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Guto Volpi: ‘não é polícia na porta de escola que vai impedir a violência. É um resgate que vem da família’

Guto Volpi: “É uma experiência única estar no Executivo de uma cidade; fazer gestão pública”. Foto: Divulgação
Guto Volpi: “É uma experiência única estar no Executivo de uma cidade; fazer gestão pública”. Foto: Divulgação

Prefeito de Ribeirão Pires defende resgate do convívio familiar e abertura dos equipamentos públicos para a população 

Guto Volpi (PL) assumiu a Prefeitura de Ribeirão Pires em janeiro e, apesar de ser um governo de continuidade, como ele mesmo define, já deixou sua marca no Paço, assim como fez quando presidente da Câmara Municipal. As paredes internas já não existem mais e as poucas divisórias que restam são de vidro. Ou seja, todos trabalham integrados, sem distinção de setor. O prefeito defende o projeto inovador afirmando que na humanização do layout já são desburocratizadas muitas soluções.

“No poder público isso será novidade. O modelo de Ribeirão e de cidade nos permite trabalhar assim, e nos arriscamos. Todas as salas, e serão poucas, de alguns gestores e do vice-prefeito são de vidro e viradas para a recepção. Então, todo mundo enxerga todo mundo. Estaremos com 50% do governo no mesmo andar. São seis secretários no mesmo andar, 150 pessoas trabalhando juntas, de forma coletiva, compartilhada e li­near. Desestruturamos a hierarquia que teoricamente se sempre se imagina, para trabalhar de uma forma mais humana e mais próxima, isso sem investir em tecnologia, apenas no material humano”, afirma.

Ao Diário Regional, o prefeito destacou que esse tipo de ação visa trazer a população para perto do poder público. Outra prioridade de sua gestão é o resgate do vínculo familiar. Confira os principais trechos da entrevista com o prefeito de Ribeirão Pires.

Como é a experiência de passar do Legislativo para o Executivo?

É completamente diferente do Legislativo. É completamente diferente do que as pessoas imaginam, mas é uma experiência única estar no Executivo de uma cidade; fazer gestão pública. Quem está do outro lado, mesmo nas Câmaras Municipais, não tem ideia da proporção que é isso. Do volume de soluções diárias que você tem de produzir. Alternativas para todas as áreas, da saúde à cultura; do bem-estar à mobilidade. É uma dinâmica intensa. Para quem gosta de trabalho é o lugar certo.
Gosto de expandir essa experiência (de integração) para toda a cidade. Então, um dos conceitos nossos é de abrir, assim como está sendo aberto o Paço Municipal, outros espaços possíveis de abertura. A Câmara Municipal, quando estive presidente (implementei) a Câmara 2030, ela é toda aberta, isso torna a interlocução melhor e um convite para a sociedade. As atividades culturais dentro dos espaços públicos, como é aqui no gabinete, convida para que as pessoas participem mais.

Como estão as finanças do município?

As arrecadações estão se mantendo estáveis. Projetamos um Orçamento um pouco maior, mas a variação é muito pequena. Temos a vantagem de suceder e dar continuidade a um governo, que é o do meu pai (Clovis Volpi), ele colocou, de fato, em ordem (as finanças) a ponto de irmos tocando em um ritmo muito mais seguro e confortável. Então, essa sucessão foi extremamente importante para a cidade, que era a proposta de campanha. Isso dá uma segurança maior.

Continuamos mantendo a nota A de investimentos e pagamentos, isso é muito legal, e é essa responsabilidade que estamos tocando. Então, a cidade está conseguindo manter os investimentos do tesouro. No Estado estamos com um governo novo, assim como o federal, com isso tem o represamento de um período do semestre e creio que já estamos superando isso. O governador Tarcísio (de Freitas/Republicanos) e o presidente Lula (PT) estão se adequando mais e melhor com as mudanças dos Legislativos estadual e federal. Então, está fluindo legal e é essa a facilidade e segurança, dar continuidade a um go­verno que vinha muito bem.

Passado o período de pandemia, como está a área da saúde de Ribeirão?

