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Guedes defende ‘meter a faca no Sistema S’ e cortar 50% dos repasses

Guedes defende ‘meter a faca no Sistema S’ e cortar 50% dos repasses
Guedes: “Tem de meter a faca no Sistema S”. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou a sua equipe a meta de cortar pela metade os recursos repassados ao Sistema S, que inclui entidades como Sesi, Sesc e Senac, comandadas pelas confederações empresariais do país. Ontem (17), durante pa­lestra no almoço de fim de ano da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), foi enfático ao defender a redução. “Tem de meter a faca no Sistema S”, disse a uma plateia de empresários.

O economista Marcos Cintra, que vai comandar a secretaria especial da Receita Fede­ral, afirmou ontem ao Estadão que o processo será gradual, mas vai começar “imediatamente”. “Muito do que o Sistema S faz pode ser feito pelo mercado de forma competitiva. Preservaremos as atividades com caracte­rísticas de bens públicos”, disse. Segundo ele, o futuro governo pretende desonerar a folha de salários das empresas para estimular empregos.

O Sistema S foi concebido na década de 1940 para promover capacitação de mão de obra, cultura e lazer para o trabalhador. Custeado pela contribuição das empresas, passou a ser admi­nistrado pelas federações patronais, que recebem espécie de “taxa de gestão”. Uma parte das contribuições e tributos que as empresas pagam sobre a folha de pagamento é repassada para as entidades do Sistema S. O dinheiro deve ser usado para treinamento profissional, assistência social, consultoria e as­sistência técnica. Neste ano, foram repassados R$ 17,1 bi­lhões. Em 2017, R$ 16,5 bilhões.

Especialistas em orçamento costumam criticar a falta de transparência na aplicação dos recursos do Sistema S.

Procuradas, a Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional da Agricultura (CNA) não quiseram comentar as declarações de Paulo Guedes.

Em setembro, ao ser eleito para a presidência da CNC, José Roberto Tadros afirmou ao Estado que faria a defesa do Sistema S ao futuro governo. “É preciso lembrar a eles que se trata de recursos privados que são empregados pelas confederações dos setores da economia em ações que deveriam caber ao Estado. Ou seja, assumimos esse papel sem ônus algum para o governo”, disse na ocasião.

Ontem (17), ao falar para os empresários, Guedes fez referência ao fim do imposto sindical, incluído na reforma trabalhista pelo governo Michel Temer – que comprou briga ao mexer com o financiamento dos sindicatos de trabalhadores, mas deixou de lado o custeio do serviço social das entidades empresariais.

“Vocês estão achando que a CUT (Central Única dos Trabalhadores) perde o sindicato, mas aqui fica tudo igual? O almoço é bom desse jeito, ninguém contribui?”, completou, arrancando aplausos da plateia de cerca de 400 pessoas, que almoçaram moqueca de filé de peixe com purê de banana-da-terra, com salada com presunto de parma de entrada.

O futuro ministro disse que é possível “cortar pouco, para não doer muito”. “Se tivermos interlocutores inteligentes, preparados, que queiram construir, como o (presidente da Firjan) Eduardo Eugenio (Gouvêa Vieira), cortamos 30%. Se não tiver, é 50%”, disse Guedes em tom de brincadeira.

 

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