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Guarda de Santo André confessa participação na chacina’

Magino Barbosa descarta participação de policiais no caso. Foto: SSPO secretário da Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Mágino Alves Barbosa Filho, disse ontem (11) que o guarda municipal de Santo André Rodrigo Gonçalves Oliveira confessou participação na chacina de cinco jovens na zona leste de São Paulo. “(Oliveira) admitiu sua participação no crime”, disse em entrevista o secretário, que afirmou que as cápsulas de .40 foram jogadas no local para desviar os rumos da investigação.

Após a prisão do guarda-civil, outros membros da corporação prestaram, ontem, depoimento sobre o caso. O grupo, que morava na região de São Mateus, na zona leste paulistana, desapareceu no dia 21 de outubro ao sair para uma festa. Os corpos foram encontrados na última segunda-feira (7) em estágio avançado de decomposição em um matagal em Mogi das Cruzes.

Oliveira está preso desde quinta (10). Segundo a diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Elizabete Sato, o GCM admitiu ter um perfil feminino falso no Facebook e ter usado essa identidade para atrair os jovens para uma festa fictícia em uma chácara. Em depoimento, Oliveira disse que já tinha a conta na rede social há um ano e que no último mês começou a se corresponder com dois dos jovens mortos – César Augusto Gomes Silva, de 20 anos, e Caique Henrique Machado Silva, 18 anos.

Vingança

O guarda-civil disse ter se aproximado dos jovens porque um informante indicou que os dois teriam participado do assassinato do também guarda metropolitano de Santo André Rodrigo Sabino, no dia 24 de setembro. Oliveira disse que tinha a intenção de prender os jovens. Para isso, marcou encontro com eles em uma rodovia da região, a partir de onde, na farsa que havia elaborado, levaria o grupo para a festa. Oliveira nega, entretanto, ter participado das execuções. Segundo o guarda, o grupo simplesmente não chegou ao ponto de encontro.

Participação de PMs

O local onde os corpos foram encontrados foi modificado ao menos duas vezes, de acordo com o relato do caseiro que descobriu as covas rasas e notificou as autoridades. De acordo com o depoimento, identificou a localização dos restos mortais dos rapazes pelo cheiro forte e pela movimentação dos urubus. O funcionário do sítio chamou então a Polícia Militar (PM), que não encontrou o ponto indicado.

“Há informação de que o local foi sucessivamente alterado ao longo dos dias por parte da pessoa que havia chamado a polícia. Inconformado com o trabalho mal realizado pelo policial, passou, ele próprio, a procurar o local até encontrar. A partir daí que ele constata que o local vinha sendo adulterado”, disse o corregedor da PM, Levy Felix.

Da primeira vez que o caseiro esteve no local, apenas o pé de umas das vítimas estava à mostra. Nos dias seguintes, a terra foi removida e foi jogado cal sobre os restos mortais. Segundo Mágino Barbosa, também foram deixados cartuchos de munição de lotes comprados para batalhões que atuam na região.

“Aquela pessoa que viu os corpos na primeira oportunidade não encontrou nenhum estojo de munição no local. Depois surgiram munição de lotes adquiridos tanto pela Polícia Civil quanto pela Polícia Militar”, destacou o secretário ao dizer que houve uma tentativa de desviar o foco das investigações.

Para Mágino Barbosa, as interferências no local do crime enfraquecem a hipótese da participação de policiais no crime. O envolvimento de PMs, no entanto, não está descartado, e a corregedoria continua investigando o caso.

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