Na saúde, a parte de obras estamos entregando agora. A UBS Santa Luzia, UBS do Parque Aliança, que foi uma herança deixada por dois governos sem acabar e estamos entregando agora. Estamos entregando uma novo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) infantil, que também passou por um processo muito difícil nos últimos dois mandatos.
Porém, as atividades que impactam na saúde estão sendo feitas também na cultura e nos esportes, com novos programas de controle de peso, de bem-estar, de cami­nhadas, de atividades culturais. Então, um calendário intenso em outras áreas tem um reflexo importante na saúde mental, principalmente, no convívio social, e isso impacta nas unidades básicas de saúde e no atendimento da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A UPA, hoje, atende várias cidades. Divisa com Suzano, Rio Grande da Serra, Paranapiacaba, com Mauá. Todas estão concentradas em Ribeirão Pires.

Temos dado um passo muito importante na saúde. Além de termos colocado ela em ordem e retomado obras que estavam paradas, o hospital é um caso desde 2012, que ficou 100% parado, aplicamos no CAISM, Centro de Especialidades da Mulher, e essa prevenção tem dado muito resultado na conta final, que acaba na emergência e nas cirurgias. O CROSS, que é o sistema de regulação do Estado, tem atendido bem. A oferta que Ribeirão Pires vai dar para o Estado, com quase 98 leitos, também vai ser muito importante não só para a região que citei, mas também para o sistema público estadual.

Também estamos para terminar o Centro Oftalmológico, supermoderno, que é uma doação da Igreja Mórmon para Ribeirão Pires. Vai ser no Centro de Especialidades Médicas. Esse vai ser outro ganho de prevenção em Saúde.

A violência nas escolas está em evidência nas últimas semanas. Quais ações a cidade está desenvolvendo para prevenção a esse tipo de situação?

Ribeirão Pires foi uma cidade que logo do acontecimento de Blumenau se reuniu com toda a sociedade civil, comunidade escolar pública, privada e de idiomas e temos tomado algumas ações desde então. Porém, a minha tese é: não adianta polícia na porta da escola. Não é isso que vai impedir. É um resgate que vem da família. A estrutura familiar tem de ser olhada. O que Ribeirão Pires tem feito? Antes de isso tudo acontecer, criamos o maior programa de psicologia em escola para atender funcionários, famílias e alunos, que o nosso APSE (Apoio Psicossocial Escolar), o qual estamos reforçando com mais psicólogos e estágios.

Em relação à segurança, fizemos teste final no sistema do botão de pânico e câmeras que está sendo providenciado para todas as unidades escolares e de cultura. Isso é muito importante citar. Temos melhorado todo o sistema noturno via iluminação pública; Polícia Militar com ronda; investigação com Polícia Civil; prevenção com nossa GCM (Guarda Civil Municipal). Além disso, a União vai lançar um enorme programa para segurança escolar.

Entretanto, o foco não é só a unidade. É a família. Essa instituição chamada família está passando por uma crise de valores. Transferiu tudo para a escola. A escola é para dar o conhecimento, não a educação que vem da família. Isso está sendo transferindo há um tempo para a comunidade escolar. Então, temos de resgatar o núcleo familiar.
Ribeirão Pires tem aberto espaços públicos importantes de convívio social, que é justamente para tirar a criança da frente do videogame e do celular, e trazê-la para os equipamentos de esporte e cultura, de convívio. Isso tem impacto. É mais macro do que apenas na unidade escolar. Ribeirão Pires tem esse trabalho, que foi pioneiro no pós-pandemia, que é pela educação reestruturar o pilar da família.

Este ano é primeiro que os alunos voltaram efetivamente para a sala de aula. Quais demandas foram verificadas e quais ações a prefeitura implementou para reduzir os danos do isolamento?

Foco muito no nosso APSE (Apoio Psicossocial Escolar). As campanhas contra o bullying, que realizamos muito antes de acontecer os casos em São Paulo e Blumenau. Acho que isso tem um papel importante em sala, de conviver com as diferenças. De conscientizar que a brincadeira tem de ser muito bem medida, porque pode ser mais agressiva para uns do que para outros e temos de entender que as diferenças são assim, e temos de respeitá-las. A sociedade é totalmente diversificada em todas suas questões, gênero, credos, crenças. Então, Ribeirão Pires sempre esteve à frente nisso e queremos continuar sendo protagonistas.

