arrematado pelo escapamento central cromado em formato poligonal. As pequenas letras “Si” – sigla para Sport Injected – surgem em vermelho na tampa do porta-malas.

A sigla Si deixa claro qual é a inegável atração do cupê da Honda. O motor 1.5 turbo de quatro cilindros a gasolina com injeção direta de combustível e duplo comando de válvulas variáveis no cabeçote é o mesmo adotado nas versões Touring do sedã Civic e dos utilitários esportivos HR-V e CR-V, mas tem configurações específicas de potência e torque. Com intercooler frontal e turbo de maiores dimensões, entrega potência máxima de 208 cavalos a 5.700 rpm – acima dos 173 cv da versão Touring do Civic. O robusto torque de 26,5 kgfm (22,4 kgfm na Touring) aparece a 2.100 rpm e é mantido em 70% da faixa de rotação do propulsor.

Outro destaque do Si para os admiradores da esportividade é a transmissão manual de seis velocidades. Segundo a Honda, o câmbio proporciona sensação de aceleração ainda mais aprimorada, com engates curtos e precisos.

Para manter a tradição de se destacar no aspecto dinâmico, o cupê incorporou em sua atual geração itens como assistência elétrica adaptativa, amortecedores adaptativos e diferencial com des­lizamento limitado. Os freios têm 12,3 polegadas na dianteira com largos pneus 235/40 R18. Em complemento aos amortecedores adap­tativos, a suspensão tem molas mais firmes e estabilizado­res mais rígidos, além de braços de controle ultra rígidos atrás.

Tudo isso, segundo a Honda, visa oferecer experiência de condução na qual o motorista pode perceber o feedback do piso para explorar os limites do Si com mais segurança. Por meio da tecla Sport, situada no console central, o motorista seleciona entre dois ajustes de rodagem, que alteram parâmetros de suspensão, ace­lerador e assistência de direção.

Dentro das boas tradições da Honda, a segurança é valorizada no Si. Lá estão o sistema ABS com distribuição eletrônica de frenagem, o controle de tração e estabilidade (VSA), o assistente de partida em aclives (HSA) e o Agile Handling Assist (AHA), que aprimora a estabilidade em curvas. Traz ainda seis airbags, câmera de ré multivisão e o sistema La­neWatch, composto por câmera instalada no re­tro­visor direito que, quando a se­ta é acionada, projeta a imagem no multimídia para eliminar os pontos cegos.

O Si é vendido no Brasil em três opções de co­res. Tem três anos de garantia sem limite de quilometragem e preço sugerido de R$ 184.900 – R$ 38,4 mil acima da configuração Touring, a top de linha do sedã.

Diversão é bom e todo mundo gosta, mas tem um preço – que, no caso de um automóvel, costuma ser alto. Porém, o público-alvo do Si é formado por pessoas que acham que não se deve economizar com o próprio prazer.

 

Modos de condução transformam cupê em dois modelos distintos

O Civic Si é um carro surpre­endente. Oferece dois modos de condução que, na prática, transformam o cupê em dois modelos distintos. No modo Comfort, os amortecedores ope­ram de forma mais suave, a assistência da direção é aprimorada e o acelerador opera de forma menos direta, para oferecer condução mais suave. Desse modo, embora os 208 cv e os 26,5 kgfm sigam disponíveis, o Si assume comportamento mais discreto, quase como um sedã médio comum.

Com a tecla Sport acionada, os amortecedores trabalham com mais carga, enquanto a res­posta do acelerador fica bem mais direta e a direção, por sua vez, tem a assistência reduzida para tornar a conexão com o motorista mais intensa. O giro sobe rápido e reforça a sensação de agi­lidade. Para instigar ainda mais o motorista, o Si ativa no modo Sport o Active Sound Control, que usa o poderoso sistema de áudio do cupê para amplificar o som do motor e proporcionar experiência sensorial mais imersiva. Quando o mo­torista pisa forte no acelerador, o barulho grave do motor apare­ce de forma arrebatadora – é difí­cil resistir à vontade de pisar e dei­xar o propulsor ostentar acusticamente seu vigor.

Qualquer que seja o modo de direção adotado, o Si traz as qualidades desejáveis em um esportivo, como boa visibilidade, direção precisa e freios de alta performance. A experiência de dirigir é aprimorada pela alavanca de câmbio com engates precisos e pela embreagem hidráulica com acionamento macio. Afinal, no Civic Si, boa parte do apelo está na sensação de controle pro­porcionada pelo câmbio. Para ajudar o Si a respeitar os indefectíveis limites de velocidade, o piloto automático (Cruise Control) permite ajustar a velocidade desejada para o carro manter a ace­leração necessária automaticamente – recurso de assistên­cia ao motorista que é bem efeti­vo, mas quase contraditório em um carro no qual a graça é exer­cer plenamente o comando.

A BORDO

Os detalhes no interior do Civic Si evocam esportividade. A ergonomia dos bancos tipo concha e o volante de boa empu­nhadura fazem com que o motorista praticamente “vista” o carro. Para mover o cupê basta acionar o pedal de freio e pressionar o botão Start para dar partida. O painel exibe elementos em vermelho, mesma tonalidade adotada nas novas faixas centrais dos bancos em formato de concha, com logotipos da versão bordados no encosto. A estética é replicada nas costuras verme­lhas dos bancos, das laterais de portas, da manopla e da coifa do câmbio. Também valorizam o interior o quadro de instrumentos em TFT com iluminação vermelha, os pedais em alumínio e o acabamento do painel em Dry Metal Carbon.

O cupê traz sistema de recarga de celulares sem fio, por indução, posicionado no console central. O freio de estacionamento é eletrônico e o ar-condicionado digital tem duas zonas. Em termos de conectividade, o Si traz sistema multimídia de sete polegadas, sensível ao toque, integrado ao Apple CarPlay e ao Android Auto, com conexão fácil de smartphones ao automóvel. O sistema de áudio premium de 450 watts tem dez alto-falantes. Como é inerente a cupês de duas portas, o acesso ao banco tra­sei­ro não é dos mais fáceis.

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