Queremos resgatar o prazer de voltar para a escola, porque hoje está abalado novamente não mais pela pandemia, mas pelo sentimento de insegurança. Isso tem afetado todas as unidades escolares, tanto públicas quanto privadas. Queremos falar: olha sociedade, a cidade de Ribeirão está fazendo o que tem de ser feito para melhorar cada vez mais, não só pela unidade, mas pela cidade inteira. Então, projetos de meio ambiente, de cultura, esportes, de convívio são importantes. Isso tem muito a ver com a Agenda 2030. Isso já está vindo desde 2015 e ninguém deu muita atenção, mas agora as soluções têm de ser agudas. A Agenda 2030 foca exatamente o que estamos vivendo hoje. É uma coisa que adotamos no Legislativo enquanto presidente e agora no Executivo.

Economia e turismo andam juntos aqui a Estância. Como estão as duas áreas?

A Entoada (Nordestina) foi uma experiência saborosa e cultural, porque ambas foram 100% nordestinas. Resultado espetacular econômico de festa. Econômico no que a cidade recepcionou de pessoas de fora. Foi muito legal e repercutiu como esperávamos, porque é uma festa muito gostosa. Deu resultado. Os números o Desenvolvimento Econômico está fechando. A Paixão de Cristo foi outro sucesso econômico também, porque você mede a empregabilidade sazonal do evento e de venda das barracas que fazem parte do processo. Todos sentiram reflexo, do posto de gasolina ao restaurante.

Agora entramos da Festa do Pilar, em uma feira nova de estímulo à economia criativa e de novos artistas de música brasileira, que será o Festival Mundo Novo. Depois vem o Festival do Chocolate, vem a FLIRP (Feira Literária de Ribeirão Pires), que este ano a inovação dela, por ser a segunda edição, traz uma semana antes um Festival de Jazz de Rua. Vai abrir a FLIRP e será espetacular, além de uma festa italiana com arrecadação 100% voltada para as entidades assistenciais.

Então, são modelos que vão desenvolver economicamente a cidade, mas também o fomento de visitação turística com todos os equipamentos que estão sendo reformados, Morro Santo Antônio, Morro São José, Vila do Doce, os parques. Isso volta a deixar pujante o tu­rismo em Ribeirão Pires, como deve ser. Todas as ações são para o convívio familiar.

Projetos em curto e médios prazos?

O calendário festivo, que já falei. Há projetos de esportes, que são muito importantes. Inauguramos o projeto Are­ninha, no sábado, no Jardim Luzo, São Francisco, Roncon, e vamos entregar mais três até o ano que vem. É uma novidade que começamos ago­ra e com entrega para o ano que vem, cumprindo o que propomos ainda no gover­no do meu pai, que é entregar todo esse volume de obras que foi proposto desde 2021.

Aventou-se a possibilidade de Ribeirão deixar o Consórcio Intermunicipal ABC. Vai se concretizar essa saída?

Tenho conversado muito com o Marcelo (Oliveira, presidente da entidade). Estamos apostando (no colegiado). Estão faltando alguns detalhes. Não dá para ratear a saída de São Bernardo e São Caetano, que são dois orçamentos pesadíssimos, com Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Não tem como comparar nossos orçamentos. Temos de achar uma solução para isso e tem de ser muito rápida.

As discussões regionais são importantes. Sou uma das pessoas que mais defende. Entendo que o modelo de gestão de Consórcio tem de ser atualizado. Entendo, também, que os governos querem trabalhar por meio dos Consórcios, o que de fato ainda não aconteceu de forma tão intensa. Talvez possa ou não acontecer agora, mas estamos apostando para que isso dê certo.

Acredita que São Bernardo e São Caetano possam voltar atrás da decisão se ocorrer uma mudança na gestão do Consórcio?

Creio que sim, porque é a proposta deles. Tem de ser analisado com carinho, para fortalecermos (a entidade), com as sete cidades. Do contrário, esse modelo vai ser criado naturalmente, por associação, aí pode ser que abale mais um pouco. Então, as pessoas precisam ser ouvidas, os modelos precisam ser atualizados, como temos feito em Ribeirão, olhado internamente para a gestão e ver que o que podemos atualizar para que a sociedade entenda que essa transformação vem de dentro para fora.

Como é o relacionamento do Executivo com o Legislativo?

Sempre foi muito bom. Desde o meu pai. Quando a gente vem da vereança para o Executivo você entende o trabalho de todo mundo e o esforço de cada vereador em suas comunidades ou bases. Isso é muito importante para você ter empatia de trabalho muito forte. Temos trabalhado juntos para as mesmas soluções. Isso dá uma sinergia boa e tem funcionado.

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